O almoço que mudou tudo para o Black Sabbath; "Todo mundo pirou"
Por Bruce William
Postado em 18 de junho de 2025
Ninguém no Black Sabbath esperava que o primeiro disco fosse tão longe. O som soturno, arrastado e pesado era visto como um risco para a gravadora, que apostou na banda quase por teimosia. Mas assim que o álbum chegou às prateleiras, o público abraçou aqueles riffs sombrios como se fosse o desabafo que faltava para uma geração sufocada por empregos sem futuro e a ressaca de uma guerra ainda recente.
O estouro foi tão rápido que, em questão de meses, os empresários deram o recado: era hora de voltar ao estúdio e entregar outro disco. Sem tempo para perder, o quarteto se trancou com o produtor Rodger Bain para gravar o que viria a ser "Paranoid", álbum que, àquela altura, ainda se chamaria "War Pigs", nome de uma das faixas já testadas nos palcos.
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Segundo Bill Ward, baterista da formação clássica, a pressão não poderia engolir o que a banda tinha de melhor: a energia de palco. O primeiro álbum tinha sido gravado praticamente ao vivo em apenas oito horas, um fator essencial para o peso cru que encantou os fãs. Para o segundo, a meta era repetir a pegada: "Você tem que lembrar: era uma banda muito boa ao vivo entrando no estúdio para o Paranoid", explicou Ward, em fala replicada na Far Out. "A gente queria trazer nossa agressividade e dinâmica de palco para dentro do estúdio, e acho que conseguimos, em grande parte".
A maioria das músicas já estava pronta graças às turnês pela Europa. Mas quando tudo foi finalizado, sobraram exatos três minutos na fita. O produtor então insistiu para que eles tentassem criar algo mais comercial. Relutantes, mas sem muita escolha, os caras toparam rabiscar uma ideia durante a pausa para o almoço.
E foi aí que Tony Iommi, num lampejo entre uma garfada e outra, criou o riff que viraria história. "Rodger Bain sugeriu que fizéssemos uma música comercial. A gente não queria, mas ele disse: 'Vejam o que conseguem criar'. Fomos almoçar, voltamos e o Tony tinha o riff", contou Ward. "Eu sentei na bateria, o Ozzy foi para o microfone, o Geezer pegou o baixo e começamos a tocar. O que está no disco saiu de uns 25 minutos de trabalho! Só colocamos o solo do Tony no dia seguinte. Eu não conseguia acreditar no que aconteceu: todo mundo pirou com essa música."
O tal improviso virou não só faixa, mas título do disco. Hoje, "Paranoid" é uma das músicas mais reconhecíveis do Sabbath, e prova de que, às vezes, o maior clássico de uma banda pode nascer no tempo de um almoço apressado.
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