Por que "Roots" foi um álbum necessário, segundo Iggor Cavalera, ex-Sepultura
Por Igor Miranda
Postado em 03 de fevereiro de 2021
Embora seja o trabalho de maior sucesso do Sepultura, o álbum "Roots", lançado em 1996, não é o favorito de muitos fãs. O baterista Iggor Cavalera entende isso, mas explica por que o disco de "Roots Bloody Roots", "Ratamahatta" e outros clássicos foi necessário para sua antiga banda.
Em entrevista ao canal de YouTube "The New York Hardcore Chronicles", transcrita pelo Blabbermouth, Iggor comentou que o Sepultura estava buscando romper barreiras com "Roots". O músico se relembrou das participações de indígenas da tribo Xavante no álbum, trazendo uma sonoridade única para as composições.
"Estávamos fazendo experimentos com um monte de coisas e lembro que tive uma conversa com Max (Cavalera, irmão de Iggor e vocalista e guitarrista da banda na época) onde sentimos que não havia como ir mais fundo em nossas raízes do que fazer algo com as tribos brasileiras", declarou, inicialmente.
Em seguida, ele completou: "Isso nos inspirou ao longo de todo o disco. Foi uma grande inspiração em como eles (os indígenas) estavam lá antes de qualquer outro - e eles já estavam fazendo música. Então, a conexão mais profunda que poderíamos ter encontrado, em minha opinião, eram os nativos do Brasil. E ter a chance de gravar com eles foi incrível, uma loucura".
Iggor apontou que "Roots" é admirado por músicos de várias vertentes, dentro e fora do rock. "Estamos falando de pessoas como Dave Grohl, Moby, toda essa gente que, na época, estava prestando atenção no que estávamos fazendo. Isso é muito especial", disse.
O baterista reconheceu que "nem todos amam" o "Roots", mas que o álbum foi "necessário" para aqueles tempos. "Há pessoas que acham que não é o nosso melhor disco - acham que é 'Arise' (1991) ou 'Beneath the Remains' (1989) -, mas 'Roots' foi um disco necessário para a época, onde forçamos os limites da música. A partir dali, influenciamos muitas bandas a buscarem suas raízes. Até bandas de black metal norueguês começaram a fazer coisas com as raízes deles. Foi um grande passo na direção certa de quebrar barreiras e ter pessoas de mente mais aberta", afirmou.
Vale lembrar que "Roots" foi o último álbum com Max Cavalera no comando do Sepultura, tendo sua vaga ocupada por Derrick Green. Iggor Cavalera, por sua vez, permaneceu na formação até 2006, gravando os discos de estúdio "Against" (1998), "Nation" (2001), "Roorback" (2003) e "Dante XXI" (2006).
A entrevista completa de Iggor pode ser ouvida, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
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