Absolva cresce com um disco potente, ainda que pouco original
Resenha - Justice - Absolva
Por André Luiz Paiz
Postado em 19 de junho de 2025
A banda britânica Absolva, formada em Manchester em 2012, vem aos poucos conquistando seu espaço na cena do metal europeu e agora mundial. Conhecidos por sua intensa agenda de turnês, forte presença de palco e um som que mistura heavy metal tradicional com uma pegada moderna e melódica, o quarteto chega ao seu sétimo álbum de estúdio com "Justice", um trabalho que confirma sua evolução sem abrir mão de suas raízes.
Produção e convidados especiais
Produzido pelo próprio Christopher Appleton e masterizado por Ade Emsley, Justice conta com participações de peso que evidenciam o crescimento do Absolva na cena internacional. Entre os convidados estão Blaze Bayley (ex-Iron Maiden), Stu Block (ex-Iced Earth), David Marcelis (Lord Volture, Thorium) e Ronnie Romero (Rainbow, MSG, The Ferrymen).
A produção é limpa, potente e moderna, sem perder aquele charme orgânico dos discos de metal clássico. O som é nítido, com as guitarras sempre à frente e uma cozinha que sustenta tudo com muita segurança.
Destaque para Christopher Appleton
É impossível falar de Justice sem mencionar o desempenho vocal de Christopher Appleton, que cresceu muito nos últimos trabalhos. Seu timbre lembra bastante Andi Deris (Helloween), com uma mistura de agressividade controlada e melodia certeira. Ele conduz as faixas com personalidade, mesmo quando divide espaço com os vocalistas convidados.
As músicas e a (questionável) ordem do tracklist
Se existe uma crítica mais direta ao álbum, é sobre a ordem das faixas, que parece mal calculada. O disco só empolga de verdade a partir da terceira música, com a excelente "Against The Odds Of Time", onde Stu Block entrega uma performance vocal impressionante, cheia de variações e potência.
A abertura com "Freedom & Glory" (feat. David Marcelis) é boa, mas talvez não tenha o impacto necessário para fisgar o ouvinte logo de cara. A segunda faixa, "The Thrill of the Chase", também soa morna quando comparada ao que vem depois.
"Hero In Your Life" merece menção especial: com um dos melhores refrãos do álbum, é uma daquelas músicas feitas sob medida para os fãs mais empolgados nos shows, com direito a coros e um andamento rápido que beira o power metal.
A faixa-título, "Justice", é um verdadeiro hino para os bangers de plantão. Riff acelerado, bateria pulsante e uma clara influência de Judas Priest, a canção funciona como um convite para o headbanging.
"Find My Identity", com os vocais poderosos de Ronnie Romero, é sem dúvida um dos pontos altos do álbum. O equilíbrio entre o peso instrumental e a interpretação carregada de emoção faz dessa música um destaque absoluto.
"The City Is Burning" traz as guitarras ainda mais à frente, com riffs cortantes e uma construção que lembra bastante a fase Blaze Bayley no Iron Maiden, principalmente nas cadências vocais e nas linhas de guitarra.
"Atlas (War Between the Gods)", com Blaze Bayley, é uma faixa mais atmosférica e densa, quebrando um pouco o ritmo antes da reta final.
"Left Behind" chega com cara de mini-épico, preparando o terreno para o encerramento com chave de ouro: "Street Fighters of Blackford Bridge". Aqui, o Absolva entrega uma das melhores músicas do disco, com linhas de guitarra que homenageiam descaradamente a Iron Maiden, mas com uma pegada própria que dá ao final do álbum um ar triunfal.
Considerações finais
"Justice" é um álbum que flui bem, tem ótima produção e deixa claro o amadurecimento da banda, tanto em termos de composição quanto de execução. As participações especiais agregam valor e ajudam a dar variedade ao tracklist.
O maior defeito? A falta de originalidade. As referências a bandas como Iron Maiden, Judas Priest e Helloween são evidentes, mas isso não chega a prejudicar a experiência, principalmente para quem é fã do estilo. Mas, estando em seu sétimo disco, talvez já esteja passando da hora de tentar algo fora da caixinha com uma pitada extra de ousadia.
Se você gosta de heavy metal tradicional com energia moderna, com refrões cativantes, guitarras afiadas e vocais empolgantes, pode ouvir sem medo. Absolva entrega metal de qualidade, feito por quem respira o gênero.
Formação atual:
Christopher Appleton – Vocal e guitarra
Luke Appleton – Guitarra solo e backing vocals
Karl Schramm – Baixo (sua participação final antes de deixar a banda)
Martin McNee – Bateria
Track Listing
1. Freedom & Glory (feat. David Marcelis)
2. The Thrill of The Chase
3. Against The Odds Of Time (feat. Stu Block)
4. Hero In Your Life
5. Justice (feat. David Marcelis)
6. Find My Identity (feat. Ronnie Romero)
7. The City Is Burning
8. Atlas (war between the gods) (feat. Blaze Bayley)
9. Left Behind
10. Street Fighters of Blackford Bridge
Data de lançamento: 16 de maio de 2025
Gravadora: Rocksector Records
Produção: Christopher Appleton
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
Twisted Sister faz primeiro show com Sebastian Bach nos vocais
O disco em que Ritchie Blackmore encontrou o Rainbow que queria fazer
O dia que James Hetfield quis saber mais sobre a guitarra do Nightwish
A música do Metallica que fez James Hetfield perceber que a banda havia virado profissional
As 5 bandas que Slash detonou, incluindo duas onde ele mesmo tocou
A banda que foi um fiasco abrindo para o Van Halen, mas Eddie achava genial
5 riffs do metal nacional que valem mais que disco gringo inteiro dos anos 1980
Bruce Dickinson alfineta Trump durante show do Iron Maiden no Canadá
Brann Dailor explica título do novo álbum do Mastodon, "Marrow Deep"
A música estranha de John Deacon que o Queen quase rejeitou e acabou virando seu maior single
A melhor cantora de metal de todos os tempos, segundo Emppu Vuorinen
A música do AC/DC que Angus Young considera melhor que "Satisfaction"
O hit que transformou Phil Collins em saco de pancadas: "Eu não merecia isso"
Mike Portnoy coloca novo álbum do Mastodon como candidato a melhor disco de 2026

Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão


