Kiss: grande sopa de influências dos anos 60 e 70
Resenha - Monster - Kiss
Por João Paulo Linhares Gonçalves
Postado em 24 de outubro de 2012
Nota: 8 ![]()
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Vou falar sobre o novo disco do Kiss, "Monster", recém-lançado em todo o mundo. A banda está confirmada em turnê pela América do Sul em novembro, com três shows no Brasil: Porto Alegre (dia 14), São Paulo (dia 17) e Rio de Janeiro (dia 18).
Lançado no dia 09/10/2012, uma terça-feira, "Monster" repete a parceria produtiva entre Paul Stanley e Greg Collins. Stanley pode ser considerado o cérebro por trás da sonoridade deste álbum - assim como aconteceu com o disco antecessor, "Sonic Boom". Também é o principal compositor, participando na escrita de quase todas as faixas, com exceção de apenas duas (uma de Simmons e outra de Thayer). A produção de Stanley está bem caprichada, melhorou bastante desde o disco anterior e ressaltou a qualidade deste trabalho. É como se "Sonic Boom" tivesse sido apenas um ensaio da banda, preparando o terreno e tentando capturar a reação de sua enorme base de fãs; com o sucesso e a boa recepção, a banda se aprofundou um pouco mais e soltou "Monster", uma clara evolução sonora e musical, com composições mais fortes e encorpadas. As performances dos membros também são destaque, em especial o vocal de Gene Simmons e as guitarras de Paul Stanley e Tommy Thayer.
O disco é uma grande sopa de influências dos anos 60 e 70. A sonoridade, pra começar - em diversos pontos, você tem aquela sensação de deja-vu: "Freak" te lembra Jimi Hendrix; em "Long Way Down", a introdução é Jeff Beck puro (e copiado, da canção "Shapes Of Things"); "Eat Your Heart Out" parece até saída de um disco antigo do próprio Kiss, com todos os elementos clássicos que a banda utilizava naquela década. Temos canções absolutamente empolgantes, como é o caso de "Back To The Stone Age", a melhor do disco para mim; temos também canções melodiosas incríveis, como "All For The Love Of Rock & Roll", cantada pelo baterista Eric Singer. Aliás, assim como no álbum anterior, as canções cantadas por Singer e Thayer são destaques, ficaram muito boas.
O álbum abre com o primeiro single, "Hell Or Hallelujah", que me passou uma impressão errada quando escutei a primeira vez - me passou um som metalizado que não gostei, porém com mais algumas audições, percebi que se tratava de uma canção empolgante, alegre, no melhor estilo Kiss. "Wall Of Sound" vem a seguir, bom riff, talvez a mais moderna do disco, lembrando um pouco o álbum "Revenge". "Freak" foi a que menos gostei, provavelmente a composição mais fraca do disco. Já a faixa seguinte, "Back To The Stone Age", é a minha preferida, um riff forte e empolgante, o começo crescente, bela performance vocal de Gene Simmons, o refrão grudento, Tommy Thayer arrebentando no solo, tudo conspirando para este futuro clássico da banda. "Shout Mercy" também empolga, mas não tanto quanto a anterior. "Long Way Down", conforme já falei, tem a introdução roubada (ou seria homenagem?) de Jeff Beck, mas é uma boa canção. "Eat Your Heart Out" é outra que tem tudo para ser clássico no futuro, com todos aqueles elementos cativantes e que agradam todos que gostam da banda. Um ritmo forte mantido por um bom riff e mais um refrão grudento garantem outra grande canção deste álbum.
"The Devil Is Me" tem aquele clima soturno que envolve o personagem de Gene Simmons, uma canção mais pesada, temática da letra mais que adequada, e o riff garante o peso que a música exige. A seguir, as duas canções cantadas pelos outros membros: primeiro, "Outta This World", cantada por Tommy Thayer, e a seguir "All For The Love Of Rock & Roll" cantada por Eric Singer. Ambas ficaram muito boas e são destaques do álbum (eu prefiro a cantada por Singer, melodia caprichada e ideal para o baterista brilhar). "Take Me Down Below" tem vocal dividido por Gene Simmons e Paul Stanley, uma composição de primeira que também se destaca. O álbum se encerra com "Last Chance", empolgante e pulante como uma música do Kiss deve ser, encerrando muito bem este belo disco. Bem, para quem adquirir o álbum digitalmente pelo iTunes, temos ainda a mediana "Right Here Right Now", com vocal de Paul Stanley.
O álbum estreou na parada americana abocanhando o terceiro lugar, uma posição abaixo do disco anterior, que ficou em segundo na semana de estreia - aliás, este segundo lugar foi o melhor resultado que o Kiss obteve em termos de posição na parada; o terceiro lugar vem a seguir, tendo sido atingido pelo disco "Psycho Circus" e por este. Um belo resultado, mostrando a força que a banda ainda tem.
Uma pena que é pouco provável que estas canções sejam executadas nos shows aqui no Brasil - o mais provável é que apenas "Hell Or Hallelujah" seja executada. Ainda sim, é muito bom ver e comprovar que o Kiss está na ativa não apenas com turnês de reunião, mas lançando álbuns de qualidade, como os dois últimos. Esta formação ainda tem gás para novos petardos de qualidade, é esperar pra ver!!
Relação de músicas:
1 - "Hell Or Hallelujah"
2 - "Wall Of Sound"
3 - "Freak"
4 - "Back To The Stone Age"
5 - "Shout Mercy"
6 - "Long Way Down"
7 - "Eat Your Heart Out"
8 - "The Devil Is Me"
9 - "Outta This World"
10 - "All For The Love Of Rock & Roll"
11 - "Take Me Down Below"
12 - "Last Chance"
13 - "Right Here Right Now" (faixa bônus no iTunes)
Alguns vídeos:
"Hell Or Hallelujah":
"Long Way Down":
"All For The Love Of Rock & Roll":
Acompanhe esta e outras resenhas no blog Ripando a História do Rock. Grande abraço!!
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