Resenha - Chris Cornell (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 12/12/2007)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Cláudio Borges
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Chris Cornell parece cansado. Cansado do estrelato alcançado nas bandas que liderou e, sobretudo, cansado do rock em si. Sua aparência, no início do show, demonstrava uma apatia incompatível com a figura emblemática que puxou o Soundgarden para os holofotes da fama, no início da década de 1990. Hoje, prefere a tranquilidade e liberdade da carreira solo. Livre das amarras que uma banda de sucesso impõe.

5000 acessosCuzões em shows: como músicos devem lidar com essa raça maldita5000 acessosDeath On Two Legs: a declaração de ódio de Freddie Mercury

Mas estar só tem seu preço: seu trabalho solo não chega perto (seja em qualidade ou popularidade) dos feitos quando pertencia ao Soundgarden e Audioslave.

Misturando tudo isso, a avenida Cornell proporcionou um longo - duas horas e quarenta minutos - desfile de canções, passando pelos sucessos dos grupos, faixas pouco conhecidas de sua carreira solo e pérolas escondidas.

Despojado e se movimentando lentamente, Chris e sua banda abriram o show com a novata "Silence the Voices", do irregular "CARRY ON". Com tantos trabalhos diferentes, a escolha do setlist poderia ter tornado a apresentação desigual. Porém, ele soube dosar tudo na medida certa. Fica difícil reclamar quando, só na primeira parte, podemos conferir "Original Fire", "Show me how to Live" e "Be Yourself" do Audioslave; "Outshined" e "Spoonman" do Soundgarden; e "Hunger Strike" do Temple of the Dog. Se as músicas dos dois primeiros entusiasmaram, foi com a faixa do projeto dividido com os membros do Pearl Jam - para homenagear um amigo morto por overdose -, que o show teve seu momento mais emocionante. A platéia cantou em uníssono e foi perceptível a alegria com que o cantor e banda receberam a reação do público. Se o show tivesse acabo ali, já teria valido.

Fim do primeiro ato. Saem os músicos, entra o violão. Set acústico. Se com a banda e com o repertório mais pesado houve demora para se entusiasmar, sozinho ele estava mais a vontade. O que poderia funcionar como um banho de água fria, serviu para mostrar que suas composições se sustentam apenas(?) com a voz e o violão. As maravilhosas "Call me a Dog", "Like a Stone" e "Getaway Car" (nunca tocada nesse formato antes) são exemplos disso. Nessa última, nem o ótimo solo, do Tom Morello, fez falta. Ainda teve a soturna versão para "Billie Jean", de vocês-sabem-quem. Diferentemente do recém-lançado CD acústico, aqui a sua voz estava perfeita.

Atingindo todas as oitavas e sublinhando tudo com afinação e emoção. Poderia ter continuado assim, pois essa foi a melhor parte do show. Parece não fazer mais sentido para ele os distorcidos decibéis das guitarras, mas sim a delicadeza e intmidade do despojamento acústico. Seu próximo CD deveria contemplar esse formato.

"Doesn´t Remind Me" (a melhor música que o Pearl Jam não fez nos últimos tempos) trouxe os músicos de volta. Trazendo também a pérola "Pushing Foward Back", do Temple of the Dog, logo após o trovão zeppeliniano de "Cochise". Quem esperava ouvir "Jesus Christ Pose" teve que se contentar com uma pequena intro emendada em "Arms Around Your Love". Era melhor que tivesse sido o contrário. Atendendo a pedidos de músicas do Soundgarden, mandou mais 3: "Fell On Black Days", "Black Hole Sun" e "Rusty Cage". Hora de descansar.

A parte final mostrou um Cornell mais participativo e reservou algumas surpresas. "Can't Change Me", única faixa do mal-compreendido "Euphoria Morning", teve uma discreta recepção. Desenterrando outra obscuridade, atacou de "Sunshower". Faixa composta para a trilha do filme "Grandes Esperanças". Depois de mais duas do Soundgarden ("Burden in my Hand" e "Slaves and Buldozers", que teve citações de "Searching With My Good Eye Closed", "4th of July", "Like Suicide" e "The End") o show aterrisou com o zeppelin de chumbo em "Whole Lotta Love".
Ficou claro que Chris Cornell está em busca de um caminho diferente do já trilhado. Se um dia esteve a frente do "Black Sabbath dos anos 90" e despejou a influência do grupo de Page e Plant no Audioslave, seu trabalho solo ainda procura identidade. Tentar um caminho acústico talvez seja uma saída. Mas o show foi irrepreensível.

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Chris Cornell"

VocalistasVocalistas
Algumas das grandes vozes do rock

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Chris Cornell"

Cuzões em showsCuzões em shows
Como músicos devem lidar com essa raça maldita

QueenQueen
A declaração musical de ódio de Freddie Mercury

Mascotes do MetalMascotes do Metal
Os dez maiores segundo The Gauntlet

5000 acessosOs fãs mais chatos do mundo da música5000 acessosRolling Stone: as 100 melhores músicas de guitarra5000 acessosGrammy: "Master Of Puppets" é tocada após Megadeth ser anunciado vencedor5000 acessosMad Max: inspirando W.A.S.P., Violator, Biohazard e outros4335 acessosMax Cavalera: mais histórias insanas de sua autobiografia5000 acessosBlender: revista elege os mais malucos da música

Sobre Cláudio Borges

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online