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Resenha - St. Anger - Metallica

Por
Postado em 19 de julho de 2003

Nota: 6 starstarstarstarstarstar

O que "St. Anger" tem de instigante, inusitado e importante – mais à frente veremos o porque -, possui também de mal produzido, pensado e trabalhado. Um álbum que contém vários aspectos que poderiam marcar a redenção do Metallica, mas que foi enlameado pela maneira "nas coxas" como foram realizadas as gravações e toda a produção.

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Foto: Reprodução
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Vamos ao que há de interessante primeiro. Não é verdade que eles voltaram a tocar metal. Contudo, é fato, soa mais pesado que em discos ignóbeis precedentes. Talvez o estilo aquiescido pela banda seja um rock alternativo de certo peso, e isso tem lá sua importância. Mesmo não sendo essencialmente parte de uma vertente, leva o ‘tal’ "heavy" para as rádios, televisões, e cai no gosto do público. Em suma, consegue divulgar um movimento do qual deixou de fazer parte há tempos, a não ser pelo "metal" no princípio de seu nome.

Os músicos seguem bons e agora têm uma adesão popular maior. Não é porque riffs como os de "Frantic" ou "Invisible Kid" são dez vezes mais simples que qualquer coisa feita pelo conjunto nos anos oitenta, que deixa de ter lá seu valor. A faixa título, por exemplo, tem passagens muito boas, compassos bem divididos, em variáveis interessantes, diferentemente daquilo que esperávamos do medíocre Metallica que ‘carregou’ e ‘recarregou’ o saco de todos em meados da década de noventa. O que falar então de "Some Kind Of Monster" e o único solo de guitarra do disco? Algo totalmente fora das perspectivas de qualquer ouvinte. Um experimento de quem tem bagagem para se enveredar por caminhos diferentes.

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O problema é que nada disso é exaltado. A mídia e os próprios membros e apêndices (leia-se Bob Rock) do grupo insistem em falar bobagens como: "queríamos soar crus, sinceros", "o objetivo era pegar a agressividade, o momento". Para isso é necessário ser porcalhão? Nevermore e Anthrax podem provar com vários CDs e shows e responder por mim: NÃO. O próprio Metallica já deu aula nesta matéria. "... And Justice For All" é um belo exemplo.

"St. Anger" seria um disco realmente nota dez...

- Se Bob Rock não existisse.

- Se Robert Trujillo (realmente um grande baixista, "sumkinda monster") tivesse gravado o baixo para o álbum.

- Se houvessem pelo menos alguns solos de guitarra, o que, de sabedoria geral, chegou a ser um intento da banda, mas logo limado por "Bobo Rock".

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- Se as músicas não durassem sempre dois minutos e meio mais do que deveriam.

- Se Lars Ulrich não estivesse tão influenciado pelo rock brasileiro e a língua portuguesa e não resolvesse levar tão a sério a expressão "Vamo Batê Lata" dos Paralamas do Sucesso.

Lançado pela Universal Music – 2003

Site Oficial – http://www.metallica.com

Formação:
James Hetfield (Vocais - Guitarra)
Kirk Hammett (Guitarra)
Roberto Trujillo (Baixo)
Lars Ulrich (Bateria)

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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.
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