Você pode não conhecer o Vigilhunter, mas não deixe de ler esta resenha
Resenha - Vigilhunter - Vigilhunter
Por André Luiz Paiz
Postado em 19 de junho de 2025
Lançado em 2025 pela High Roller Records, o álbum homônimo do Vigilhunter é um daqueles casos raros em que um disco surge praticamente do nada e, de forma merecida, vai parar direto nas listas de melhores do ano. Com uma sonoridade que revive o metal oitentista sem cair na armadilha da cópia barata, a banda italiana entrega um trabalho inspirado, coeso e absolutamente contagiante. É puro heavy/power metal no espírito de "The Warning" (Queensryche), com uma execução tão precisa que impressiona mesmo os fãs mais exigentes do estilo.
A formação traz músicos de respeito. O vocalista e guitarrista Alexx Panza (Hitten, Jack Starr’s Burning Starr) lidera o time com carisma e muita técnica. Panza não apenas canta — e canta muito — como também assina as guitarras solo e base com autoridade. Seu domínio do instrumento dita o ritmo com riffs incansáveis, solos bem construídos e timbres que soam clássicos e modernos ao mesmo tempo. Ao seu lado estão Mattia Itala (guitarra solo e base), Mirko Negrino (baixo) e Marcelo "Cell" Leocani (bateria), que completam a formação com uma pegada cirúrgica e feeling na medida. O entrosamento entre eles é evidente.
"Disconnected" abre o álbum com energia nas alturas — riff cavalgado, melodia marcante e refrão grudento. É daquelas que gruda no cérebro e crava sua identidade logo de cara, com refrão poderoso e solo na medida certa — daqueles que Geoff Tate assinaria com orgulho em tempos áureos. A sequência, com "Titan Glory" e "Shadow Rider", mantém o ritmo acelerado e poderoso. Ambas são verdadeiras injeções de adrenalina, recheadas de harmonias gêmeas, passagens quebradas e vocais que alternam entre agressividade e teatralidade.
O disco é recheado de momentos de brilho instrumental. Os solos não estão ali apenas por obrigação: cada frase tem propósito, cada harmonia adiciona algo ao clímax das faixas. Panza brilha com justiça, mas o baixo pulsante de Negrino e a bateria técnica e criativa de Leocani também merecem destaque. O trabalho de produção é cristalino, equilibrando potência e clareza sem sacrificar a pegada orgânica das gravações. Tudo soa como deveria soar: pesado, limpo e intenso.
Entre os destaques emocionais está a balada "Sacrifice For Love", que surge quase como um respiro em meio à pancadaria. Melancólica, climática e extremamente bem construída, mostra que o grupo também sabe entregar emoção sem exageros, com melodias tocantes e solos cheios de sentimento.
Para quem busca peso, "Outburst Of Rage" é um verdadeiro soco na cara — riffs thrashy, vocais cuspidos com raiva e uma seção rítmica que esmurra sem dó. A intensidade lembra o lado mais agressivo de "Digital Dictator" (Vicious Rumors), com uma pegada atual. "Curse of the Street" e "The Downfall" também mantêm o padrão elevado, seja no peso, na construção épica ou no apelo emocional. "So Cold… It Burns" mescla trechos suaves e explosões metálicas, expandindo ainda mais o leque de influências do grupo.
É impossível ignorar que há ecos evidentes de bandas como Queensryche, Fates Warning e Vicious Rumors, mas o mérito do Vigilhunter está justamente em usar essas referências como fundação — e não como muleta. O disco soa nostálgico, sim, mas também urgente, atual e, principalmente, autêntico. Os fãs brasileiros certamente notarão ecos do Dr. Sin nos arranjos e no virtuosismo instrumental. Não é exagero dizer que este álbum dialoga diretamente com os melhores momentos do metal progressivo e power metal americano da década de 80.
"Vigilhunter" não é um álbum qualquer. É uma estreia surpreendente, cheia de paixão, competência e alma. Um trabalho que respeita o passado, mas mira no presente e no futuro com confiança e maturidade. Dê uma chance a este disco — você pode muito bem terminar a audição da mesma forma que muitos de nós: apertando o play novamente, com um sorriso de orelha a orelha e uma nova banda favorita na lista.
Tracklist:
1. Loading...Error 403
2. Disconnected
3. Titan Glory
4. Shadow Rider (Vigilante)
5. Curse of the Street
6. Sacrifice For Love
7. So Cold...It Burns
8. Outburst of Rage
9. The Downfall
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O maior guitarrista da história para Bruce Springsteen; "um gigante para todos os tempos"
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Ricardo Confessori compara Angra e Shaman: "A gente nunca tinha visto entrar dinheiro assim"
Regis Tadeu revela por que Guns N' Roses tocou no Maranhão
A música que resume o que é o Red Hot Chili Peppers, de acordo com Flea
Derrick Green diz que Eloy Casagrande não avisou ao Sepultura sobre teste no Slipknot
Baterista do Megadeth ouve Raimundos pela primeira vez e toca "Eu Quero Ver o Oco"
Dream Theater - uma noite carregada de técnica e sentimento em Porto Alegre
Aerosmith presta homenagem ao produtor Jack Douglas
Turnê sul-americana do Drowning Pool é cancelada por conta da baixa venda de ingressos
Alirio Netto prestigia show do Dream Theater e tira fotos com integrantes da banda
Luis Mariutti participará de show que Angra fará em celebração a "Holy Land"
As 20 melhores músicas do Iron Maiden segundo o WatchMojo.com
Jason Newsted está ansioso pela temporada do Metallica no The Sphere
10 bandas de rock que já deveriam ter se aposentado, segundo o Guitars & Hearts

Biohazard fez a espera de treze anos valer a pena ao retornar com "Divided We Fall"
Stryper celebra o natal e suas quatro décadas com "The Greatest Gift of All"
Kreator - triunfo e lealdade inabalável ao Metal
"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon


