Policial que matou assassino de Dimebag Darrell compartilha memórias da noite
Por João Renato Alves
Postado em 30 de agosto de 2026
James Niggemeyer, ex-policial de Columbus, Ohio, concedeu entrevista ao podcast Today's Boondoggle. Ele é reconhecido por ter salvado vidas na noite de 8 de dezembro de 2004 ao entrar sozinho em uma casa noturna local e abater um atirador transtornado que havia matado quatro pessoas, incluindo o guitarrista do Pantera e do Damageplan, "Dimebag" Darrell Abbot.
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Durante a conversa, ele falou sobre o incidente que encerrou sua carreira, decisão tomada em grande parte devido ao impacto emocional daquela noite. James continuou atuando no patrulhamento por três anos após o ocorrido. Mais tarde, a cidade acabou decidindo, com base em recomendações médicas, que ele não deveria mais atuar na linha de frente do atendimento a ocorrências, sendo transferido para a divisão de roubos e passando a atuar como detetive.
"Quando surgiu o chamado sobre um atirador ativo na Alrosa Villa, eu já tinha saído da subestação. O chamado foi feito pouco antes das 22h15. Eu trabalhava das 22h às 6h; fazíamos a chamada às 22h, depois íamos preparar nossas viaturas e sair para o patrulhamento. Minha área de atuação naquele distrito policial era a mais distante da subestação, então eu geralmente tentava sair mais cedo, já que tinha o trajeto mais longo. Por isso, fui o primeiro a sair da subestação naquele dia, quando o chamado foi emitido. Levava uma espingarda Remington 870 na minha viatura. Tinha uma das duas únicas viaturas equipadas com ela, pois minha área era mais rural - tínhamos acidentes envolvendo colisões com cervos, situações em que era preciso sacrificar o animal, por exemplo -, ao passo que, nas áreas mais urbanas, não havia essa necessidade. A Remington 870 era o mesmo modelo de espingarda que eu usava para caçar desde os 12 anos de idade. Eu conhecia aquela arma como a palma da minha mão. Muita gente me pergunta: 'Por que você usou uma espingarda em vez da sua pistola?' Bom, primeiro, porque tenho mais familiaridade com a espingarda e, segundo, porque tenho melhor pontaria com ela. Essa é uma pergunta que me fazem com frequência."
Niggemeyer continuou: "Quando cheguei e era o único policial no local, havia fãs me indicando para onde ir. Eu nunca tinha estado no Alrosa na vida, então não conhecia o layout do lugar. Mas, quando entrei pela porta dos fundos - para onde haviam me indicado ir - e vi o refém lá dentro, ou melhor, o suspeito mantendo alguém como refém... Nós não sabíamos que ele estava mantendo um refém; essa informação não havia sido transmitida pelo rádio. Ele ainda estava com a arma, agitando-a e coisas do tipo. Decidi avançar e entrei sorrateiramente naquele momento. Somando a experiência de uma vida inteira de caça ao treinamento militar e policial, foi como se tudo o que eu havia vivido convergisse para aquele instante.
A gente ouve falar em 'visão de túnel', e era verdade: eu tive uma verdadeira visão de túnel. Literalmente, tudo estava escuro, exceto pelo suspeito e pelo refém. Foi uma verdadeira visão de túnel. Literalmente não ouvia nem via mais nada. Nem sei dizer o que as pessoas estavam gritando. Então, acho que foi uma combinação de tudo. No departamento de polícia, tínhamos feito um treinamento para situações de atirador ativo apenas alguns meses antes. Claro, aquele treinamento foi realizado em grupos de quatro pessoas, não individualmente. Mas não sei se a situação teria sido diferente se ele não estivesse mantendo um refém. Como ele estava mantendo um refém - e o mantinha em uma gravata (mata-leão) -, senti que não podia ficar parado esperando reforços. Então, sim, foi o resultado de toda uma vida de experiências. E eu conhecia muito bem aquela arma e do que ela era capaz."
Questionado sobre quando descobriu a identidade do músico morto naquela noite e se já tinha noção do impacto de Dimebag no mundo da música, James respondeu: "Só descobri depois, porque, como disse, tínhamos acabado de sair da chamada de serviço e eu nunca tinha estado lá. Não sabia quem estava tocando. Temos várias casas de shows diferentes em Columbus, então sempre tem alguém tocando em algum lugar. Naquela hora, eu não fazia ideia. Claro que já tinha ouvido falar do Pantera. Muita gente me pergunta se eu era fã. Cresci no meio da música country - o que minha família ouvia, meu pai, meus avós - e o que chamo de rock clássico: AC/DC, Scorpions, Foreigner, além de rock dos anos 80 e 90.
Nunca fui fã de metal, mas conhecia o Pantera, o Metallica, coisas do tipo. Quando tudo acabou, um policial pegou minha arma como prova, fui levado para uma viatura e depois retirado do local. Acho que não fiquei na cena do crime por mais de dois minutos depois que tudo terminou. Só fui descobrir quem tinha levado o tiro naquela noite, diria eu, talvez meia hora depois do incidente. Ouvi a informação pelas comunicações de rádio. E aí, claro, todos nós tínhamos celulares e tal, a notícia estava sendo divulgada no mundo todo. Então, não fazia ideia até, talvez, meia hora depois."
Sobre como sua vida mudou nas duas décadas desde o incidente, James disse: "Olha, vou lhe dizer uma coisa - algo que costumo dizer a muita gente: eu já tinha visto algumas coisas no exército. Infelizmente, quando estávamos no NTC treinando para o Oriente Médio, vi um tanque passar por cima de um Humvee e, infelizmente, esmagar o motorista. Mas eu não estava diretamente envolvido; vi tudo à distância. Na polícia, atendi muitas ocorrências - pessoas baleadas, mortas, suicídios, acidentes de carro, coisas desse tipo; eu já tinha visto tudo isso, mas nunca estive diretamente envolvido. Aquela foi a primeira vez que precisei tirar a vida de alguém - você não sabe como isso vai te afetar.
As pessoas podem dizer o que quiserem, mas são pouquíssimas as que já passaram por algo assim, seja em combate ou na polícia. Mas fui hospitalizado por causa de ataques de pânico. O que mais me afetou foram os ataques de pânico e, depois, os pesadelos constantes. Levei muito tempo... meu cérebro simplesmente não desligava. Médicos tentaram várias coisas diferentes para resolver isso... Eu estava lá, num dia normal, como agora conversando com você, e de repente entrava em um ataque de pânico severo; não conseguia respirar. Então, isso me afetou mentalmente, mas também fisicamente, a ponto de o departamento me aposentar por invalidez.
Pois é, isso acabou com a minha carreira - algo que eu fazia, e que todos dizem que fazia muito bem, acabou encerrando minha carreira. Mas não me arrependo nem por um minuto. Fico feliz por ter conseguido detê-lo antes que mais pessoas se ferissem. Mas, certamente... isso fez minha vida entrar numa espiral descendente. Só que faz parte do trabalho. Você aceita ao entrar na profissão. Acho que a gente só tem que lidar com isso."
Nathan Gale, um ex-fuzileiro naval de 25 anos diagnosticado com esquizofrenia paranoide, assassinou quatro pessoas no total e feriu outras três antes de ser morto por James. Além de Dimebag, 38 anos, morreram Jeffrey "Mayhem" Thompson (40 anos), chefe de segurança do Damageplan; Erin Aaron Halk (29 anos), funcionário do Alrosa Villa; e Natha Bray (23 anos), fã presente no show.
Morte de Dimebag Darrell
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