Max Cavalera reforça que saída do Sepultura não foi por causa de Gloria e conta motivo
Por Igor Miranda
Fonte: Kerrang!
Postado em 11 de julho de 2020
O vocalista e guitarrista Max Cavalera refletiu, em entrevista à "Kerrang!", sobre sua saída do Sepultura, em 1996. O músico negou que tenha deixado a banda após os outros integrantes desejarem demitir a esposa dele, Gloria Cavalera, que havia acabado de perder o filho, Dana, em um acidente de carro.
O assunto veio à tona quando o entrevistador perguntou se Max acha que a saída dele do Sepultura seria ainda mais complicada hoje em dia, com as reações nas redes sociais. "Não sei, seria diferente", respondeu. "Haveria bem mais conversa sobre isso, para começar. Na época, muitas pessoas nem sabiam que eu havia saído. Eu escrevi uma carta e enviei para revistas explicando por que eu estava saindo e, até hoje, não entendem direito", completou.
Max, então, explicou o motivo de sua saída em sua visão. "Falam que eu saí porque Gloria foi demitida e isso é besteira. Isso nunca aconteceu de verdade. O contrato dela já havia acabado. Eu saí porque eles queriam coisas que não tinham a ver com a gente - grandes empresários de Los Angeles e coisas de rockstar que eu nunca achei que precisássemos", afirmou.
O músico destacou que nunca sonhou em "ter coisas de rockstar". "Até hoje, não dou a mínima para isso. Minhas músicas não estão nas rádios e isso não me incomoda nem um pouco. Não componho para isso. Eu digo que Grammy é como hemorroida: eventualmente, todo c*zão ganha um. Cabe a você. Sua carreira depende de você. Algumas pessoas ficam cegas por isso. Fazem de tudo em busca disso. Não sou desse tipo. Não sonho em ter mansões e dirigir carrões. Gosto de gastar dinheiro em fones de ouvido e em música. Não tenho esse problema", disse.
Em seguida, o entrevistador lembrou que Max Cavalera fez uma turnê recente tocando músicas de outro projeto paralelo, o Nailbomb, para casas de shows bem modestas - "o oposto dos grandes shows com Soulfly e Sepultura", apontou o jornalista. Max ponderou: "Tocar para 200 pessoas por noite com o Nailbomb foi fantástico. As pessoas perguntam: 'você já fez esses shows grandes todos, por que vir a esse clube?'. Mas é exatamente por isso - fiz grandes shows e gosto de voltar a esses locais pequenos. Eles são o coração disso e é por isso que eu gosto de metal".
De acordo com Max, sua paixão pela música tem a ver com o que a própria música oferece a ele. "Nunca estivemos nessa por dinheiro, mulheres ou fama. Fico até feliz que o rompimento com o Sepultura tenha acontecido e que eu tive de recomeçar com o Soulfly. Foi ótimo para a minha carreira poder voltar e começar de novo. Isso garantiu que minha música permanecesse consistente, não tive que me vender. A raiva no primeiro álbum do Soulfly, autointitulado, é real", afirmou.
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