Resenha - Live After Death - Iron Maiden

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Por André Toral
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Estamos diante de um dos melhores - senão o melhor - álbuns ao vivo de toda a história do heavy metal. Live After Death registou, ao vivo, toda uma fase de ouro que compreendeu músicas desde Iron Maiden até Powerslave, passando por Killers, The Number of the Beast e Piece of Mind. Na verdade, atualmente, nos deparamos com algumas versões diferentes deste álbum histórico:
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1° Vinil - Do qual qualquer fã - antigo ou atual - deveria se esforçar para ter, devido à emoção que é abrir a contracapa e ver aquela enorme foto do show, bem como as músicas extras que acompanham o segundo disco do mesmo, pois a versão é dupla. Em se falando de músicas extras, temos: Wrathchild, Children of the Damned, 22.Acacia Avenue e Phantom of the Opera.

2° Versão Bônus (original Album Plus Bonus CD) - Este foi a coleção desde Iron Maiden até Fear of the Dark, com músicas extras antes presentes somente em singles, além do CD com as músicas normais. A respeito de Live After Death, posso dizer que o Bônus fica por conta de três músicas maravilhosas, tocadas de forma explêndida pela banda: Losfer Words ‘Big Orra, Sanctuary e Murders in the Rue Morgue. O livreto vem acompanhado de fotos diversas, letras de todas as músicas do CD normal (que termina na música Runnig Free), datas, cidades, países e local de shows (11/01/1985, Rio de Janeiro, Brasil-Rock in Rio- Lembra?). Mas a maior surpresa fica pelo consumismo registrado de toda a banda. Veja só: 7778 quartos de hotel em 322 dias de tour e 24 países diferentes; 6392 cordas de guitarras, 3760 baquetas, 50000 latas de cerveja, 30000 drinks e 2500 sucos de laranja.

3° Última versão da coleção da banda, com cd-rom e capas modificadas: Em Live After Death, nos deparamos com a versão do vinil, ou seja, com as músicas extras que compõem o lado B do 2° disco(vinil), mas em CD, claro.

Mas aqui, discutiremos a versão mais comum deste álbum, ou seja, o que começa com Aces High e termina com Running Free.

Nada mais patriótico do que uma introdução na voz do famoso inglês Winston Churchill. Imagine-se naquele show, em 1985, na hora em que as caixas de som nos fazem ouvir as palavras do Sr. Churchill. Emoção pura! Aces High, na época, provou ser a música mais certa para se abrir um show, tal a energia que emana em toda a sua estrutura musical; simplesmente o desempenho de toda a banda chega a impressionar de tal maneira que, sem dúvidas, podemos afirmar que, ao vivo, existe a mesma perfeição de um estúdio. 2 Minutes to Midnight, com sua pegada poderosa e vocais muito bem postos na estrutura da canção, impressiona pela energia que passa, bem como pela participação do baixo e bateria, que soam fantásticos. The Trooper é outro dos clássicos que não deve nada para o que se escuta em Piece of Mind, pois consegue a mesma energia- ainda mais pesada do que o original. Quem já assistiu o vídeo vê que fica claro, mais uma vez, o patriotismo da banda pelo seu país de origem, ou seja, Inglaterra, pois Bruce Dickinson aparece com uma bandeira, agitando-a. Revelations –muito lembrada pelo episódio acontecido no Brasil, pois no Rock in Rio I Bruce se acidentou com a guitarra, rachando sua testa e dando “escape” a muito sangue- simplesmente fica tão bela quanto o que se ouve em sua versão original, com ótimo desempenho das guitarras de uma das melhores- senão a melhor- duplas do heavy metal: Dave Murray e Adrian Smith. Flight of Icarus é outro momento de empolgação pura; a atração fica por conta do seu solo principal executado de maneira explêndida e perfeita. Aliás, podemos dizer que o solo desta música é um dos mais bonitos da banda. Porque não? Sem contar nos ótimos backing vocals que a fazem ainda mais coesas ao vivo. Rime of the Ancient Mariner á um caso a parte, pois, instrumentalmente, pode-se dizer que sua versão ao vivo ficou melhor do que a de estúdio. Não seria espanto algum dizer ou escutar algo assim. O peso invadiu sua estrutura- bem variada- tornando-a mais forte, mais dura. Enfim, é um verdadeiro assombro escutar esta música em Live After Death, com uma interpretação fantástica de Bruce Dickinson colocando efeito em sua voz, ficando mais agressiva e rouca. Ele é um gênio! Quanto ao resto da banda, nada a falar, pois seria dizer o que é obvio, ou seja, um desempenho absurdamente fora dos padrões terráqueos(!!)- perfeito demais para ser deste planeta. Com Powerslave, foi o que faltava para botar fogo em qualquer recinto; mais uma vez Bruce colocou efeito em sua voz, fazendo com que a agressividade de seu “gogó”, em certos momentos, desse uma nova roupagem a este clássico- de sua autoria. Dave e Adrian impressionam muito, pois os duetos que os dois fazem ficam matadores, perfeitos e maravilhosos. Além do que, porque não dizer, também, que o solo de Powerslave é um dos mais bonitos da donzela? No vídeo, a múmia(eddie) entra justamente quando os solos tomam conta do pedaço. Steve Harris é outro que tem enorme participação nesta música, pois seu baixo consegue ser captado de maneira bem clara, com muita cavalgada. Em The Number of the Beast a banda faz o que sempre vem fazendo, desde 1982: tocar este grande clássico, incendiando a platéia de maneira estupenda. Hallowed by thy Name é outro grande momento de Live After Death- talvez o melhor, para alguns. Ótimo desempenho de toda a banda. Guitarras, baixo, vocal, bateria, tudo! Mais pesada do que o original, pode-se dizer que sua versão ao vivo ficou melhor do que a de The Number of The Beast. Na parte da bateria, podemos notar que Nicko modificou a estrutura, antes feita e executada por Clive Burr. E o que dizer da única música tocada em todos os shows da banda, desde que foi lançada em álbum? Iron Maiden é, sim, uma canção com muita energia e pegada ao vivo. Impossível dizer que a banda tenha se enjoado de toca-la ao longo dos anos; não porque seja seu título uma referência à banda, mas porque, realmente, é um clássico. Para quem já teve a oportunidade de ver o vídeo, a emoção redobra quando verifica-se o eddie em forma de múmia saindo por cima da bateria de Nicko, cuspindo fogo pelos olhos! Em Run to the Hills, mais uma vez, podemos notar uma diversificação na voz de Bruce, que está mais grave do que em estúdio. Na parte da bateria, Nicko preferiu utilizar-se da mesma estrutura original, salvo algumas pequenas mudanças. Bem, Runnig Free é outra que é tocada ao vivo desde seu lançamento; não se pode dizer que sua execução tenha se dado sempre, pois na tour de No Prayer of the Dying ela ficou de fora, devido a que os músicos do Maiden já estavam enjoados de toca-la. De qualquer forma, em Live After Death, a canção tem muita participação do público, o que chama bastante a atenção para os apelos de Bruce, em direção à platéia presente- que responde em massa!

Bruce Dickinson- Ele é o mesmo vocalista, a mesma voz de The Number of The Beast, Piece of Mind e Powerslave, em Live After Death? Não. Na fase entre 1982 até 1984, Bruce utilizou muitas agudos em sua voz. Ao vivo, não consta uma nota aguda, sequer. Seria maravilhoso escutar Aces High, The Trooper e Flight of Icarus, entre outras, com o vocal original de estúdio. Certo? De qualquer forma, Bruce teve um desempenho fantástico, mesmo modificando sua voz ao vivo. É de se admirar sua maneira de cantar, em Live After Death e até hoje.

Dave Murray- Estupendo! Sua maneira de se portar em situações ao vivo, como em Live After Death, mostra que o guitarrista é um fenômeno de perfeição e garra, quando o assunto é estar em um palco. Sua participação em músicas como Powerslave, Aces High e Rime of the Ancient Mariner é de arrepiar, tamanha a sua eficiência.

Adrian Smith- O que seria de Dave sem um tal de Adrian Smith, em Live After Death? Adrian se mostrou o par ideal para a realização exata de todos os duetos existentes neste álbum. Além de tocar muito, o guitarrista complementa muito bem as suas partes de solos e bases, espalhadas de maneira geral.

Steve Harris- Estamos falando do baixista inventor das cavalgadas animalescas e velozes! Em Live After Death é exatamente isso que escutamos nas músicas. Seu baixo ficou muito bem audível e posto dentro das canções. Em certas partes o baixo chega quase a querer falar. Além do que, no vídeo se percebe toda a versatilidade da qual Steve é dono. Em momentos como Aces High, Run to the Hills e Hallowed by thy Name fica bem claro tudo o que está sendo dito.

Nicko McBrian- Fantástico! Em Live After Deth o cara simplesmente é rodeado de uma bateria enorme, utilizando peça por peça de seu “brinquedo”. Seus melhores momentos são Aces High, 2 Minutes to Midnight, Rime of the Ancient Mariner e Run to the Hills, entre outras. Dotado de muita técnica e pegada forte, Nicko provou ser o substituto ideal para o grande Clive Burr.

Produção- Excelente! Martin Birch, sem dúvidas, foi um dos melhores. É de se admirar uma produção que traga para dentro de um cd, toda a energia de um show; em Live After Death isso é verdadeiro e provado, pois é como se estivéssemos lá, em pleno show! Instrumentos e voz bem trabalhados em uma álbum que, com toda a certeza, é um cartão de visitas para Martin Birch, que já havia trabalhado com Rainbow, Deep- Purple e Witesnake. Pena que o mesmo esteja aposentado, hoje em dia.

Live After Death é isso tudo, ou seja, representante N°1 de toda uma safra ao vivo do heavy metal.

Up the Irons!

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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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