Qual é o nosso papel nesta história?
Por Ricardo Seelig
Postado em 21 de junho de 2005
Me peguei pensando uma coisa estes dias: o que é mais importante na música, os artistas ou nós, os fãs? É claro que nada existiria sem nomes como John Lennon, Jimmy Page, Mick Jagger, Steve Harris, Bono Vox e tantos outros. Mas e quanto a nós, que consumimos música como água, que dedicamos grande parte das nossas vidas a esta paixão, qual é o nosso papel nesta história?
Os Beatles não seriam os mesmos sem a beatlemania. A loucura e o fanatismo dos fãs é peça essencial na cultura pop. Somos nós que construímos as lendas e os ícones do rock and roll. Kurt Cobain não acordou um belo dia e decidiu que iria ser a voz da juventude americana dos anos 90: foram os fãs que o transformaram em seu porta-voz.
Quem gosta de música, de rock, metal ou qualquer outro nome que queiram dar (ou todos eles juntos, como é o meu caso), não se contenta em ter apenas um ou dois discos. Não existe fã de rock sem uma coleção repleta de álbuns por trás. É só olhar para o seu caso. Pense na banda que você mais gosta. Pensou? Agora conte quantos discos destes caras você tem. Muitos, com certeza (isso se não tiver a coleção completa, com EPs, singles, promos e muito mais).
É este culto que faz o rock ser algo tão fascinante. Para os fãs, os ídolos não são pessoas normais. Eu não consigo imaginar Jimmy Page como um cara de carne e osso como o meu pai, apesar de os dois terem praticamente a mesma idade.
A mitologia faz tudo ficar maior. A suposta morte de Paul McCartney, a magia negra rondando o Led Zeppelin, o diabo ao lado de Robert Johnson, as drogas e o Aerosmith. O rock está repleto de histórias fantásticas, mágicas, inacreditáveis, que transformam pessoas normais em lendas, e que fascinam milhões de fãs ao redor do mundo.
Não existe juventude sem rock and roll. Nada é mais importante quando se tem quinze anos do que o som de guitarras distorcidas a todo volume.
Na cabeça de todo fã ele é tão importante para uma banda quanto os seus membros. Para mim, o Iron Maiden não seria o mesmo sem a minha paixão pela banda. Pô, os caras fazem parte da minha vida há vinte anos. Eu cresci vendo a banda crescer. Todas as minhas histórias, tudo o que eu vivi, tem um pouco do Maiden no meio. É claro que eu vou pensar assim.
E não dá para explicar como rola esta identificação. Eu não gosto de Nirvana, mas milhões de pessoas gostam. Nenhum dos dois está errado. Tem gente que acha Beatles um saco, e tem gente que acha a banda genial. E é isso aí.
O rock, antes de tudo, é paixão. E isso não se explica, apenas acontece. Este é o nosso papel nisso tudo. É a nossa paixão, o nosso amor, o nosso tesão pela música que faz o bom e velho rock and roll se manter vivo e forte há mais de cinqüenta anos.
Porque de nada adiantaria John Lennon gritar a plenos pulmões se nós não estivéssemos lá para escutá-lo.
Ouvindo:
AC/DC, Girls Got Rhythm.
Rock Faz Bem
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