Ricardo Confessori cobra coerência do Sepultura e alerta para erro na turnê de despedida
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de abril de 2026
O Sepultura está na estrada com sua anunciada turnê de despedida, apresentada como o capítulo final de uma das trajetórias mais importantes do metal brasileiro. Desde o anúncio, a excursão vem sendo tratada como um grande rito de encerramento para uma banda que ajudou a projetar o nome do Brasil no heavy metal mundial e influenciou gerações dentro e fora do país.
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É justamente por causa desse peso histórico que Ricardo Confessori avalia que o grupo precisa agir com clareza até o fim desse processo. Para o baterista, há um erro que a banda não pode cometer: transformar a despedida em discurso sem consequência prática.
Confessori, conhecido por passagens por bandas como Angra e Shaman e por sua longa atuação no metal nacional, deu sua opinião em entrevista ao Ibagenscast. Na conversa, ele criticou não só a lógica de turnês comemorativas em excesso, mas também o risco de usar o apelo de uma "farewell tour" sem compromisso real com a ideia de encerramento. Para ele, esse tipo de postura desgasta a credibilidade do artista diante do público.
Ricardo Confessori e a despedida do Sepultura
Ao falar sobre o assunto, o músico foi direto. "Acho que já deu, né, cara? Já deu", afirmou, ao comentar o acúmulo de celebrações e efemérides no rock. Em seguida, sugeriu um formato mais pontual para esse tipo de homenagem: "Isso aí precisa fazer uma turnê, né? Só lembrar ali, ó. Pô, que legal. Estamos comemorando. Faz um show, de repente, um, né? Tá legal". Na avaliação dele, quando esse expediente se torna frequente demais, perde força. "Já virou um pouco de… como é que se fala? Muleta, né? Muleta para ter assunto e tal".
Foi ao entrar no caso específico do Sepultura que o tom ficou mais duro. Confessori disse ter visto declarações sobre a possibilidade de a banda continuar mesmo depois da turnê de despedida e apontou o problema disso. "Os fãs também não são idiotas, né, cara? Você ficar falando 'farewell tour' e depois não fazer, né? Despedida, tal. Então, tem que ter um mínimo de coerência, cara. É só isso que eu falo". A crítica dele não é à realização da turnê em si, mas à hipótese de que o discurso do adeus seja usado como ferramenta promocional sem que a decisão seja levada até o fim.
Na mesma entrevista, Confessori ampliou o raciocínio e ligou essa questão ao excesso de nostalgia que, segundo ele, domina o mercado brasileiro. Para o baterista, há uma tendência forte de prender bandas e artistas ao passado, em vez de abrir espaço para caminhos novos. "Pensar para frente, né? Pensar no novo", resumiu. Na visão dele, parte do público ainda reage mal a material inédito e prefere ouvir sempre o repertório antigo, o que empurra os músicos para uma repetição permanente de fórmulas.
Essa crítica apareceu de forma bem-humorada, mas incisiva, quando ele comentou a resistência a novidades. "Na verdade, não é que eles não querem escutar coisa nova, eles não querem escutar coisa nova de você", disse, entre risos. Depois, comparou com bandas e projetos internacionais formados após o fim de grupos consagrados, argumentando que o público estrangeiro costuma aceitar melhor novas propostas. A ideia central, para ele, é que o rock precisa deixar de depender tanto da saudade como motor principal.
Confira a entrevista completa abaixo.
Sepultura anuncia turnê de despedida
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