Kiss: como sempre, os mascarados não decepcionaram

Resenha - Monster - Kiss

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Por Igor Miranda, Fonte: Van do Halen
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Finalmente! O lançamento do vigésimo álbum do KISS estava sendo adiado há um ano e, segundo Tommy Thayer, Monster estava completamente pronto há, no mínimo, dois meses. O drama tem justificativa: a banda já estava se programando para fazer a turnê "The Tour", com o Mötley Crüe, e não queria lançar em uma tour conjunta.

Justificativas à parte, Monster chega pretensioso por ter de dar sequência ao ótimo Sonic Boom, que agradou e teve boa repercussão tanto do álbum em si quanto de sua turnê subsequente. Confesso que o mais novo trabalho do KISS não me conquistou de primeira, mas novas audições amoleceram meus tímpanos e agora pude compreender a magnitude deste disco.

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"Hell Or Hallelujah" é a abertura perfeita pra qualquer verdadeiro disco de Rock n' Roll. O primeiro single já havia sido lançado e é conhecido por todos. Seus riffs são Hard/Heavy puro, enquanto a cozinha tem detalhes que lembram Motörhead: a batida up-tempo e o baixo cada vez mais distorcido de Gene Simmons, por exemplo. Paul Stanley não fez questão de disfarçar a sua atual condição vocal, deixando aparente sua rouquidão em meio à performance. E, na minha opinião, isso foi um grande atrativo – ao menos em estúdio.

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"Wall Of Sound" é um Hardão ao estilo Gene Simmons, com riffs um pouco mais truncados e ritmo mais cadenciado. Aliás, de batida rápida, nesse disco só temos as faixas de abertura e encerramento. Tommy Thayer finalmente dá um ar de sua genialidade e presenteia nossa audição com um grande solo. "Freak", cantada por Stanley, segue com um clima levemente contemporâneo – nada muito escancarado, só não tem o mesmo padrão de progressão melódica que as demais. Talvez seja essa a "liberdade artística" que o Starchild tanto comentou em entrevistas relacionadas ao álbum. A música pode não soar legal de primeira, mas agrada nas audições seguintes. Boas vocalizações, refrão grudento e cozinha bastante destacada definitivamente fazendo a diferença por aqui.

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"Back To The Stone Age" tem um riff inicial tão impactante que poderia se tornar um clássico incontestável se lançada em algum dos discos dos anos 1970. Segue a fórmula do Hard Rock canastrão tanto utilizada por Simmons. "Shout Mercy" prossegue com o clima de resgate à década de 1970, lembrando também o álbum antecessor, Sonic Boom, em alguns momentos. Canção agradável de Paul Stanley, mas nada de muito destaque. "Long Way Down" é mais uma canção que não me agradou de início, mas com algumas audições, se tornou um dos destaques de Monster ao meu ver. O início é pouco pretensioso, mas do refrão em diante, a música cresce incrivelmente, com incríveis e decisivas performances de todos os integrantes.

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"Eat Your Heart Out" começa com uma simples gravação dos vocais a capella, sendo um dos inícios mais inusitados do cancioneiro do KISS. Um digno Classic Rock, com direito a bateria guiada por cowbell, riffs sequenciados, letra sobre sexo (como de costume nas composições de Simmons) e um dos melhores solos de guitarra do álbum. A utilização do pedal wah-wah deu um brilho adicional à execução já fantástica de Tommy Thayer. O homem, diga-se de passagem, está endiabrado e se mostrou, mais uma vez, um dos motores criativos da banda. "The Devil Is Me", como o título sugere, é de Gene Simmons. Mais uma grande música, com um verdadeiro disparo de riffs e inspiração notável do Demon. Quando realmente se empenha e mantém o foco, o linguarudo oferece muita coisa boa.

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"Outta This World" demonstra evolução nos vocais de Tommy Thayer. Canção ao estilo Ace Frehley, mas com as características de Thayer enrustidas ali: melhores vocalizações, solos um pouco mais elaborados e acréscimo dos decisivos backing vocals dos chefões. "All For The Love Of Rock & Roll", cantada por Eric Singer, cativa por sua simplicidade. Parece uma canção perdida do Dressed To Kill, de 1975 – terceiro registro da discografia do KISS.

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"Take Me Down Below" nasceu clássica, assim como qualquer música que tenha vocais divididos por Paul Stanley e Gene Simmons. Os versos destacam a cozinha entrosada do Demon e do (novo) Catman, enquanto o refrão é do tipo que merece ser entoado em arenas lotadas. "Last Chance" é uma das músicas mais setentistas de Monster. Uma filha perdida de "Deuce", mas cantada por Stanley. Solo de impacto assinado por Tommy Thayer. Definitivamente, um encerramento de classe.

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O KISS decepciona em suas declarações, pois quase nunca estão em consonância com o material em si. No caso de Sonic Boom, prometeram algo que remetesse aos trabalhos setentistas, mas uma verdadeira salada mista dos pontos altos da banda foi apresentada no final das contas. Em Monster, os líderes falastrões disseram que as músicas resgatariam não apenas os clássicos dos primórdios, como também discos pesados, como Creatures Of The Night e Revenge. O single "Hell Or Hallelujah" confirmou isso, momentaneamente. Na verdae, o que temos aqui é um registro muito mais baseado em álbuns como Dressed To Kill e Rock And Roll Over, além de algumas (poucas) faixas que soam mais modernas.

Mas se o quarteto (principalmente os chefões) decepcionam em suas declarações, com certeza não deixam a desejar em seus álbuns em si. Monster é consistente e apresenta o que há de melhor no trabalho do quarteto sem "reinventar a roda" nem exagerar no repeteco. Ou seja, está sob medida para ser aprovado por fãs e crítica. Gene Simmons e Paul Stanley demonstram cada vez mais inspiração e vontade de trabalhar com o KISS, muito disso graças à presença de Tommy Thayer e Eric Singer – dois músicos incríveis que jamais devem ser contestados por qualquer verdadeiro fã dos mascarados. O monstro está à solta, finalmente, e agradou.

Paul Stanley (vocal, guitarra)
Gene Simmons (vocal, baixo)
Tommy Thayer (guitarra, vocal)
Eric Singer (bateria, vocal)

01. Hell or Hallelujah
02. Wall of Sound
03. Freak
04. Back to the Stone Age
05. Shout Mercy
06. Long Way Down
07. Eat Your Heart Out
08. The Devil Is Me
09. Outta This World
10. All for the Love of Rock & Roll
11. Take Me Down Below
12. Last Chance

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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