De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de setembro de 2026
O último show da carreira do Sepultura, marcado para 7 de novembro, em São Paulo, trocou a Mercado Livre Arena Pacaembu, com capacidade para até 40 mil pessoas, pela Suhai Music Hall, que comporta pouco mais de 9 mil.
Sepultura - Mais Novidades
A data e os ingressos já comprados continuam valendo, assim como as participações de Krisiun, Sacred Reich e Metal Allegiance. Oficialmente, a produção não apontou a venda de ingressos como motivo, mas uma redução dessa escala dificilmente tem outra explicação.
Em análise publicada pelo site Mundo Metal, a mudança foi tratada como um choque de realidade. O site lembrou que via a escolha do estádio como um "tiro no pé" desde o anúncio.
O argumento é histórico: nem no auge dos anos 1990, com Max Cavalera nos vocais e discos como "Arise", "Chaos A.D." e "Roots", o grupo costumava planejar shows próprios no Brasil para estádios. O texto ainda compara o caso ao do Slayer, que toca em 17 de dezembro no Nubank Parque e segue com ingressos à venda.
A única virada possível, na visão do site, seria anunciar Max e Iggor Cavalera no palco, nem que fosse para algumas músicas ao lado de Andreas Kisser e Paulo Jr. A tese faz sentido no papel, mas esbarra num problema prático: Max já disse que não pretende participar. Contar com os irmãos, portanto, é apostar num cenário que nunca esteve sobre a mesa. Isso não significa que a banda estivesse sem alternativas para tornar a despedida grande o bastante para um estádio.
O que Sepultura poderia ter feito?
Uma saída seria transformar o adeus num evento nos moldes do Back to the Beginning, a despedida de Ozzy Osbourne e do Black Sabbath em Birmingham, em 2025, que reuniu uma constelação de convidados. O Sepultura tem trânsito entre os grandes nomes do metal mundial e poderia oferecer encontros únicos, como o Anthrax tocando "Roots Bloody Roots" ou Corey Taylor dividindo "Ratamahatta" com a banda. Mesmo sem esse formato, um elenco de abertura mais forte ajudaria. Os nomes confirmados têm peso, mas um estádio pede atrações ainda maiores.
Outro erro foi jogar contra o próprio legado. Em apresentações recentes, como a do Rock in Rio, a banda anunciou que tocaria apenas músicas da era Derrick Green, justamente quando a despedida pedia o movimento inverso.
Um repertório de clássicos, com convites a ex-integrantes que quisessem subir ao palco ou que ao menos nunca se opuseram a um reencontro, também daria ao público um motivo a mais para comprar o ingresso. A formação atual tem história própria, mas boa parte do fã capaz de lotar o Pacaembu foi conquistada em outra fase.
Há ainda a questão do formato. Uma turnê de despedida tão extensa dilui o fator surpresa, porque, quando o último show finalmente chega, parte do público já teve a chance de dizer adeus em outras datas. Uma alternativa seria encerrar as atividades, ficar em hiato por pelo menos cinco anos e voltar apostando na nostalgia, como fizeram o NX Zero e, de certa forma, os Titãs. A saudade costuma vender mais ingresso do que um adeus anunciado com tanta antecedência.
Nada disso diminui o tamanho do Sepultura, a maior banda de metal do Brasil e uma das poucas do país com relevância mundial. Uma Suhai Music Hall lotada pode render uma noite mais intensa do que um estádio com clarões na arquibancada, ponto que o próprio Mundo Metal também reconhece. Ainda assim, a troca de endereço deixa a sensação de que a despedida foi dimensionada pela ambição, e não por uma estratégia capaz de sustentá-la.
Sepultura anuncia o último show da carreira
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Elton John mantém tradição de tocar hit que "só é conhecido no Brasil" com show no Rock In Rio
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
O melhor baterista de todos os tempos, segundo Lito Sousa, do Aviões e Músicas
Os clássicos da literatura que Nando Reis não suporta: "Esse cara é antipático"
A música que coloca Elton John no topo do Rock in Rio 2026, segundo Estadão
"Foi adorável": Ian Gillan fala sobre reencontro do Deep Purple com Ritchie Blackmore
Músicos do Mastodon são processados por uso da imagem de Brent Hinds
Angra celebra a força dos palcos em novo videoclipe de "Lisbon"
De AC/DC a ZZ Top, os 20 melhores discos lançados em 1981, segundo a Louder
O melhor álbum de hard rock de cada ano dos anos 2000, segundo a Loudwire
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer
A música que marcou o fim do auge do Oasis, segundo o Noel Gallagher
Em trecho de nova biografia, Dave Mustaine fala sobre demissão de David Ellefson do Megadeth
A banda amaldiçoada por ter feito um dos maiores hits da história, segundo Regis Tadeu
Divulgados os valores dos ingressos do último show do Sepultura
Sepultura anuncia primeiros convidados do show de despedida
Como era o mundo do metal quando ocorreram os atentados de 11 de setembro, há 25 anos
João Nogueira, do Mastodon crava veredicto sobre a discografia inteira do Sepultura
De Sepultura a Madonna, os melhores discos lançados em 1986, segundo Scott Ian
O álbum do Sepultura que influenciou o lendário Glenn Tipton do Judas Priest
Max Cavalera homenageia o irmão Iggor e afirma que eles "mudaram o mundo juntos"


