Angra e Sepultura - Qual o futuro das duas maiores bandas de Metal do Brasil?
Por Ricardo Seelig
Postado em 26 de fevereiro de 2006
Acredito que a minha surpresa deve ter sido tão grande quanto a de vocês. Abro a página do Whiplash! e dou de cara com a notícia de que Edu Falaschi, vocalista do Angra, vai lançar uma linha de óculos de sol. Nem bem me recupero do choque, e pouco depois leio que o Sepultura vai fazer a mesma coisa. A pergunta é inevitável: o que está acontecendo com as duas mais bem sucedidas bandas do Heavy Metal brasileiro?
Em primeiro lugar, um parênteses: não há nada de errado na atitude de ambos os artistas. Antes que os mais radicais atirem a primeira pedra, lembrem-se de grupos como Kiss, Iron Maiden, os próprios Beatles, o U2 e seus iPods. A história é pródiga em exemplos de ídolos procurando ampliar os limites de sua atuação, visando, dependendo do ponto de vista de cada um, oferecer mais opções aos seus fãs ou apenas mais lucro explorando a paixão destes mesmos aficcionados.
Mas, independente de qual for a sua opinião, é impossível ficar passivo com estas duas notícias. Vamos começar pelo Sepultura. Até o fã mais ardoroso do grupo de Andreas Kisser e Igor Cavalera reconhece que a banda não lança nada revelante já há alguns anos. Repetindo fórmulas que eles mesmos criaram, rodando ao redor do próprio rabo, a banda encontra-se, literalmente, em uma encruzilhada. E o que é pior: parece não haver luz no final do túnel. Derrick e Paulo Xisto abriram um restaurante, Igor virou DJ e Kisser mantém bravamente a sua dignidade capitaneando jams ora históricas, ora apenas curiosas, nas noites paulistanas.
Enquanto o novo álbum não chega ao mercado, os movimentos do outrora gigantesco monstro do Thrash Metal, que influenciou definitivamente o som pesado dos anos noventa e chegou a rivalizar com nomes como o Metallica em popularidade nos Estados Unidos, são acompanhados com cada vez menos atenção.
Já o Angra sobreviveu e deu a volta por cima após a saída de três integrantes. Com novos membros no front, o grupo lançou dois belos álbuns ("Rebirth" e "Temple Of Shadows"), mas as notícias e o diz-que-me-disse sobre o futuro do grupo aumentaram sobremaneira nos últimos tempos. Ora é a performance de Edu Falaschi que é questionada pelos próprios fãs, ora são os eternos rumores sobre a má relação entre os integrantes que vêm à tona.
Nos dois casos, músicos invejáveis que não precisam provar mais nada para ninguém, mas que se colocam em uma desnecessária, e ridícula, posição. As fotos de divulgação da linha Falaschi de óculos são hilárias. A presença de anúncios do Sepultura em revistas "fashion" não é menos equivocada.
O insólito da situação alimenta mentes férteis. É impossível não pensar em um par de amigos chegando em um shopping em qualquer grande cidade brasileira e pedindo ao vendedor: "me dá dois "Inner Self" e um "Nova Era". Ou será que os óculos virão como brinde em edições especiais dos álbuns? Ou o contrário: os álbuns serão brindes na compra dos óculos? Afinal, parece estar difícil para todos definir o que vêm em primeiro lugar.
Enquanto isso, a cena brasileira dá provas e mais provas de sua força. Bandas como Tribuzy, Eterna, Perpetual Dreams, Akashic e muitas outras lançaram álbuns excelentes em 2005. Novos ídolos surgem a cada show. Novos sons transformam-se em clássicos a cada álbum. E teias e teias de aranha consomem os antes invejáveis repertórios dos dois grupos.
Já passou da hora do Sepultura decidir o seu futuro. Já passou da hora da banda seguir em frente e encarar novamente os gigantes do metal mundo afora.
Já passou da hora do ego ser deixado de lado no Angra. Já passou da hora de a música voltar a vir em primeiro lugar, ao invés dos cabelos repletos de luzes e escovas emoldurando poses de garotos maus, cheios de uma suposta atitude.
Este texto é um puxão de orelha, e foi escrito por um fã dos dois grupos. Este texto é a opinião pessoal deste colunista, e não a opinião do site. Insultos, troca de idéias, e até mesmo elogios, devem ser endereçados ao e-mail aí embaixo. Mas antes, lembrem-se de apenas uma coisa: este fã só quer o bom e gigante Sepultura de volta, este fã só quer que seus ídolos coloquem a música acima de tudo. Ou seja, este fã quer a mesma coisa que você.
Rock Faz Bem
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