Brasileiros superestimam o Sepultura? Canal disseca mudança do show de despedida
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de setembro de 2026
A despedida do Sepultura marcada para 7 de novembro de 2026 deixou o Pacaembu e foi transferida para uma casa de shows fechada na zona sul de São Paulo, com capacidade para cerca de 9 mil pessoas. A mudança representa um corte de 70% no público previsto originalmente, estimado em 40 mil pagantes. O assunto virou tema de um vídeo do canal Mas isso na minha opinião, que trata a alteração menos como fracasso e mais como ajuste inevitável de expectativa.
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O ponto central da análise é a diferença entre reverência histórica e desempenho comercial. O canal reconhece o feito de quatro garotos de Belo Horizonte criarem nos anos 1980, sem internet e sem dinheiro, uma sonoridade que influenciou o thrash, o groove metal e até o nu metal mundo afora. A ressalva vem logo em seguida:
"O problema aqui é quando a gente confunde impacto cultural e respeito artístico com a capacidade de continuar vendendo bilheteria em estádio. Tem gente que diz que o Sepultura dos anos 90 era uma banda tão, mas tão grande, que eles eram praticamente do tamanho das maiores bandas de metal do mundo."
Os números de vendas ajudam a explicar por que essa percepção se formou. "Beneath the Remains", de 1989, passou de 600 mil cópias e abriu as portas do circuito internacional. "Arise" superou 1 milhão de unidades e rendeu disco de ouro na Indonésia e prata no Reino Unido. Já "Chaos A.D." e "Roots" ultrapassaram 2 milhões de cópias cada um e conquistaram ouro nos Estados Unidos, além de clipes na MTV e capas em publicações como Kerrang! e Metal Hammer.
Vender disco, porém, nunca foi sinônimo de encher estádio sozinho. Segundo o canal, as turnês próprias do grupo nos anos 1990 aconteciam em clubes, teatros e auditórios com capacidade entre mil e 4 mil pessoas, com ingressos na faixa de 15 a 25 dólares. As grandes plateias de 100 mil espectadores que o público brasileiro via na televisão eram festivais multinacionais, como o Dynamo Open Air e o Hollywood Rock. Nas raras arenas americanas, a banda entrava como atração de abertura.
Para dimensionar o que separa um show de casa cheia de um evento de estádio, o vídeo recorre à comparação com o Linkin Park no Allianz Parque. Ali pesaram dois fatores ausentes na despedida brasileira: urgência e novidade. O retorno após sete anos de silêncio, a morte de Chester Bennington e a chegada de uma nova vocalista criaram a sensação de acontecimento irrepetível, e os ingressos desapareceram em menos de uma hora. A turnê de adeus do Sepultura, ao contrário, já passou por várias capitais e diluiu esse efeito.
Há ainda a questão das escalas do mercado ao vivo. No topo ficam Metallica, Iron Maiden e AC/DC, capazes de reunir de 40 mil a 80 mil pagantes; um degrau abaixo aparecem nomes de arena como Gojira e Lamb of God; e, na faixa de teatros e casas de show, o canal posiciona Testament, Anthrax, Cannibal Corpse e o próprio Sepultura pós-1996. A Live Nation calcula que o metal responde hoje por apenas 13% dos shows de arena e estádio no mundo.
O gatilho que poderia furar esse teto dependia da volta de Max e Igor Cavalera, negociação que fracassou. Andreas Kisser telefonou para Igor por volta de 2024 e ouviu uma recusa educada, seguida de resposta negativa dos representantes de Max. Sem a reunião clássica, resta a conclusão do vídeo:
"O Sepultura não merecia tocar num estádio vazio na despedida deles. Na verdade, eles precisam de uma casa cheia, com som alto e com o público certo curtindo nesse momento. E assim eles vão fazer uma despedida honesta, que conversa de um jeito coerente com o lugar em que o Sepultura chega para esse show."
Confira o vídeo completo abaixo.
Sepultura anuncia o último show da carreira
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