DoidiVinas: rockabilly com dose extra de sensualidade

Resenha - Envenenada - DoidiVinas

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Em meio a muitas fórmulas repetidas, novas iniciativas são sempre bem-vindas ao rock n' roll. Na ativa desde 2009, o trio feminino por trás do nome DOIDIVINAS coloca nas lojas o seu primeiro álbum, intitulado "Envenenada". O álbum, lançado pelo selo Discobertas, reconstrói o rockabilly dos anos setenta de maneira bastante peculiar - com uma dose extra de ironia e sensualidade.

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Na formação do DOIDIVINAS estão Luciana Morozini (baixo) e Helga Balbi (bateria), além da líder Flávia Couri (AUTORAMAS) (vocal e guitarra). "Envenenada", que batiza o primeiro registro da banda, empresta o nome também à primeira composição que inseriu grupo carioca no cenário nacional: o videoclipe da música estreou em julho de 2009 na MTV Brasil. De lá para cá, o DOIDIVINAS tem se apresentado nos principais palcos da capital carioca, como o Citibank Hall, e em São Paulo. A ascensão surpreendente das garotas necessitava, realmente, se consolidar através do primeiro CD.

"Envenenada" - o álbum - traz um pouco de todas as principais influências da banda, que vão do punk ao rock psicodélico. No entanto, a banda consolida em todas as suas dez composições o melhor do rockbilly dos anos setenta, sem abrir mão, entretanto, de uma sonoridade moderna e de letras sobre relações verdadeiramente contemporâneas. Em muitos momentos, o estilo mais pesado do trio carioca poderá lembrar os suecos do THE HELLACOPTERS ou os gaúchos da CACHORRO GRANDE, sobretudo pela semelhança das bases de guitarra.

De qualquer forma, as garotas não se baseiam somente em nomes consagrados do rock n' roll. Há muitas (e ótimas) características particulares no som do DOIDIVINAS. "Envenenada", a faixa-título, tem um clima à lá música de cabaret country americano, com direito a melodias doces e letras, com o perdão da repetição, envenenadas. "Paredes Frias", por outro lado, se não fosse a voz feminina de Flávia Couri, poderia ser incluída tranquilidade na discografia da banda sueca citada anteriormente.

O resultado satisfatório de "Envenenada" se deve, primordialmente, à qualidade de gravação atingida nesse primeiro álbum. Além disso, o trio conseguiu formatar um repertório com músicas dançantes, de ótimas estruturas e com refrões marcantes. Esse é o caso de "Apocalíptica", que não perde o espírito rock n' roll do restante do álbum. Em outra perspectiva, "Odes & Lamentos" evidencia, pela primeira vez no registro, a pegada mais punk rock da banda.

O mesmo espírito cabaret presente na abertura do CD - e que se repete em "Novelinha Devassa" - volta com força em "Country", com direito a passagens de banjo. A já citada voz doce de Flávia Couri não só funciona perfeitamente para o estilo da música, como ainda faz desse tipo de composição o que a banda tem de mais original para oferecer ao público. "Obsessão" e "A Morte do Louva-Deus", através de um outro caminho, mostram que o DOIDIVINAS é igualmente capaz de compor faixas mais diretas, pesadas e certeiras.

"Envenenadas", sem dúvida, é um disco muito acima da média entre os lançamentos brasileiros de rock n' roll. Com arranjos maduros e de muito bom gosto, é surpreendente constatar que o DOIDIVINAS tem tão pouco tempo de estrada. De qualquer forma, a banda tem um longo caminho a seguir - que inclui shows e, quem sabe, um novo disco para o ano que vem. Além do mais, um registro com apenas (exatos 27 minutos) é pouco para uma banda que pode muito mais.

Site: http://www.doidivinas.com

Track-list:

01. Envenenada
02. Paredes Frias
03. Apocalíptica
04. Novelinha Devassa
05. Odes & Lamentos
06. Country
07. Vida de Cachorro Abandonado
08. Obsessão
09. A Morte do Louva-Deus
10. Meu Novo Vício



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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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