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Resenha - Monster - Kiss

Gene Simmons tomou a decisão mais acertada do mundo ao assumir-se de vez como o principal porta-voz do Kiss, dando entrevistas pra lá e pra cá e disparando suas frases polêmicas para alimentar a mídia – enquanto a produção musical fica a cargo de seu eterno parceiro, Paul Stanley. Assim como aconteceu com o ótimo “Sonic Boom”, de 2009, o recém-lançado “Monster” tem a marca da mão forte e segura de Stanley no papel de produtor, resultando em um disco intenso, coeso e que é divertido até dizer chega, exatamente como se espera de um (bom) disco do Kiss.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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“Monster” é básico, sem firulas, sem frescuras e sem rodeios, como seu antecessor. É um álbum que depende apenas de vocal, guitarra, baixo e bateria – esqueçam efeitos eletrônicos, explosões, corais e demais maneirismos que, agora, o Kiss prefere reservar apenas para o palco. Aqui, o papo são doze faixas energéticas, fortes, simplesmente roqueiras, sem espaço para baladas. É rock n’roll atrás de rock ‘n roll, até o fim. Com um detalhe: “Monster” é “Sonic Boom” ainda mais pesado, com mais e mais excelentes riffs, numa espécie de retorno à sonoridade mais setentista do quarteto, deixando os anos 80 celebrados pelo disco anterior um tanto de lado.

A abertura do disco, ao som do petardo “Hell or Hallelujah”, já diz a que veio “Monster”. Uma envolvente levada de guitarra estradeira, enquanto Stanley entoa “No matter what you do, I'm running through ya'”, dá o tom de uma canção feita na medida certa para ser executada em pleno palco. Aliás, hinos não faltam por aqui. “All For The Love of Rock ‘n Roll”, com a voz do baterista Eric Singer, tem o mesmo DNA do clássico absoluto “Rock ‘n Roll All Nite”, celebrando uma vida roqueira com um refrão delicioso, ganchudo e que não dá para evitar sair cantarolando. O mesmo acontece quando o guitarrista Tommy Thayer assume o microfone e presta um tributo ao seu personagem, o Spaceman, em “Outta This World” – não por acaso, a faixa na qual ele tem mais espaço para solar no seu instrumento. Aliás, é preciso dizer: “Monster” é a prova clara de que ambos, Singer e Thayer, já não são mais meros coadjuvantes, mas sim parte integrante da família Kiss. Devidamente integrados.

Do lado “Gene Simmons” da força, a coisa também funciona como uma sinfonia. Do grave violento do baixo que abre a porradeira “Back to the Stone Age” até o tema do homem lutando com seus próprios pecados em “The Devil In Me”, passando pela melodia sacana de “Eat Your Heart Out”, o demônio de língua grande está absolutamente em casa, jogando o jogo que mais gosta e no qual está confortável.

Não dá para dizer que “Monster” é um clássico do mesmo naipe que um “Destroyer” ou “Rock and Roll Over”. “Monster” não vai mudar o mundo. Mas é um lançamento que faz jus à discografia destes sujeitos, é bom que se diga. Para um moleque, fã recente de rock ‘n roll e que acabe conhecendo a banda hoje por meio de seu álbum mais recente, pode servir como uma boa introdução para que ele escale e descubra o restante dos seus trabalhos.

É o mais puro Kiss, transbordando energia e paixão e dialogando tranquilamente com seu passado, mas sem deixar de mostrar que, no futuro, os mascarados ainda têm muita lenha para queimar. Gene Simmons, continue falando. Não pare de falar. E deixe a segurança da produção de Paul Stanley continuar dando o tom. A fórmula está dando mais do que certo. A casa agradece.

Tracklist:
1 - Hell Or Hallelujah
2 - Wall Of Sound
3 - Freak
4 - Back To The Stone Age
5 - Shout Mercy
6 - Long Way Down
7 - Eat Your Heart Out
8 - The Devil Is Me
9 - Outta This World
10 - All For The Love Of Rock & Roll
11 - Take Me Down Below
12 - Last Chance

Line-up:
Paul Stanley – Vocal e Guitarra
Gene Simmons – Vocal e Baixo
Tommy Thayer – Guitarra
Eric Singer – Bateria

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.

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