A banda de hard rock oitentista que foi salva pelo grunge
Por Bruce William
Postado em 19 de junho de 2025
No fim dos anos oitenta, era difícil encontrar uma banda americana de rock que não apostasse em refrões melosos, penteados exagerados e videoclipes que passavam o dia todo na programação da TV. Para quem estava no topo, sobrava pouco tempo para respirar - shows, entrevistas, quartos de hotel iguais em cidades diferentes e uma rotina que, cedo ou tarde, cobrava a conta.
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Depois de dominar as paradas com baladas gigantes e riffs polidos, o Heart, comandado pelas irmãs Ann e Nancy Wilson, entrou numa fase de exaustão. Uma noite de tédio depois de um show virou confusão: bar do hotel arrombado, jukebox no talo, garrafas espalhadas, carpete dentro da piscina e até um cortador de grama que foi parar debaixo d’água. No dia seguinte, escolta para fora da cidade e mais uma história para a lista de exageros da estrada.

Mas o maior baque não veio dessa noite caótica, e sim quando a febre do hard rock engomadinho perdeu espaço para guitarras sujas, camisas de flanela e uma atitude que olhava torto para tudo que parecesse fabricado demais. De uma hora para outra, aquele som que garantiu fortuna e fãs virou fardo para o Heart. "Viemos embora dos anos 80 de rabo entre as pernas", lembrou Nancy em conversa com a Classic Rock.
Foi de volta a Seattle que veio a surpresa. Justamente o grunge, que jogou tantos hits para escanteio, recebeu as irmãs de braços abertos. "Eu não acreditava quando voltei pra Seattle e o Jerry Cantrell [Alice In Chains] veio me perguntar como eu tocava o começo de 'Mistral Wind'", contou Nancy. "Ali percebi que ainda éramos parte daquela comunidade, maior do que imaginávamos."
Com essa ponte de volta ao lar, o figurino exagerado ficou de lado, e o Heart voltou a respirar com shows intimistas, voz crua e violões. Nascia o "Lovemongers", projeto paralelo que devolveu às irmãs Wilson a essência que parecia ter sumido na correria do sucesso global. Como Ann resumiu depois: "Foi um momento de cura musical. Tiramos os espartilhos, as unhas postiças, e voltamos a andar com nossos próprios sapatos."
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