A resposta de Prince quando chamavam ele de "novo Jimi Hendrix"
Por Bruce William
Postado em 08 de janeiro de 2026
Se você toca guitarra, vende disco e ainda segura o palco como se fosse um esporte, uma hora alguém vai tentar te encaixar num "clube" com nome pronto. Com Prince, o rótulo recorrente era óbvio: Jimi Hendrix. Só que ele não comprava essa história, e quando perguntaram, não tentou contornar com gentileza.
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Em entrevista à Rolling Stone em 1985, Prince foi direto na ferida: "É só porque ele é negro. É realmente a única coisa que temos em comum."
Ele continuou explicando que o jeito de tocar não era o mesmo e que, se a pessoa prestasse atenção nas músicas dele, ouviria mais Carlos Santana do que Hendrix: "Ele toca guitarra de um jeito diferente do meu. Se eles realmente ouvissem minhas coisas, notariam mais uma influência de [Carlos] Santana do que de Jimi Hendrix. Hendrix tocava mais blues; Santana tocava mais bonito."
Aí vem a parte curiosa: mesmo batendo o pé contra o "novo Hendrix", Prince também parecia cansado do papo de "gênio da guitarra" como se fosse um campeonato de truques. Na mesma conversa, soltou outra que ajuda a entender o incômodo: "Você tem que entender que só dá pra fazer tanta coisa numa guitarra elétrica... Existem apenas tantos sons que uma guitarra consegue fazer. Deus sabe que eu tentei fazer a guitarra soar como algo novo, até pra mim."
Só que - e é aqui que a história ganha camada - a sombra do Hendrix continuava rondando. Anos depois, Prince pegou "Red House" e gravou uma releitura rebatizada de "Purple House", que saiu em 2004 na coletânea Power of Soul: A Tribute to Jimi Hendrix. E há registros de que a base provavelmente foi feita em 1999, em Paisley Park, com Larry Graham no baixo, relata o Diffuser.fm.
No fim, dá pra entender por que a comparação voltava sempre: não era só "tocar bem". Era o jeito de fazer performance virar narrativa - aquela coisa de entrar, tocar como se estivesse valendo alguma coisa e sair deixando a plateia com a sensação de que viu um momento, não só uma música. Isso alimenta mito, e mito sempre procura parentesco.
A moral prática é simples: Prince não queria ser "herdeiro" de ninguém, e falou isso de forma bem clara. Mas Hendrix continuou ali, como referência inevitável do rock - até quando Prince preferia apontar o dedo para outro santo da guitarra (Santana) e mandar o resto do mundo ouvir com mais atenção antes de comparar.
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