Em 21/01/2005 | Resenha - Angra (DirecTV, São Paulo, 21/01/05)

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Resenha - Angra (DirecTV, São Paulo, 21/01/05)


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A boa repercussão mundial do Temple of Shadows possibilitou ao Angra uma grande turnê pela Europa e pela Ásia que deve durar alguns meses. Mas antes do embarque, os paulistanos reservaram algumas datas na agenda para shows de despedida do público brasileiro, e a cidade de São Paulo recebeu o Angra no último dia 21/01, uma sexta-feira.

Para quem não conhece a maior cidade da América do Sul, sexta-feira é um dia infernal, especialmente quando chove na cidade: o trânsito caótico por natureza, fica ainda pior. Não é de se estranhar portanto, que grande parte do público tenha chegado quase em cima da hora (o show estava marcado para as 22hs). Pelo menos o DirecTV está localizado em uma região da cidade muito mais acessível do que um Credicard Hall.

O fato da casa de shows também ser um lugar bem menor do que o Via Funchal colaborou para um clima mais caseiro na apresentação e, de certa forma, os integrantes do Angra pareciam bem mais à vontade, sem a mesma pressão do primeiro show de divulgação do Temple of Shadows em terras paulistanas há dois meses.

A grande expectativa para o público era o setlist. Grande parte das pessoas ali presentes assistiu também ao show anterior e se perguntavam se a banda traria as mesmas músicas da última apresentação ou se teríamos novidades.

Pontualmente às 21hs, os paulistas do Eyes of Shiva subiram ao palco e mandaram um set de mais ou menos 40 min. A banda faz um som com fortes raízes no progressivo, às vezes lembrando Symphony X, outra vezes o próprio Angra da época do Holy Land. Os destaques vão para a música Psychos of the New Millenium e para a presença de palco do vocalista André Ferrari, sempre se movimentando bastante e dono de uma bela voz. Eles fecharam a apresentação com o cover de Aces High do Iron Maiden em uma versão que dividiu opiniões, especialmente da galera mais ao fundo do DirecTV – isso sem contar aquela tradicional molecada que ficou de braços cruzados e parecia não conhecer o hino. Mas a banda parece ter um futuro promissor pois o primeiro CD, Eyes of Soul, foi produzido por ninguém menos que o alemão Dennis Ward, produtor reconhecido que já trabalhou com o Angra, além do Pink Cream 69 (onde também é baixista). É esperar para ver.

As cortinas se fecharam e começou a maratona de troca de equipamentos para um dos últimos shows do Angra em terras brasileiras antes da turnê européia e asiática. Enquanto isso, os PAs da casa tocavam Dream Theater à exaustão. Será alguma coincidência com a nova fase progressiva dos paulistanos? Eu acho que não. É verdade que o Angra sempre trouxe muitos elementos do Metal Progressivo para sua música, mas no último trabalho essas influências estão mais claras e mostram um caminho que a banda deve adotar para os próximos trabalhos também.

Uma espera de cerca de 30 min e quem esperava pela introdução Gate XIII / Deus Le Volt teve um susto quando a famosa trilha sonora do Jaspion (a música do Gigante Guerreiro Daileon – Heavy Metal também é cultura nipônica) começou a tocar no último volume. Com certeza uma brincadeira da banda para animar os fãs – pelo menos os poucos que conheciam o seriado japonês enquanto a molecada mais jovem preferia dançar como se estivesse em uma danceteria sem entender muito bem o que estava acontecendo - e criou o clima perfeito, agora sim, para a longa introdução do novo álbum.

O belo pano de fundo mostrando o anjo pensativo cercado pelo disco solar aparece no fundo do palco e Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquilles “polvo” Priester entraram com Spread Your Fire, uma das músicas mais rápidas do Temple of Shadows. O som nesse começo estava bem embolado, com a voz de Edu sumindo com certa freqüência e a guitarra de Kiko quase inaudível, mas, seguindo a tradição, o problema foi corrigido aos poucos durante o show.

Exatamente como no show anterior, a banda emendou sem perder tempo Waiting Silence, na minha opinião, a melhor música do novo álbum. Conheço algumas pessoas que não acreditavam no potencial de Edu ao vivo para esta música, mas todos se surpreenderam com sua performance – o cara está cantando muito!

Acid Rain, o clássico do álbum Rebirth, apareceu em seguida para o delírio dos fãs e abriu terreno para Nothing to Say, uma daquelas músicas que não podem faltar em um show do Angra. Como aconteceu há dois meses, eu reforço o comentário da belíssima voz de Edu nesta composição. Honestamente, não tenho mais saudades do Andre Matos e isso ficou muito evidente na próxima música, mais uma “imortal” da carreira da banda tocada de forma impecável: Carolina IV e sua famosa introdução bem brasileira com vários instrumentos de percussão no palco tocados por Kiko, Rafael, Felipe e Edu.

Até este momento, o show era exatamente igual ao anterior, com exceção dos efeitos pirotécnicos que não deram as caras desta vez, infelizmente. Comecei a me perguntar se a banda iria seguir este caminho mesmo, sem nenhuma surpresa ao público paulistano.

Minha dúvida foi rapidamente sanada quando começaram a belíssima No Pain for the Dead. Mais tarde, Edu explicou que foi a primeira vez em que o Angra tocou esta música na atual turnê. Primeira de muitas, acredito, pois a composição funciona muito bem ao vivo. As partes da vocalista Sabine Edelsbacher (do Edenbridge) viraram play-back, mas isso não afetou a qualidade da versão ao vivo.

De volta ao set anterior, a banda manda Angels and Demons, faixa que lembra bastante o Angra da antiga formação, mais uma pitada progressiva.

Uma pequena pausa e Edu dedica a próxima composição aos soldados do exército brasileiro, raramente lembrados pela imprensa. Wishing Well fez uma bela homenagem aos combatentes e contou com uma boa participação do público. Essa música, aliás, também se destaca como uma das faixas mais bonitas do Temple of Shadows.

Saudades do Rebirth? Então lá vai: a banda mandou a versão original (muito melhor que a acústica) de Millennium Sun em mais um momento de grande participação do público e mais uma mudança no set-list já que no Via Funchal eles tocaram apenas a versão acústica.

As surpresas não paravam e a banda emendou sem perder tempo a ótima Late Redemption, infelizmente sem a participação do Milton Nascimento ao vivo. Já pensou se o Miltão resolvesse subir no palco para cantar com o Angra? Seria um momento histórico. Quem fez as vozes de Milton foi Rafael Bittencourt, que aliás o fez com muita competência e essa deve ser outra música a permanecer por bastante tempo nos shows da banda dada a receptividade de todos. Ótima composição.

Mais um momento Rebirth com Heroes of Sand e a própria Rebirth (esta última também em sua versão original, nada de acústico como na última vez). Este foi o momento morno do show e, particularmente, acredito que a banda deveria trocar Heroes of Sand pela maravilhosa Running Alone, mas gosto é gosto.

De volta ao novo trabalho, a música do cavaleiro das cruzadas – The Shadow Hunter, deu as caras e foi outra bem recebida. Essa é uma daquelas composições que citei lá em cima com fortes raízes no Metal progressivo.

Outro clássico imortal do Heavy Metal melódico veio a seguir – Angels Cry, a música título do primeiro trabalho da banda e certamente uma das melhores músicas nos mais de dez anos de carreira do Angra. Outro trabalho excepcional de Edu que conseguiu impor sua própria voz e seus limites sem mudar a qualidade da composição. Simplesmente perfeita.

Para finalizar esta primeira parte, o Angra fechou com Temple of Hate, a música mais pesada do Temple of Shadows e, cuja versão original, conta com a participação do mestre Kai Hansen, aliás esta composição é Gamma Ray puro e ganha uma força incrível nos shows. Tomara que na turnê européia a banda tenha a oportunidade de tocar Temple of Hate com a participação do próprio Kai Hansen mesmo em algum show.

A banda agradeceu e saiu do palco para o previsível (será?) bis.

Carry On e Nova Era (com suas respectivas introduções) fecharam o set com chave de ouro. A primeira música é um dos grandes hinos do Metal brasileiro e mundial, não tenho muito o que falar, especialmente porque Edu dominou suas linhas e evoluiu bastante a voz da turnê do Rebirth para esta. E a segunda porque é o grande símbolo do renascimento do Angra após toda a confusão com a saída de Matos, Mariutti e Confessori e a chegada dos novos integrantes. Todo o público agitou demais nesse encerramento e banda foi ovacionada por minutos sem parar. Mas espera aí, encerramento?

Eu já li em outras resenhas que o Angra tocou Rainning Blood do Slayer (no primeiro show em São Paulo eles só tocaram o comecinho instrumental), mas ninguém estava preparado par

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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