Resenha - Rock In Rio III - 21/01 (Rio de Janeiro, 21/01/2001)

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Por Pedro Fraga Bomfim
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Andando por fora da Cidade do Rock, já dava para perceber que este último dia seria como o previsto: lotação esgotada. E foi. Mais de 240 mil pessoas circulavam dentro dos 250 mil metros quadrados do descampado de Jacarépaguá, recorde de público nessa terceira edição.

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Diesel

O Palco Mundo contou com a abertura da banda Diesel, vencedora da Escalada do Rock, concurso que colocaria as oito bandas classificadas para tocar no festival, sendo que o primeiro colocado teria direito a um espaço no Palco Mundo e as outras na Tenda Brasil.

Com 125 mil pessoas presentes, a competente banda mineira teve sua chance de despontar para o sucesso parcialmente queimada pela confusão ocorrida na entrada da Cidade do Rock, que levou ao cancelamento do show após três músicas (composições próprias e em inglês) que somaram pouco mais de 15 minutos de show. Aparentemente a direção do festival preferiu interromper a apresentação para diminuir a ansiedade do público que se aglomerava para entrar no único dia de lotação esgotada do festival.

O Surto

A segunda banda da noite era O Surto. Só pode ter sido jogada de gravadora ... Diversos outros artistas poderiam ter ocupado com muito mais competência este lugar, porém ficaram reduzidos ao Palco Brasil: Plebe Rude, Pepeu e Armandinho, Arnaldo Antunes, entre outros.

O Surto mostrou não poder ser apresentação do palco principal, não ter set list nem experiência de palco para tal: tocar cover de Raimundos (Eu Quero Ver O Ôco), Charlie Brown Jr.(Tudo Que Ela Gosta de Escutar), Plebe Rude (Até Quando Esperar) uma versão horrorosa de Californication ("Triste Mas Eu Não Me Queixo"), Ramones (Cretin Hop) e DUAS vezes o seu maior "sucesso", A Cera (aquela "pirou no cabeção"), prova que o seu lugar, no máximo, era lá na outra tenda. Um desperdício de tempo que poderia ser melhor aproveitado, por exemplo, pela banda Diesel. Verdade seja dita, curiosamente o público (ou pelo menos parte dele) aparentemente gostou da apresentação da banda.

Deftones

Os Deftones surgem no palco, com algum atraso, tocando para uma boa quantidade de fãs de "alterna-metal". Poderia ter sido um bom show, mas a banda não é grande conhecida do público e se sai melhor nos seus ótimos e super produzidos clipes. Mas para quem saiu de outras cidades para ver a apresentação, com certeza, deu pra lavar a alma com Feiticeira (é, inspirada na nossa Joana Prado mesmo), Head Up, Change, Around The Fur, Engine 9, Summer e a cover para Say It Ain't So do Weezer.

Capital Inicial

Antes das duas apresentações principais, o Capital Inicial surpreendeu fazendo o que foi, talvez, o melhor show da noite. Com repertório bastante parecido com o Acústico, Dinho e banda (reforçados por Kiko Zambianchi, autor do hit Primeiros Erros e Marcelo Sussekind, guitarrista do jurássico Herva Doce) fizeram todo o público cantar as músicas, provando que certas bandas nacionais deveriam sim, ter um destaque maior na programação.

O show contou com Natasha, Música Urbana, Independência, O Mundo, Tudo Que Vai, Todas As Noites, Primeiros Erros, Fátima, Veraneio Vascaína, Que País É Esse (Legião Urbana, óbvio) e O Passageiro (versão de The Passenger do Iggy Pop). Dificilmente poderia esperar-se melhor show, tanto por parte da banda como por parte do público. Definitivamente o Rock In Rio III, salvo raras excessões, mostrou que não há banda "nova" que rivalize com os clássicos da melhor época do rock nacional.

Silverchair

Os meninos australianos do Silverchair também surpreenderam. Tocando algumas músicas desconhecidas, entre um outro tanto de familiares, como Freak, Anna's Song, Israel's Son, Pure Massacre, Anthem For The Year 2000 e Emotion Sickness , fizeram um bom show, mostrando que são uma banda pesada ao vivo, boa parte graças ao bom gosto de Daniel Johns para timbres e riffs distorcidos de guitarra. Teve muita gente que ficou irritada com a escalação da banda e depois mudou de idéia...

Red Hot Chilli Peppers

A banda principal da noite, uma das mais esperadas do festival, o Red Hot Chili Peppers, decepcionou. Com um set list mal feito e uma apresentação morna, sem nenhum ritmo de show, os californianos deram mancada. O fato de Flea estar vestido (com medo de ser preso ao exemplo do que quase aconteceu com o baixista do Queens of Stone Age) era emblemático de uma apresentação onde aparentemente tudo deu errado.

O show até que começou bem (apesar do som fraco), com Around The World, Give It Away e Suck My Kiss (que incrivelmente figurava desconhecida do público em geral, sendo esta talvez uma das melhores músicas da banda). Depois, foi um festival de imaturidade.

Será que o Frusciante é tão bom assim a ponto de poder se recusar a tocar músicas de álbuns que não gravou? Apenas uma música, Me And My Friends, não é da sua época (anterior à sua entrada). O maravilhoso álbum One Hot Minute (com o ótimo Dave Navarro nas guitarras) foi praticamente esquecido (tirando uma citação feita por Flea no meio do show).

Uma banda de praticamente 20 anos de carreira se reduzindo a dois álbums e tocando 3 covers: Skunk e Berverly Hills, do Circle Jerks, com Kieds explicitamente lendo as letras, e Search and Destroy dos Stooges. Muito estranho...

No mais; Soul To Squeeze, Under The Bridge, Californication (e não a versão pseudo-engraçadinha do O Surto), que, mesmo não sendo músicas ruins, são baladinhas que não empolgam em um show que o funk/rock deveria imperar. Tirando o bom início (com um som baixo demais), um show sonolento, fechando meio mal a terceira edição do Rock In Rio. O Medina deveria ter apostado ainda mais no Guns N' Roses, colocando-os para fechar. Assim teríamos a apoteose necessária.

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