Rock Faz Bem: Qual será a mais bela canção de todos os tempos?
Por Ricardo Seelig
Postado em 01 de março de 2005
Esses dias eu me peguei pensando uma coisa: qual seria a mais bela canção já escrita? Não é a primeira vez que isso acontece. Como todo fã de música, desde que assisti pela primeira vez Alta Fidelidade comecei a elaborar listas e mais listas. Mas, quando pensei na pergunta lá de cima, apenas duas músicas me vieram à cabeça: "God Only Knows" e "One".
"God Only Knows" é a oitava faixa de Pet Sounds, clássico disco dos Beach Boys, considerado um dos melhores álbuns da história do rock. Ela está vem depois de "Sloop John B" e antes de "I Know There´s An Answer", canções que qualquer banda daria a alma para ter escrito, mas que ao lado dela são apenas faixas comuns. "God Only Knows" é aquela música que encerra o filme Simplesmente Amor, e que foi considerada por Paul McCartney a mais bela pop song já escrita.
E ela é mesmo de matar. Poucas vezes o amor, o coração, a alma de alguém, esteve tão exposta em tão pouco tempo, como a de Brian Wilson em "God Only Knows". Ela é uma das faixas que fará parte do meu acústico, e, apesar de fazer mais ou menos uns dez anos que a ouvi pela primeira vez, a cada nova audição renovo minha vida, esvazio minha alma e recarrego meu coração.
Já "One" é a terceira faixa de Achtung Baby, o álbum em que o U2 se reinventou, escrevendo o seu nome definitivamente entre as grandes bandas do rock and roll. Ela está bem no meio de duas pauladas, "Even Better Than The Real Thing" e "Until The End Of The World". Ela é o único motivo de discussão entre eu e Paul: para mim, "One" é a canção mais linda que já passou pela minha vida.
Lembro bem daqueles primeiros anos da década de noventa. Todo mundo com os olhos em "Use Your Illusion" I e II, os dois ótimos e megalomaníacos álbuns do Guns´N Roses, e eu intrigado com o novo disco com nome esquisito do U2. Para falar a verdade, nunca havia dado muita atenção para Bono e sua turma, mas "One" me fez mudar de idéia. Tudo o que eu sempre quis dizer, e agora consigo, em uma canção de três minutos. Somos dois, mas não somos um. Essa é uma das maiores verdades que já ouvi.
É claro que o mundo não se resume a essas duas canções. Existem inúmeras outras. "Joey", do Concrete Blonde, já foi a música da minha vida. Hoje esse lugar é ocupado por "The Scientist", do Coldplay. "Suspicious Mind", do Elvis, é como um filme. "Diamonds On The Inside" está aos poucos conquistando o seu lugar, bem ao lado de "Widow Of A Living Man". É por isso que eu gosto de Ben Harper. "Jesus etc" justifica minha paixão pelo Wilco. "Hook", do Blues Traveler, me mostrou o que vem depois da paixão.
Quando penso nos Beatles, nem sei por onde começar. Quando olho para trás, até encontro algumas pistas. "In A Litte While" e "Kite", do U2. "Politik", de novo Coldplay. "Telhados de Paris", e Nei Lisboa é o único a falar português nesta lista. "Off He Goes", do Pearl Jam. "Dosed", do Red Hot. "Hallelujah", na versão do Jack Buckley. "Nobody Girl", do Ryan Adams. "Lightening Crashes", do Live.
Não vou lembrar de todas. Já esqueci de algumas. Ainda vou conhecer outras. Talvez escreve uma ou duas. Provavelmente, ao me conhecer, ao se aproximar de mim, você também sentirá o que eu sinto.
Meus trinta e um anos estão chegando ao fim. Neste ano, meus cabelos ficaram mais claros, meus olhos procuraram mais cores, meu corpo ficou muito tempo sozinho, e minha alma renasceu.
Várias palavras foram escritas. Vários textos criaram vida. Jogados ao vento, expostos, para todo mundo ver. Até acho que alguns deveriam ter ficado na gaveta, lá no fundo, para só serem encontrados na hora da faxina. Mas, fazer o que, eu sou assim. É o meu jeito, apenas isso.
O carinho que vem na hora certa. O colo pronto, sempre que é preciso. O sorriso. O beijo bom. Os momentos só meus. Os altos e baixos. O mau humor.
Ignorar você quando passo ao seu lado. Fazer de conta que não te vejo. E, de repente, sem mais nem menos, ligar e perguntar como você vai. Já ouviu falar em auto-preservação?
Tá na hora de ir embora. E o texto, que era para ser sobre "God Only Knows" e "One", acabou tendo um final extremamente pessoal. Transparente, sincero e sem medo. Afinal, eu, você, todos nós, somos, ou vamos ser, assim um dia.
Ouvindo:
Nightwish, "Ghost Love Score".
Rock Faz Bem
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