A música do Soundgarden que Chris Cornell se recusou a cantar, mesmo achando incrível
Por Bruce William
Postado em 05 de julho de 2025
Chris Cornell tinha uma das vozes mais potentes e versáteis de sua geração, mas nunca foi o tipo de vocalista que se jogava em qualquer música só porque podia. Ainda nos primeiros anos do Soundgarden, ele já deixava claro que se via como compositor antes de tudo e, para ele, só fazia sentido interpretar uma canção se realmente tivesse algo a acrescentar a ela.
Esse pensamento ficou ainda mais evidente na época do álbum "Superunknown", de 1994. Com sucessos como "Black Hole Sun" e "The Day I Tried to Live", o disco flertava com estruturas complexas e experimentações sonoras que tornavam o trabalho mais ousado do que muitos perceberam à primeira vista. No meio disso tudo, há uma faixa curiosa chamada "Half", que quebrou a expectativa de quem esperava ouvir os vocais característicos de Cornell.

A música é cantada inteiramente pelo baixista Ben Shepherd. E não foi por acaso: Cornell ouviu a demo original e teve certeza de que não conseguiria fazer melhor. "Tive que convencer o Ben a cantar", revelou em conversa com a Radio.com: "Ele tinha feito a demo, e era incrível. Todos nós adoramos, mas senti que eu não captaria o que ele estava tentando transmitir. A letra é do ponto de vista de uma criança, e ele trouxe uma atmosfera que foi fantástica."
A decisão foi incomum, especialmente depois da experiência anterior com Circle of Power, em que o então baixista Hiro Yamamoto assumiu os vocais com um resultado mais cômico do que artístico, relembra a Far Out. Mesmo assim, Cornell confiou que Shepherd daria conta do recado. E deu. A faixa ganhou um ar quase psicodélico, com dedilhados de guitarra que lembram interlúdios do Led Zeppelin nos anos 70.
Para um disco tão denso emocionalmente, "Half" serviu como um momento de leveza e estranheza ao mesmo tempo. E simbolizou algo que sempre definiu o Soundgarden: a vontade de seguir o próprio caminho, sem se curvar a fórmulas de sucesso ou à lógica das rádios. Eles preferiam arriscar do que soar previsíveis.
A verdade é que Cornell poderia ter cantado qualquer música do catálogo da banda, e mais um monte fora dele. Mas nesse caso, teve a humildade de perceber que sua melhor contribuição era justamente não cantar.
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