5 discos para conhecer o hardcore dos anos 1990 segundo a Metal Hammer
Por João Renato Alves
Postado em 19 de setembro de 2026
Nos anos 1990, o hardcore se desenvolveu e criou várias vertentes, que iam do público adepto a um som mais melódico até os fãs do metal. Pensando nisso, a Metal Hammer elaborou uma lista com 5 álbuns que mostram as paralelas evoluções do movimento. Confira as escolhas com os devidos comentários da revista britânica para cada disco.
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Earth Crisis – Firestorm (1993): Ok, não se trata de um álbum completo, mas acompanhe o raciocínio: com apenas 15 minutos de duração e quatro faixas, é difícil hoje em dia compreender plenamente o quão revolucionário foi o segundo EP do Earth Crisis - grupo de Syracuse, Nova York - na época de seu lançamento. "Firestorm" trouxe para o primeiro plano de sua sonoridade influências do metal com as quais a banda já havia flertado anteriormente; outras bandas como Agnostic Front, Cro-Mags e Integrity também haviam explorado esse caminho, mas nenhuma delas acertou em cheio como o Earth Crisis fez aqui. O verdadeiro legado de "Firestorm", no entanto, reside nas letras de Karl Buechner e no compromisso militante - e muitas vezes ferozmente violento - da banda com o movimento straight edge. O trabalho despertou a aversão de alguns na cena hardcore, mas inspirou profundamente outros devido à sua sonoridade extrema, impulsionando a ascensão e a mudança de mentalidade do movimento straight edge moderno. Ame ou odeie, "Firestorm" é tão influente quanto controverso.
Sick of It All – Scratch the Surface (1994): A ideia de uma banda de hardcore autêntica e fiel às suas raízes assinando com uma grande gravadora teria sido considerada pura fantasia nos anos 80; por isso, a contratação das lendas do NYHC, Sick of It All, pela East West (selo da Warner) e o lançamento deste álbum em 1994 demonstraram o quanto a mentalidade em relação ao gênero estava mudando. Muita gente torceu o nariz, e alguns fãs de hardcore chegaram a questionar se a banda cederia à pressão da nova gravadora para criar um álbum com sonoridade semelhante à do Green Day. Mas não havia motivo para preocupação: "Scratch the Surface" era mais pesado e rápido, trazendo algumas das músicas mais icônicas da banda, como a faixa-título, "Maladjusted" e, claro, o verdadeiro grito de guerra "Step Down" - promovida com aquele que é, possivelmente, o videoclipe de hardcore mais famoso de todos os tempos.
CIV – Set Your Goals (1995): O movimento youth crew do final dos anos 80 trouxe uma dose muito necessária de melodia e positividade ao hardcore; por isso, quando integrantes de bandas extremamente influentes, como Gorilla Biscuits e Youth of Today, se uniram para formar o CIV, as expectativas eram altas. O álbum de estreia, "Set Your Goals" (1995), estava à altura de qualquer trabalho anterior dos músicos, combinando o ritmo do punk, refrões explosivos e feitos para serem cantados em coro, e uma melodia com toques pop que soava incrivelmente inovadora na época. Embora a banda nunca tenha lançado nada que chegasse perto da qualidade desse disco, as sementes do boom do melodic hardcore - que revelaria nomes como H2O, Strike Anywhere, Avail, As Friends Rust e outros - já podiam ser ouvidas em faixas de peso como "Can't Wait One Minute More", "Boring Summer" e "So Far, So Good... So What".
Hatebreed – Satisfaction Is The Death Of Desire (1997): O Hatebreed viria a se tornar a banda que levou o hardcore a um público mais amplo e mainstream do que qualquer outro artista anterior. Após lançar apenas um EP, o grupo liderado por Jamey Jasta assinou com a Victory Records - então a maior gravadora do gênero -, e "Satisfaction..." acabou vendendo mais cópias do que qualquer outro álbum de estreia na história da empresa. Isso rendeu ao Hatebreed convites para abrir turnês de bandas como Slayer, Slipknot, Napalm Death e outras, apresentando o hardcore a um público totalmente novo. Nada disso teria sido possível sem faixas avassaladoras como "Empty Promises" ou "Before Dishonor"; quando a banda retornou com "Perseverance", em 2002, já havia alcançado o estrelato. Não foi apenas um grande álbum: foi um trabalho que rompeu todas as barreiras.
Botch – We Are the Romans (1999): Ao longo da década de 1990, o hardcore foi sendo moldado em diversas formas inusitadas. Bandas como Converge, Coalesce, Deadguy, Shai Hulud e Cave In incorporavam influências de metal alternativo, compassos irregulares, grindcore e jazz ao gênero, muitas vezes com resultados extremamente empolgantes. No entanto, se houve uma banda considerada a melhor entre esses artistas pelos seus próprios pares, foi o quarteto Botch, de Tacoma, Washington. Seu segundo álbum, "We Are the Romans", é justamente considerado um marco de excelência para qualquer banda que trabalhe com música pesada de extrema complexidade e imprevisibilidade; faixas como "Saint Matthew Returns to the Womb", "To Our Friends in the Great White North" e "Mondrian Was a Liar" ainda soam incrivelmente brutais e instáveis quase um quarto de século após o seu lançamento. Na esteira de "We Are the Romans", surgiram imediatamente bandas como The Blood Brothers, Norma Jean, Zao e Drowningman, mas sua influência ainda pode ser ouvida hoje em bandas de hardcore consagradas da nova geração, como Vein.fm, seeyouspacecowboy, Frail Body, Show Me the Body e The Callous Daoboys.
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