James Hetfield, entre riffs pesados e a "canção bonita" que falou ao seu lado espiritual
Por Bruce William
Postado em 05 de setembro de 2025
Quando se fala em James Hetfield, o que vem à mente são riffs pesados, energia crua e a postura que ajudou a transformar o Metallica em uma das maiores bandas da história do rock. Seus heróis na guitarra sempre foram previsíveis para alguém desse universo: Tony Iommi, Rudolf Schenker e Malcolm Young — músicos que, segundo ele, mantinham tudo sólidos na base rítmica, conforme ele afirmou ao Music Radar. Dos Misfits e dos Ramones, Hetfield absorveu a intensidade do downpicking e a sensação de que tudo soava simplesmente devastador.

Suas listas de músicas favoritas confirmam essa tendência: Black Sabbath, Thin Lizzy, Led Zeppelin, Nirvana e Lynyrd Skynyrd sempre estiveram lá. Ao lembrar da chegada do Nirvana, Hetfield dizia que a banda trouxe o que o rock precisava após a saturação do hard rock farofa dos anos 80: um som de garagem, direto, com melodias fortes, capaz de limpar o terreno para algo novo.
Mas nem sempre foram apenas guitarras pesadas que o tocaram profundamente. Hetfield nunca escondeu sua admiração por um grupo que parecia pertencer a outra dimensão: os Beach Boys. Para ele, Brian Wilson e sua música alcançaram um nível que ninguém jamais repetirá. "Eu comecei a ouvir muito Beach Boys de novo há uns seis meses", contou à Rolling Stone em 2004, em fala resgatada pela Far Out. "Cresci no sul da Califórnia; para mim, as canções deles falam com um poder maior."
Essa impressão ganhou força em torno de uma faixa em especial: "God Only Knows". Considerada por Paul McCartney uma das músicas mais emocionantes de todos os tempos, a composição mexeu também com Hetfield. Simples e bela, ela transmitia uma sensação de pertencimento e espiritualidade que surpreende quando lembramos de quem se trata: o líder de uma das bandas mais agressivas do metal.
Ao comentar a morte de Brian Wilson, Hetfield chamou o compositor de "um dos mais incríveis da face da Terra", destacando como sua obra ia além da cena americana e se conectava a algo universal. Para o frontman do Metallica, foi a prova de que, no meio de tanta distorção e brutalidade sonora, existe espaço para uma canção que, em pouco menos de três minutos, toca algo mais profundo que qualquer riff.
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