O que Legião Urbana fazia diferente dos Mamonas Assassinas segundo irmã de Renato Russo?
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de abril de 2025
Durante entrevista ao Afterpodcast, Carmen Manfredini, irmã de Renato Russo, falou sobre os bastidores da Legião Urbana, relembrando detalhes das turnês da banda e traçando comparações com outros fenômenos da música nacional. Segundo ela, uma das grandes diferenças entre a Legião e grupos como os Mamonas Assassinas estava na forma de encarar a rotina de shows.
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"A Legião não era uma banda que fazia quinta, sexta, sábado, domingo... Tipo 30 shows num mês, como os Mamonas faziam", afirmou Carmen. "Isso foi até uma política do meu irmão. Eles ganharam dinheiro, mas não foi aquela coisa espetacular."
A irmã do vocalista explicou que o grupo preferia manter uma agenda mais controlada, priorizando a qualidade das apresentações e a saúde dos integrantes. "Eles estavam no auge, eram a maior banda do rock nacional naquela época. Se fosse hoje, estariam milionários com os cachês que existem por aí. Mas naquela época era diferente."
Carmen também contou que acompanhou diversas turnês da banda, viajando nos fins de semana para assistir aos shows. "Eu dava aula de segunda a sexta. Na sexta à noite eu fazia minha malinha e ia para o aeroporto. Assistia ao show no sábado e voltava no domingo", lembrou.
O cuidado com a logística se refletia também nos bastidores. Segundo ela, Renato Russo não era um artista exigente em camarins. "Ele evitava álcool, gostava de frutas, sanduíches naturais, leite e vitaminas. Nada de exigências extravagantes, como toalhas brancas ou listas absurdas. Era tudo muito simples."
A fala de Carmen mostra um lado mais reservado e disciplinado da Legião Urbana, contrastando com o estilo irreverente e intenso dos Mamonas. Segundo ela, essa diferença de ritmo era deliberada – e fazia parte do modo como Renato Russo enxergava sua carreira. "Eles nunca quiseram transformar a banda numa fábrica de shows. Era arte antes de tudo."
Confira a entrevista completa abaixo.
Renato Russo e Mamonas Assassinas
Renato Russo admirava a vitalidade dos Mamonas Assassinas, revelou o jornalista Arthur Dapieve no livro "Renato Russo – O Trovador Solitário". Segundo o autor, o vocalista da Legião Urbana ficou profundamente comovido com a morte dos integrantes da banda em 1996.
"Os Mamonas não eram inseguros como nós. Eram cheios de vida, queriam fazer bagunça mesmo", teria dito Renato, que publicou um anúncio nos jornais se despedindo dos colegas de gravadora: "Adeus, Mamonas, um abraço sincero da Legião".
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