Metallica: O disco que serviu de base para o Death Magnetic

Resenha - St. Anger - Metallica

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Por Caio Marcelo
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Nota: 6

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


É verdade que nos anos 90 o Metallica diminui a força e a agressividade em suas músicas, Carregou (“Load”) e Recarregou (“ReLoad”) o saco dos fãs mais brutos, lançando discos cheios de baladas e com música quase nadas pesadas: guitarras e baterias calmas e vocal puro, não rasgado ou agressivo como era antes de 91 e do “Black Album” (ou simplesmente “Metallica”).
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Muito foi especulado sobre o álbum que demorou seis anos (que virou algo freqüente desde 91) para ser lançado. Um dos principais motivos foi a internação do cantor e guitarrista James Hetfield graças ao seu alcoolismo: o que era para ser algumas semanas, levou meses. Outro fato foi que Jason Newsted, baixista que entrou logo após a morte de Cliff Burton (86) estava saindo da banda por diferença de opiniões.

O Metallica estava dizendo que estava voltando às origens: voltando a tocar Thrash e que tinha parado com as baladas, e que logicamente estavam mais pesados. Eles não voltaram a tocar Thrash, mas certamente as outras duas promessas foram verdade.

Mesmo “St. Anger” tendo sido muito bem criticado por profissionais (3/5 na Allmusic, 8/10 no Spin), muitos fãs odiaram o CD, quebraram-no, queimaram. Tudo de forma inútil podiam dar para quem quisessem, afinal. Este disco marca duas grandes mudanças no Metallica: a ultima parceira com o tão odiado produtor Bob Rock, que tocou baixo nesse disco (e muito mal), e a entrada de Robert Trujillo no baixo para a turnê.

A produção do disco também está uma merda: tentando fazer com que o som tivesse uma pitada mais "crua", Bob Rock deixou o mesmo abafado, como se tivesse saído de uma garagem. Usaram microfones de péssima qualidade, e a bateria mais pareciam latões (mesmo sendo bem tocada) do que uma bateria tocada por Lars.

Ainda sim, é um CD que serviu para a base de “Death Magnetic”, voltando às raízes mais pesadas do Metallica, mesmo sendo uma mistureba de Nu Metal, Alternative, Hardcore e afins. Foi mais uma chamada para fãs teens de New Metal do que uma chamada para os antigos fãs de Trash do Metallica.

Quando digo de peso, não estou brincando: Hetfield não grita nem canta, ele simplesmente vomita sua fúria nas músicas, e Lars volta a tocar bateria como fazia: usando seus pedais duplos a toda velocidade! Kirk Hammett toca mais rápido que nos anos 90, mas ainda sim não chega a solar e... Bem, Jason Newsted caiu fora e Bob Rock é uma merda.

A prova disso é “Frantic”, primeira faixa de disco que já começa com uma batidinha sacana na bateria, que logo se desenrola para uma porradaria do caramba! O refrão é quase que um desespero, onde Hetfield grita o nome da música (“Frantic/Tic/Tic/Tic/Toc/Frantic/Tic/Tic/Toc”). É certamente a melhor do disco e uma preparação para a faixa seguinte: “St. Anger”.

Essa faixa começa com aquela guitarra marota e depois vai aumentando rapidinho com a bateria, que explode e... Uma voz suave de Hetfield. Quando a pessoa menos espera, ele começa a gritar, junto com Kirk fazendo Backing vocals para auxiliar na música. Por mim, a mais violenta no disco, e com certeza a melhor de ser ouvida, principalmente com raiva. Seu final mostra os gritos de desespero de Hetfield, interpretando um prisioneiro próximo a morte. É simplesmente perfeita. É aquela música de "Foda-se o mundo e foda-se todo o resto"!

“Some Kind Of Monster” não é tão bom quanto às outras, mais ainda sim é boazinha. Começa bem lentinha, como a maioria, mas ai fica rápida. Tipicamente Nu Metal. O efeito já ficou meio repetitivo. O refrão não é tão animador, e a música não é lá a melhor do disco, mas ainda sim é boazinha.

As músicas que seguem – “Dirty Window”, “Invisible Kid” e “My World” - são apenas grandes repetições, muito barulhentas e sem alguma parte mais interessante. “Shoot Me Again” não é tão ruim assim. Começa com uma firula na guitarra, mas ai vai ficando mais lentinha, como o inicio de “St. Anger” com alguma batida bem potente no final, pena que é meio repetitiva.

“Sweet Amber” já é melhor, e como a maior parte das músicas, começa lentona. Parece de inicio, que nem começa. Parece mais que estavam afinando a guitarra, e ai sim vem aquela introduçãozinha básica, e logo depois a batida muito rápida e crua. Seu refrão é bem negro. É como Some Kind Of Monster: não é aquela música fantástica, mas já dá pro gasto. “The Unnamed Feeling” segue a linha de “Dirty Window” e suas amigas, sendo uma música bem chatinha e repetitiva.

Voltando para a onda de boas músicas, ”Purify. É muito odiada pelos fãs, mas eu simplesmente adoro. Seu inicio é meio fraquinho, com o vocal fraquinho, cheio de quebras de tempo... Ai vem o refrão acabando com tudo: "Pure If I... Can't You Help Me?/Pure If I... Won't You Help Me/Purify You And I/Purify You And I". Entre o meio do refrão, aquele tom mais do mesmo comum no disco.

“All Within My Hands” começa com um barulhinho estranho, mas ainda sim é outra mais do mesmo, sem nada de muito interessante. A voz de Hetfield está calminha na introdução, que lembra muito “Load” e “ReLoad” (tirando a bateria-latão do Lars). Essa é ainda mais parada do que as outras, em minha opinião.

Enfim, esse é “St. Anger”, o disco mais criticado do Metallica e mais odiado pela maioria dos fãs. Mesmo assim, esse disco carrega algumas pérolas, como as já citadas “Frantic”, “St. Anger” e “Purify”. Não é um “Master Of Puppets” ou “...And Justice For All”, mas já é a base da volta às raízes. Certamente o disco seria melhor se Bob Rock fosse logo expulso, se Robert Trujillo tocasse seu baixo e se os equipamentos não fossem tão ruins assim.

Faixas:

1. Frantic - 5:50 (8/10)
2. St. Anger - 7:21 (9/10)
3. Some Kind Of Monster - 8:26 (6/10)
4. Dirty Window - 5:25 (3/10)
5. Invisible Kid - 8:30 (3/10)
6. My World - 5:46 (3/10)
7. Shoot Me Again- 7:10 (5/10)
8. The Unnamed Feeling - 5:27 (4/10)
9. Sweet Amber - 7:10 (6/10)
10. Purify - 5:14 (8/10)
11. All Within My Hands - 8:48 (5/10)

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