Os questionamentos de Rita Lee sobre a AIDS em 1987
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de abril de 2025
Nos anos 1980, Rita Lee já havia consolidado seu nome como a grande figura feminina do rock brasileiro. Após deixar Os Mutantes no início da década de 1970, a cantora seguiu carreira solo, formou o grupo Tutti Frutti e acumulou hits que a tornaram sinônimo de irreverência e criatividade. Longe de se prender ao passado, Rita se reinventava, musicalmente e pessoalmente, em meio às transformações culturais e políticas do país.
Em julho de 1987, em entrevista à revista Bizz, a artista abordou um dos temas mais delicados daquela década: a epidemia da AIDS. Sem filtros, Rita expressou suas angústias e percepções sobre a doença que se espalhava pelo mundo, ainda envolta em desinformação, preconceito e medo.

"A cara de 1987, a cara do apocalipse, a cara de Nostradamus, a cara da Peste Negra", disse, referindo-se ao impacto da AIDS naquele momento. Para ela, o amor precisava ser vivido com mais atenção: "É uma coisa que deveria ser levada pelo coração. Mas agora você tem que ter um pouco da razão toda hora que for fazer amor com um parceiro diferente."
A cantora também ironizou a origem da doença e não poupou críticas: "Aquela teoria de que a AIDS foi fabricada em laboratório eu não dispenso. Para mim faz muito mais sentido do que o coitadinho do macaco verde lá da África..."
Com a mesma franqueza que marcou sua trajetória, Rita condenou a homofobia crescente que acompanhava a crise sanitária. "E a discriminação que surgiu, da coisa gay, quando eu acho que esse lado gay é um benefício para a humanidade, no sentido de controle populacional. Tem que existir a coisa gay, existe entre os animais...", afirmou, indo na contramão do conservadorismo predominante.
Sem deixar de tocar em assuntos espinhosos, a artista também denunciou o moralismo de parte da sociedade: "Vi também aquela coisa de moral, aquela moral pobre das pessoas que aproveitam uma situação para atacar qualquer um. É terrível! Estamos vivendo em plena ficção científica..."
Rita Lee e AIDS
Na década de 1980, enquanto o Brasil respirava os ares da redemocratização, começava também a enfrentar os primeiros impactos da epidemia de HIV/Aids. De acordo com matéria do UOL, poucos artistas abordaram o tema em suas obras, mas Rita Lee foi uma exceção.
Em 1986, ela lançou "Vírus do Amor", canção que, com leveza e irreverência, humanizou o HIV em meio ao medo e ao moralismo da época. Doze anos depois, em 1998, Rita voltou ao tema com "O Gosto do Azedo", desta vez em parceria com seu filho Beto Lee. A canção refletia a dureza do período mais mortal da epidemia e mencionava diretamente o vírus.
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