Resenha - St. Anger - Metallica

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Por Rafael Carnovale
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Desde 1996, quando o Metallica lançou “LOAD”, quebrando um hiato de cinco anos sem material inédito, cada lançamento da banda tornou-se um poço de expectativas. O mesmo aconteceu com “RELOAD” em 1997 e com “GARAGE INC” e “S&M”. A banda se especializou em deixar os fãs malucos, ansiosos para saber o que este quarteto estaria aprontando. E neste novo cd, que sai após seis anos sem material inédito próprio (tirando as inéditas presentes no cd “S&M”) a situação não foi nada diferente. Talvez até pior.
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Primeiro a banda perdeu o baixista Jason Newsted, que abandonou ou foi abandonado o/do barco por diferenças musicais. Depois, quando ainda se encontravam na fase de composição, o guitarrista/vocalista James Hetfield precisou se afastar para tratar-se de um problema de alcoolismo crônico. E no meio disso tudo a banda ia dando forma a este novo cd. Com o retorno de Hetfield, as coisas começaram a tomar forma e a banda, ainda sem baixista, entrou em estúdio. Após a gravação do cd, que se estendeu por 2002, Robert Trujillo (Suicidal Tendencies, Ozzy Ousborne) foi anunciado como o novo baixista. Agora, “St.Anger” está saindo no mundo todo e fica uma questão: como estaria esse novo Metallica?

A resposta: pesado! Para começar, não há baladas em “St. Anger”. “Frantic” que abre o cd, é uma porrada na cabeça de qualquer fã que ache que a banda se vendeu ao “mainstream”. Riffs pesados, uma bateria muito alta (a produção do cd ficou muito estranha, parecendo que foi gravado em uma garagem, com som abafado e guitarras baixas) mostram que a banda não está para brincadeiras. “St.Anger”, o primeiro single e vídeo-clipe, é um exemplo de como a banda está mudada. Há flertes com o new-metal, guitarras e bateria tipicamente hardcore, e vocais calmos e agressivos ao mesmo tempo. O mesmo acontece em “Some Kind of Monster”, com uma levada super cadenciada e ao mesmo tempo com flertes explícitos com o hardcore, com seus nove minutos de pura pancadaria.

“Dirty Window” começa com a bateria furiosa de Lars Ulrich (faz tempo que ele não tocava desse jeito) e se mostra um hardcore furioso, com Hetfield berrando no vocal, com uma performance bem superior ao fiapo de voz que ele vinha apresentando nos últimos cd’s... uma candidata a melhor do cd. Mas como o Metallica resolveu misturar tudo, no meio aparecem quebras de andamento e momentos mais lentos que lembram muito o new-metal.
Todas as faixas de “St. Anger” na verdade não podem ser definidas em um único estilo, pois a cada momento você pode escutar um trecho veloz, seguido de uma levada mais cadenciada e logo depois um momento mais melódico. “Invisible Kid” é um exemplo disso. A música começa como um típico heavy metal e desemboca no que costumaram chamar de “Stoner Metal” (o som que o Black Sabbath ajudou a criar nos anos 70). “My World” é outra música aonde o “Stoner Metal” se faz presente, com James berrando “It’s My World Now”. Aliás, o Metallica nunca soou tão Black Sabbath quanto nessa faixa. Os fãs mais radicais irão com certeza torcer o nariz para “Shoot me Again”, que mescla elementos de new-metal com stoner e hardcore cadenciado, com vocais cheios de efeitos. Assim como torcerão também para “Sweet Amber”, aonde o Metallica de novo mistura vários elementos musicais e cria uma salada que engloba hardcore, heavy, stoner e new-metal.

O resto do cd segue a mesma tônica, com destaque para a levada super cadenciada de “The Unnmaed Feeling” (uma das mais pesadas por sinal), o hardcore assumidíssimo de “Purify” (quase saído de um cd do Agnostic Front) e os quase 10 minutos de “All Within My Hands”, que soa como um new-metal misturado com thrash metal (os vocais de James, auxiliado pelos grandes backings de Kirk Hammett), criando um grande momento para a banda.

Falar que “St.Anger” é o cd mais pesado da carreira do Metallica é um erro grosseiro, já que ele não pode ser comparado aos demais cd’s da banda, pela diferença de estilos. Mas que é pesadíssimo, brutal e agressivo isso é. Novamente o Metallica dá uma guinada em sua carreira e se re-inventa, pelo menos desta vez com um som bem mais pesado e agressivo. Vale a pena comprar. Mas não é um cd de audição fácil.... você vai precisar ouvi-lo uma dezena de vezes para dizer se gosta ou odeia. Detalhe... há pouquíssimos solos no cd, e arrisco dizer, nenhum solo realmente digno do talento de Kirk. Tudo a favor do peso.

Obs: A primeira tiragem de “St. Anger” vem com um DVD de 81 minutos com a banda completa, incluindo o baixista Rob Trujillo, ensaiando as 11 músicas de “St.Anger”. Ficou muito bem feito, com qualidade de som e imagens impecável, aonde Rob se mostra um monstro na agitação e a banda despeja fúria (ou para os mais radicais, se mostram grandes atores).

Site oficial: http://www.metallica.com
Site fã clube: http://www.metclub.com

Line Up:
James Hetfield – Guitarras,Vocal
Kirk Hammett – Guitarras, Vocal
Robert Trujillo – Baixo (o baixo do cd ficou a cargo do produtor Bob Rock)
Lars Ulrich – Bateria

Lançado pela Universal em junho de 2003.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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