Resenha - Live After Death - Iron Maiden

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Resenha - Live After Death - Iron Maiden


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Há vinte e três anos atrás, o Iron Maiden mostrava ao mundo um dos registros ‘ao vivo’ mais fantásticos de toda a história do heavy metal, com o álbum “Live After Death”, que também geraria um vídeo homônimo. Passado esse período todo e após uma longa espera por parte dos fãs, a banda faz a transposição desse registro histórico para as novas tecnologias, com o lançamento do DVD oficial “Live After Death”, algo que sempre foi pedido pelos seguidores da Donzela. E, mais uma vez, em se tratando de Maiden, precisamos nos policiar para escrevermos uma resenha sobre um novo lançamento da banda e não exagerar nos elogios. Mas não tem jeito...

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Ainda que exista uma versão não-oficial que, na verdade, é o mesmo registro do vídeo lançado pela banda, muita gente sempre quis que esse material tomasse a forma de um lançamento oficial em DVD, para que se pudesse ter um item com qualidade superior de áudio e vídeo. No entanto, o ‘novo’ “Live After Death” vai bem além, trazendo ainda outros registros da banda em palco e fora dele, além de um ótimo documentário, o qual se constitui na continuação daquele visto no DVD “The History Of Iron Maiden – The Early Days”.

O disco 1 traz o lendário registro da também lendária “World Slavery Tour”, gravado durante o período de quatro apresentações do grupo no Long Beach Arena, em Los Angeles. Esse show já foi analisado, comentado e discutido à exaustão, mas nunca é demais reafirmar a exuberância da banda no período, que é considerado por muitos como sendo a fase mais espetacular já vivenciada pelo então quinteto. O setlist da performance é constituído por músicas do, na época, recém-lançado “Powerslave”, aliadas a vários clássicos que constavam nos quatro discos anteriores.

Quem assistiu ou ainda assistirá a algum dos shows da atual turnê “Somewhere Back In Time” constatou qual é o clima e a sensação de se estar presente no estádio, ginásio ou seja lá o que for, quando as luzes se apagam e é iniciada a reprodução do exaltado discurso do estadista Winston Churchill, que também servia como introdução dos shows da turnê de “Powerslave”. Em “Live After Death”, o que se segue então são aproximadamente 90 minutos de uma seleção com alguns dos maiores clássicos da história da banda e do heavy metal em geral. Até hoje, algumas pessoas destacam o fato de o vocalista Bruce Dickinson não atingir nessa gravação os mesmos agudos altíssimos das versões em estúdio de algumas músicas, sobretudo em “Aces High”, utilizando-se de tons mais graves. Com isso, muita gente passou a reclamar de sua performance, mas o fato é que as linhas vocais um pouco mais graves do ‘Mr. Air Raid Siren’ não deixam de ser ótimas e de levantar o público presente. O instrumental da banda beira a perfeição. As guitarras de Dave Murray e Adrian Smith mostram-se entrosadas como nunca, o batera Nicko McBrain entrega um trabalho primoroso atrás de seu enorme kit e Steve Harris espanca as cordas de seu baixo sem a menor piedade, tudo isso apoiado no palco mais ambicioso criado para a banda até então, um set extremamente bem concebido, que retratava o clima egípcio de “Powerslave” e ainda favorecia uma apresentação mais ‘teatral’, que representava bem o clima de cada canção. Os maiores destaques do álbum ficariam por conta da belíssima “Revelations”, da epopéia de 13 minutos “Rime Of The Ancient Mariner”, da ótima “Powerslave” e de “Hallowed Be Thy Name”, uma música que sempre foi ponto alto nos shows da banda, no decorrer dos anos.

O disco 2 começa com o documentário “History Of Iron Maiden – Part 2”. Como a apresentação no Long Beach Arena é algo já conhecido ‘de trás pra frente’ por qualquer fã da Donzela, me arrisco a dizer que este registro de entrevistas e histórias contadas pela banda e por aqueles que fizeram parte de sua história durante as gravações de “Powerslave” e na turnê que se seguiu talvez seja o ponto alto desse lançamento. É muito interessante ver Steve Harris e cia relembrando histórias engraçadas ou curiosas sobre aquele período. Como, por exemplo, os relatos do mestre Martin Birch sobre as gravações do quinto disco da banda, onde, com poucas falas, ele consegue mostrar toda a sua visão ímpar sobre como produzir um álbum, mostrando por que é considerado um dos maiores produtores de rock em todos os tempos. Não faltam relatos sobre bebedeiras da banda e sua equipe de produção (numa das quais a banda entrou em uma festa de casamento de desconhecidos e ainda tocou “Smoke On The Water”, do Purple), histórias curiosas como a revolta de Nicko McBrain com um assistente de iluminação que foi lhe transmitir um recado de Steve Harris enquanto o mesmo Nicko fazia um solo de bateria no show. A irritação do músico e as tentativas frustradas de explicação de Harris gerariam a ‘faixa’ “Mission from Arry...”, colocada como b-side num dos singles lançados pela banda.

Também chama a atenção o depoimento do executivo Andy Taylor, relatando como a banda teve várias oportunidades para seguir um caminho diferente daquele que viria a trilhar, podendo adotar uma postura mais comercial, mas como sempre preferiu tentar atingir o máximo sucesso comercial possível sem se afastar de sua integridade musical. Fica bem claro também como a maratona de ensaios, gravações e shows deixou a banda no limite da resistência física e psicológica, levando os músicos por vezes a quase perder o controle. No meio de citações a vários episódios envolvendo experiências da banda na estrada, chama a atenção de nós, brazucas, os comentários sobre a primeira visita da banda ao Brasil, no primeiro ‘Rock In Rio’, onde Steve Harris diz com todas as letras que aqui estão os mais fanáticos fãs do Maiden.

Por falar em ‘Rock In Rio’, uma parte desse show histórico também consta em “Live After Death”. A qualidade de vídeo e áudio, embora fique bem abaixo do que normalmente estamos acostumados a ver em lançamentos em DVD, supera os bootlegs conhecidos dessa apresentação. Cabe aqui um pequeno comentário. Podem até dizer que eu sou louco, mas esse primeiro show da banda em terras tupiniquins, se fica abaixo da famosa apresentação de Los Angeles em termos de produção, a supera em termos de empolgação do público e inclusive de performance dos músicos, que parecem tocar com mais ‘raça’. E Bruce Dickinson cantando “Revelations” com sangue escorrendo em seu rosto (que foi motivo dos mais hilários e bizarros comentários por parte da imprensa local à época) já faz parte da antologia de imagens da banda. O DVD traz ainda o famoso documentário “Behind The Iron Curtain”, de quase 1 hora, que mostra a incrível jornada da banda em países do leste europeu, onde se colocou como sendo uma das primeiras grandes bandas de rock do então chamado ‘ocidente’ a tocar em países do bloco comunista e a primeira a levar uma produção completa àqueles países. Além disso, ainda há as famosas galerias de fotos, calendário completo da “World Slavery Tour”, os vídeos promocionais de “Aces High” e “Two Minutes To Midnight” e um breve registro chamado “’Ello Texas”, que traz uma rápida entrevista com Bruce Dickinson e Steve Harris, além de algumas imagens de shows da banda nos EUA durante a turnê do “Piece Of Mind”. Segundo relato da banda, esse registro não foi colocado no DVD “The Early Days” porque só foi encontrado quando o mesmo já havia sido lançado. A ressalva se faz para a mixagem da configuração 5.1 Surround Soundtrack, que deixou o som um pouco mais baixo que o de costume para esse padrão, o que até certo ponto pode frustrar alguns fãs.

“Live After Death” será chamado de caça-níqueis, coisa que, de fato, é. No entanto, este material é de qualidade indiscutível, visivelmente feito com cuidado e como uma forma de dar aos fãs um registro de primeira linha e uma amostra e testemunho de parte da maravilhosa história da Donzela. Sem dúvidas, um item indispensável para qualquer colecionador ou fã mais aficionado da banda, além de ser uma excelente pedida para quem quer ver shows memoráveis da maior banda de heavy metal de todos os tempos, inteiros ou em partes, e entender um pouco mais o fenômeno chamado Iron Maiden. Vale a pena, seja você um fanático pela banda ou apenas um apreciador do bom e velho heavy metal.

DISCO 1: LIVE AFTER DEATH

Live After Death
Show com Stereo e Dolby Digital 5.1 Audio (90 minutos)

Set list:
01. Churchill Speech/Aces High
02. 2 Minutes to Midnight
03. The Trooper
04. Revelations
05. Flight of Icarus
06. Rime of the Ancient Mariner
07. Powerslave
08. The Number of the Beast
09. Hallowed Be Thy Name
10. Iron Maiden
11. Run to The Hills
12. Running Free
13. Sanctuary

DISCO 2:
1. Documentário: The History of Iron Maiden Part 2 (60 mins)

2. Behind the Iron Curtain (57 mins)

3. Live Footage - Rock in Rio '85 (50 mins)

4. ‘Ello Texas (15 mins)

5. Artwork Gallery, Tour Programme, datas da turnê e galeria de fotos.

6. Clipes promocionais de “Aces High” e “2 Minutes to Midnight”

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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