Resenha - Rock In Rio III - 20/01 (Rio de Janeiro, 20/01/2001)

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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Engenheiros do Hawaii
Por Pedro Bomfim

O penúltimo dia de Rock In Rio começa bem, com uma boa apresentação de Humberto Gessinger e cia. Apresentando um setlist bastante amplo, como uma versão reduzida da sua turnê, os Engenheiros do Hawaii tocam por uma das últimas vezes com a atual formação.

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Clássicos da banda como Pra Ser Sincero, Era Um Garoto, Piano Bar, O Papa É Pop e Toda Forma de Poder dividem o espaço com Eu Que Não Amo Você, A Medida Do Amor e Rádio Pirata, com participação especial de Paulo Ricardo, dividindo os vocais com Humberto nessa pérola do RPM e do pop/rock nacional dos anos 80. A Cidade do Rock estava bastante vazia, já mostrando que este seria o dia menos movimentado, por conta da falta de apelo pop das maiores atrações do dia.

Elba e Zé Ramalho

Elba Ramalho e Zé Ramalho, apesar de estarem longe de ser rock, seguem e fazem um ótimo show, abrindo com uma versão para Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, de Raul Seixas. Varios sucessos das suas carreiras e Asa Branca de Luiz Gonzaga são tocados, animando toda a galera. A poeira levantou tão forte quanto durante o show do sepultura. Um público eclético faz a diferença entre apoteose e chuva de garrafas quando da apresentação de rítmos nacionais.

Kid Abelha
Por Pedro Bomfim

O Kid Abelha subiu ao palco fazendo um setlist com todos os sucessos da sua carreira radiofônica. Para citar alguns; Eu Tive Um Sonho, Como Eu Quero, Como É Que Eu Vou Embora, Te Amo Pra Sempre, Pintura Íntima, Desculpe O Auê, Alice e Grand' Hotel, sem contar com Fixação, que teve como intro o Funk Do Tigrão (aê gente, já não chega de elevar a bola dessas porcarias que andam fazendo sucesso não?) O show até que mexeu um pouco com o público, que se dividia entre descansar, assistir o que estava rolando nas outras tendas (mais uma vez os irlandeses do Dervish lotam a Raízes com a sua música celta) ou dar uma olhadinha na saúde de Paula Toller (deliciosa em um micro-vestido prateado).

Dave Matthews Band
Por Rodrigo Simas P. Castro

Falar desse show para um fã da banda como eu não é uma tarefa muito fácil. Além de estar muito ansioso para ver o que a DMB ia mostrar nesse rock in rio, ainda tive o prazer de conhecer e passar alguns dias com membros da banda, fazendo com que meu nervosismo crescesse ainda mais.

O tempo que eles teriam para o set era bem curto, menos de 1 hora, talvez por um possível desconhecimento da DMB por aqui, ou pela mídia ainda não acreditar no sucesso da banda em terras brasileiras.

Eram 10 horas da noite quando chegando bem próximo ao palco descobri a quantidade de pessoas que estavam lá só para ver a Dave Matthews Band, e não só ver, como sim, cantar, pular e fazer dessa noite, uma noite inesquecível para todos fãs da banda que esperaram por esse momento desde o Free Jazz Festival de 98.

Luzes apagadas, o clipe de “Ants Marching” ( hino da banda) começa a passar no telão enquanto algumas informações sobre o grupo saem dos alto-falantes. Dave Matthews entra no palco vestido de verde com calças brancas seguido do resto da banda e após um breve e tímido “hello” os primeiros acordes de “Two Step” entram em cena, e o vocalista, sempre acompanhado do violino de Boyd Tinsley, começa a cantar o que então seria uma versão alternativa para a música, e quando todos que realmente sabiam o que estavam presenciando já estavam paralisados (inclusive eu mesmo), a banda entra junto com Dave e Boyd e o refrão de Two Step é cantado três ou quatro vezes em uníssimo pelo público presente. Minha ansiedade já estava sendo trocada por emoção e sem mais nem menos “Tripping Billies” começa e mostra porque Carter Beauford é um dos melhores bateristas do mundo da atualidade.
Agora é a vez de “So Much to Say” , com um pequeno erro em uma parte da letra, rapidamente corrigido, sendo imendada com “Anyone Seen the Bridge” (com destaque para o baixo de Stephan Lessard ) que nada mais é do que uma ponte para “Too Much”, levantando qualquer ser vivo no Rock in Rio.

Com um sorriso no rosto, Dave Matthews anuncia a próxima música: #41. Como sempre, uma perfomance emocionante, que por si só já faz valer o show da DMB. Após o excelente solo de Leroi Moore no sax, algumas frases de “Everyday” , música que vai estar no próximo CD da banda com lançamento previsto para dia 27 de fevereiro, são cantadas por Dave, em uma surpresa no mínimo agradável.

Bob Dylan é lembrado como sempre nos shows da DMB com a clássica “All Along the Watchtower” e serve como aquecimento para um dos melhores momentos do show: “Ants Marching”, em uma versão empolgante e inesquecível.

Como nada é perfeito houveram pequenas falhas durante o show e grandes falhas depois dele: O som estava muito baixo e com qualidade discutível, o que prejudica muito o estilo de música tocado pela DMB. Não só eles, como vários outros grupos foram prejudicados pelo som ruim. Talvez a única falha da banda tenha sido não tocar nada do album “Before These Crowded Streets”, que tem sucessos como “Stay” e “Don’t Drink the Water” e pérolas como “Crush”. Além disso foi triste ver a imprensa especializada (?) falar tanta besteira no dia seguinte nos jornais. Como levar em conta a crítica de alguém que nem sabe qual música está em que disco, como a publicada no jornal O Globo do Rio de Janeiro no dia 22 de janeiro?

Dave agradeceu o público diversas vezes e uma hora disse que eles eram de um país pequeno depois do México e disse estar emocionado por tocar na cidade mais linda do mundo para o maior público da carreira deles. Logicamente esse “país pequeno” é os Estados Unidos e para quem conhece a banda sabe que Dave não falaria nada do que falou se realmente não achasse isso.

Após quase uma hora de música, o palco escureceu de novo e a Dave Matthews Band havia ido embora. Faltou bis? Sim, faltou. Faltou um show de 2:30 de duração? Sim, faltou. Faltaram várias músicas? Faltaram. Mas o que mais importa estava lá, a DMB, com o próprio Dave Matthews na frente se emocionando como todos os fãs que estavam lá , gritando como todos o fãs que estavam lá e celebrando um momento como se fosse mais um ouvinte, mais um pessoa suada que estava no público que muitas vezes perdia a voz, esquecia a letra, dava um sorriso, acenava, pulava e dançava muito, como se fosse o único show de sua vida, mostrando que ainda é possível fazer música boa, bem tocada, sincera, para todas idades, sexos, gostos e conseguir unir tudo isso em uma única melodia.

Logicamente esse foi um review para fãs. Fãs que como eu, se emocionaram nesse show e que se sentem orgulhosos de saber que uma banda dessas existe. Pois como o próprio Dave Matthews diz: “If nothing can be done, we will make the best of what’s around” . Nós fizemos e podemos ficar felizes com isso.

Sheryl Crow
Por Debora Behar Ribeiro

São poucas as pessoas no Brasil que conhecem bem o trabalho desta americana que faz um rock com bastante influência do country americano. Porém, mesmo com esse fator indo contra, Sheryl entrou no palco com muita determinação e logo ganhou o público com o hit "All I Wanna Do".

Formada em composição musical, performance e ensino, a cantora durante o show trocou diversas vezes de instrumentos que variavam de guitarra, guitarra acústica, baixo e violão. Todos muito bem encaixados nas músicas que executava. A maior parte das vezes Sheryl cantava e tocava algum instrumento, mas quando encarou o público sem instrumento nenhum conseguiu agitar a galera.

No entanto, como já foi dito, o público não conhecia muito suas composições e acabaram animando mais nos hits tais como "If It Makes You Happy" e também no cover de "Sweet Child O'Mine" do Guns 'N Roses que já era bastante esperado e aonde Sheryl demonstrou ser fã da banda ao anunciar "Axl is back!".

Em suma, foi um show competente, com canções de bom gosto que talvez não tenham agradado a todos os presentes, mas agradou em cheio aos que conhecem e respeitam seu trabalho que já lhe rendeu 4 Grammys!

Neil Young
Por Raul Branco

Um show de efeitos, luzes e fogos de artifício. Cantores (as) juvenis sarados, interpretando seu playback com belas coreografias, poses e sorrisos. Músicos tocando com extrema precisão e pouca emoção. Guitarristas & vocalistas trajados com roupas espalhafatosas e brilhantes correndo de um lado para o outro do palco. Músicas bonitinhas, de som limpinho e curtinhas, como aquelas que você escuta nas estações de rádio que só tocam sucessos.

Quem foi ver Neil Young esperando por isso deve ter tido uma baita decepção; mas se você foi um dos que queriam que o festival fosse mais Rock e menos In Rio, assistiu um dos melhores concertos que o Brasil já viu.

Neil Young e o Crazy Horse apagaram, ao som de guitarras distorcidas, a péssima impressão que o festival de playbacks e shows frios vinha deixando no público até então. Esse sessentão canadense, natural de Toronto, ainda tem mais garra e sangue que muitos artistas com metade da sua idade e continua fazendo música com uma vontade que beira o inacreditável. Quando eu vi aquele varapau de (poucos) cabelos mal cortados e parcialmente escondidos por um chapéu de caubói, camiseta larga e jeans surrados, e a idade estampada e vincada no rosto de seus acompanhantes, temi por eles. Não era justo que seu canto de cisne se desse logo aqui. Bastou sua Gibson entoar “Sedan Delivery” e todo o público entrou em transe. Se o RiR3 começou com 3 minutos de silêncio imposto por um mundo melhor, Neil Young, Frank Sampedro, Billy Talbot e Ralph Molina iriam proporcionar muitos minutos mais de massa sonora que tornariam o mundo melhor para os 150.000 afortunados ali presentes.

Ao contrário de tantos músicos que mudam de instrumento a cada canção, não houve muitas trocas de instrumentos. Frank utilizou uma velha Les Paul dourada, uma Gibson 335 preta e um órgão (em “Like a Hurricane”), Neil usou duas Gibson Les Paul com alavanca de trêmolo Bigsby (uma dourada e a preta, que parece ser sua guitarra favorita) e Billy dois baixos Fender Precision, com braço de Telecaster. O kit de bateria de Raph seguia a austeridade franciscana da banda, com apenas cinco tambores, chimbau e alguns pratos, montados num estrado, com uma imagem de pouco mais de um metro do chefe sioux Cavalo Louco (Crazy Horse). Mais interessante que os poucos amplificadores com velas acesas sobre eles, era a proximidade entre amps, bateria e microfones: todos concentrados no meio do palco, como se dissessem “basta um pequeno espaço e a gente faz nosso rock”.

O show teve apenas oito músicas (e mais três no bis), mas “Cinnamon Girl”, que na gravação original durava 2’58”, aqui levou mais de sete minutos (curiosamente, esta música abre o disco “Everybody Knows This Is Nowhere”, seu primeiro trabalho com a parceria do Crazy Horse). Em nenhum momento Neil Young abriu mão do som elétrico e dos solos, e para isso não existe banda como o Crazy Horse. Todos competentes e básicos, sem nenhum vôo acima do artista principal, além de bons vocais de fundo (com exceção de Frank Sampedro no começo do concerto, onde “derrapou” algumas vezes). Vocal que, do meio do show para o fim, foi auxiliado por sua esposa Peggy e sua irmã Astrid, e aqui eu sou obrigado a abrir parênteses: perdoem-me o machismo, mas que par de coxas, Astrid!

Era impossível tocar todos os seus clássicos e, logicamente, tinha gente querendo peças como “Southern Man”, “The Needle And The Damage Done”, “On The Way Home” ou “Heart Of Gold”. Mesmo assim, foi um rosário de canções onde, mesmo as pouco conhecidas, deixaram a galera extasiada com interpretações quase sempre mais pesadas que no original. O Oasis que me desculpe, mas o Godfather of Grunge (como foi apelidado pela garotada de Seatle) é que entende os versos de “, Hey Hey , My My (Into The Black)” e nenhuma versão consegue detonar como a do autor. Isso sem contar as conhecidas “Cortez The Killer”, “Like a Hurricane” e o encerramento com chave de ouro graças a “Rockin’ In The Free World”. Arrebentou dois encordoamentos, provocou microfonias, chicoteou os captadores de sua Les Paul com as próprias cordas, pulou, gritou... fez de tudo!

Não se podia deixar um monstro como esse ir embora dessa maneira, sem mais nem menos. Aos gritos de “Neil Young! Neil Young!”, o povo exigiu sua volta, e ele respondeu, emendando “Powderfinger”, “Down By The River” e “Welfare Mothers”. Depois disso tudo, vendo esse gênio que não enferruja nunca, acho que o nome dele foi registrado errado. Deveria ser New Young...

Agora sim, ele podia ir. No palco, apenas o equipamento, a estátua e as velas acesas, como se estivessem mostrando ao mundo que, pelo menos para Neil Young, a chama ainda arde.

Setlist:
Sedan Delivery
Hey Hey, My My (Into The Black)
Love And Only Love
Cinnamon Girl
Fuckin’ Up
Cortez The Killer
Like A Hurricane
Rockin’ In The Free World
Powderfinger
Down By The River
Welfare Mothers

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