A primeira banda prog que deixou Phil Collins de queixo caído; "Nada igual na época"
Por Bruce William
Postado em 18 de junho de 2025
Quem só conhece Phil Collins pelo visual engomado dos clipes de "Take Me Home" ou "Invisible Touch" pode esquecer que, antes de tudo, ele era um baterista de mão cheia, com faro pra sons ousados e uma queda por complexidade rítmica que poucos tinham nos anos 70.
Nos tempos em que ainda era apenas mais um garoto londrino atrás de uma chance, Collins topava qualquer oportunidade para aprender. Em 1970, aos 19 anos, conseguiu tocar percussão em "All Things Must Pass", de George Harrison - ainda que, para sua decepção, sua parte tenha sido cortada da versão final. No mesmo ano, respondeu a um anúncio da Melody Maker procurando um baterista para uma banda promissora chamada Genesis.

Phil gostava do que ouvia do Genesis, mas, se fosse para apontar quem realmente mexeu com sua cabeça naquele momento, o nome era outro: King Crimson. Em entrevista à Prog Magazine, ele não poupou elogios: "Eles eram absolutamente fenomenais. Nada igual na época. Isso antes mesmo de chamarem aquilo de 'rock progressivo', mas já era claro que faziam algo totalmente novo e impressionante. E enquanto todo mundo usava capa e se exibindo, o [Robert Fripp] estava lá, de terno, sentado num banquinho."
Com o tempo, Fripp também passou a admirar o trabalho de Collins, que ajudou a elevar o Genesis e ainda colaborou com nomes como Peter Banks, John Martyn, Brian Eno e a banda de jazz Brand X. A admiração mútua rendeu frutos em 1979, quando Fripp chamou Collins para gravar duas faixas de seu primeiro disco solo, "Exposure". Para Phil, a experiência foi tão intensa quanto reveladora: "Robert não trabalha como ninguém. É muito professoral, focado, sem enrolação. Mas é uma pessoa calorosa também. E ouvindo hoje 'North Star', acho que é uma das músicas mais bonitas que já toquei."
Conforme relembra a Far Out, hoje, tanto Collins, aos 74, quanto Fripp, aos 79, enfrentam problemas sérios de saúde, e ele ainda sofre com as sequelas de uma lesão na coluna que o afastou da bateria, enquanto Fripp se recupera de um infarto recente. Ainda assim, para quem testemunhou o impacto que King Crimson causou naquele jovem baterista, fica fácil entender porque Phil Collins jamais foi "apenas" um astro pop - muito menos um músico quadrado.
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