Em meio a uma profunda crise de identidade desde que Max Cavalera abandonou a banda na década de noventa, o SEPULTURA ainda não encontrou um novo e consistente rumo para a sua carreira de enorme sucesso internacional. Embora discos como “Dante XXI” (2006) e “A-Lex” (2009) não possam ser considerados obras desprezíveis, a verdade é que o grupo nunca mais conseguiu criar repertórios marcantes e intensos como os de “Arise” (1991) e de “Roots” (1996). O novo álbum, intitulado “Kairos”, não pode ser apontado como a obra definitiva sob a voz de Derrick Green, mas evidencia uma sobrevida – mesmo que rasteira – para o ícone do thrash metal nacional.
Nota: 7 






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Com muita simplicidade (mas sem abrir mão dos riffs pesados), “Spectrum” abre a nova empreitada de Andreas Kisser & Cia. sem muito impacto, ainda mais se comparada com as demais faixas do disco. Em contrapartida, “Kairos” pode ser apontada como o ápice do repertório por toda a sua agressividade. O grupo, que pouco vem explorando as referências da música brasileira nos seus registros mais recentes, precisaria mesmo compensar a ausência da originalidade de outrora com músicas mais encorpadas e violentas. O peso característico da fórmula do thrash metal ainda se desdobra em outras e interessantes faixas, como “Relentless” e “Dialog”. No entanto, “Just One Fix” – cover do MINISTRY – não pode não ser mencionado como outro destaque à parte da obra.
Por mais que apresente uma série de boas ideias como recheio, “Kairos” se ressente da ausência de músicas capazes de vencerem a barreira do tempo e do esquecimento. Não há dúvidas de que o novo álbum do SEPULTURA se sai consideravelmente melhor se comparado com o seus antecessores. Porém, faixas como “Seethe” e “Born Strong” não ambicionam muito dentro desse set-list criado pelo quarteto. De certo modo, a fórmula desgastada dos registros mais próximos reaparece pelas beiradas trazendo um pouco de modéstia ao álbum que tinha tudo para ser uma das principais novidades em 2011. O repertório, que inicia com os seus principais destaques, perde boa parte do seu impacto na metade para o fim. No entanto, a agressividade simples de “No One Will Stand” pode agradar boa parte dos fãs do conjunto, diferente da esquisita “Structure Violence (Azzes)”, um equívoco parecidíssimo com o que há de mais controverso nos trabalhos do SOULFLY.
Enfim, não há dúvidas de que o SEPULTURA aparentemente reencontrou em “Kairos” a fórmula do thrash metal vigoroso de outrora. No entanto, o que falta para que a banda reconquiste o sucesso dos anos noventa parece muito distante ainda. O repertório pouco homogêneo evidencia a ausência de faixas verdadeiramente coesas e impactantes. Não há dúvidas de que os fãs certamente poderão se contentar com o mais recente álbum do conjunto. Porém, comparar o novo disco do quarteto com as suas obras clássicas é injusto e inadequado. De certa forma, o modesto trabalho que o grupo fez em “Kairos” é justamente o que estava ao seu alcance. Nada mais que isso.
Track-list:
01. Spectrum
02. Kairos
03. Relentless
04. 2011
05. Just One Fix
06. Dialog
07. Mask
08. 1433
09. Seethe
10. Born Strong
11. Embrace the Storm
12. 5772
13. No One Will Stand
14. Structure Violence (Azzes)
15. 4648
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Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.
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