Kiss: "Monster" é o melhor disco da banda em 21 anos

Resenha - Monster - Kiss

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Por Daniel Junior
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Para não perder o jeito ranzinza de ser, não dá para não deixar de dizer (com rima e tudo) que o Kiss nos “devia” este disco. Repleto de energia e com músicas que mostram um hard rock 100%, Monster é o melhor disco da banda americana em 21 anos.

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Não, não é exagero. As escolhas na carreira da banda multiplatinada começaram a ser questionadas já nos longínquos anos 80 quando fez um disco – Asylum – que além de marcar a estreia de Bruce Kullick, pontua uma fase absolutamente dispensável na discografia dos ex-mascarados. O glam em alta, bateria trinada, guitarras agudas, teclado no 10; ingredientes que mudaram as maiores características do Kiss e tornaram-no uma banda comum. Vendendo milhões de discos (quando isso ainda era possível) mas deturpando seu som.

Antes do famigerado encontro da formação original (maldito desejo de fãs que acabam agregando quase nada no histórico das bandas que assim preferem), a banda lança o pesadíssimo Revenge (1991), este sim, um release com excelentes canções e uma formação que traria – especialmente para as apresentações ao vivo – um peso que o Kiss se ressentia, mesmo com Eric Carr fora das baquetas, vítima de câncer naquele mesmo ano.

Vinte e um anos depois, Monster é uma agradável surpresa, uma vez que a maioria dos fãs não esperavam nada melhor que Sonic Boom (2009) e fato é que a banda, no auge dos seus 38 anos, conseguiu lançar um disco entre seus melhores discos já produzidos.

A canção que abre o disco – Hell or Hallelujah – uma espécie de canção de arena não é bem a pista correta para dizer os caminhos que a banda percorreu nestas gravações. Embora uma boa música, ainda tinha algum ‘q’ do Sonic Boom e não trazia – em priori – nenhuma novidade. Já a canção seguinte – Walls of Sound – é uma das melhores canções de Gene em muitos anos, aliás, diga-se de passagem, Gene está bem d+ neste disco, com seu instrumento em ponto de bala, fazendo linhas além das triviais – marca do músico – e cantando por ele e por Paul. O riff de WoS é excelente.

A canção que se segue, Freak, é a igualmente ótima e pelas características parece ser sobra das sobras do Carnival Of Souls (1997), uma vez que é uma canção destas com “timbre” moderno e tiradas da cachola de Paul Stanley. Solo curto e matador. Dá pra perceber uma ajuda efetiva de Gene nos vocais. Aliás, Paul está mais contido e durante toda a produção, seus vocais estão encobertos por efeitos, ora suavizando os agudos ou mesmo quando escolhe uma região mais mediana para viver a melodia.

Volto a dizer: é bom pra caramba ver Gene cantando feliz canções com sua cara, como Back to the Stone Age, com suas paradinhas, convenções e bateria visceral: reta, redondíssima, a canção é para empolgar, se o quarteto optar por um setlist, após o lançamento oficial do disco, com as excelentes músicas que compõem Monster.

Shout Mercy é uma canção mediana depois de quatro petardos. Isso não quer dizer que é uma música ruim, mas não tem a mesmo nível especial das primeiras canções. Contudo, tem um baita solo de Thayer, que esqueceu um pouco de ser Ace e que agrada bastante sendo Tommy.

Long Way Down é uma baita canção com cara de clássico. Impressionante como a banda está afiada nesta faixa. A mixagem da faixa conferiu um peso que a muito não se ouvia nas produções da banda. Um peso acompanhado de uma sujeira bastante salutar, se é que você me entende.

Eat Your Heart Out tem refrão de country rock, lembrando muito as faixas classic rock que a banda fez especialmente em Love Gun (1977) e Rock and Roll Over (1976), mas o mais interessante é que em nenhum momento você ouve auto-referências ou seja, a banda não está querendo soar uma cópia de si mesma. A faixa é alegre, sutilmente irônica e de grande valor. Mais um ponto para Gene.

The Devil is Me é aquela faixa que em um disco do Kiss é reticente, porque afinal de contas é a re-afirmação da “face do mal “encarnada no sr. Chaim Witz. Mais riffs redondos, refrão pegajoso; a banda nova-iorquina sem esforço maior soa pop, sem que isso pareça pejorativo, melodias bem apresentadas e tudo no seu lugar e o disco vai se encaminhando para se tornar o melhor lançamento do Kiss em mais de 20 anos.

O timbre de Thayer é como se Paul Stanley tivesse “engolido” Gene. Tem a agressividade de Gene mais a doçura nos agudos de Paul; Outta this World também é uma canção muito bacana; entre tantas coisas a se comentar é a total falta de timidez do guitarrista (está plenamente à vontade) cantando e fazendo seus próprios backs. Já estava mais do que na hora do guitarrista construir sua própria história sem ficar atrás do make-up kit de Frehley. No disco mostra absurda personalidade, canta sua boa música e assina suas contribuições. Uma pena que pode ser tarde demais, já que não acredito que se aproximando dos 70 anos, seus principais integrantes ainda tenham motivação para entrarem no estúdio.

Imagine um rockabilly delicioso e confortável na voz rouca de qualquer cantor americano na década de 50/60? Eric empresta sua voz para All for The Love for The Rock & Roll, canção esta que tem todo os clichês de uma canção pop redonda: estribilho pulsante, refrão “pra todo mundo cantar junto”, reviravolta no terceiro estribilho, solo e volta no refrão poderoso. Seria legal – digo mais uma vez – que a banda privilegiasse as canções do disco novo… Quase impossível…

Take Me Down Bellow traz a dupla Stanley/Simmons levando a canção. Agora um comentário dentro de outro: temos um novo Paul Stanley. Uma vez ou outra assumindo regiões “perigosas” do seu alcance vocal, mas extremamente preocupado com as melodias. Mais uma vez Gene dá um banho de interpretação. A faixa é outro belo exemplo de que o Kiss pode fazer discos “descompromissados” com o som que pode vender no momento. O curriculum vitae da banda e seus compositores talentosos deveriam bastar e bastam.

Por fim temos Last Chance, que sem trocadilhos é a última chance que você tem por se apaixonar por este monstro que parece ter vindo pra ficar. Um disco imaculado, sem falhas, re-confortando os fãs tradicionais e disposto a conquistar tantos outros que (ainda) acreditam que deste poço ainda pode sair inspiração para fazer grandes discos como este.

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Sobre Daniel Junior

Daniel Junior é blogueiro do Diário do Pierrot e do site The Crow (especializado em cinema). Colabora com o site Seriemaníacos (sobre séries de TV) e com o blog Minuto HM. Começou seu amor pelo rock por causa do Kiss e do Black Sabbath até conhecer outras bandas pelas quais nutriria paixão e admiração como Metallica, Rush, Dream Theater, Faith No More e tantas outras. Twitter: @diariodopierrot.

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