Jornalista rastreia os elogios ao Rock in Rio e diz ter encontrado um padrão estranho
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de setembro de 2026
O jornalista Ricardo Luiz Feltrim da Silva afirmou ter apurado que parte dos elogios ao Rock in Rio nas redes sociais não vem de público pagante. Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, ele contou que passou a acompanhar quem esteve na Cidade do Rock durante a edição encerrada em 5 de setembro e se surpreendeu com o desequilíbrio entre o volume de reclamações e a euforia de um grupo pequeno de perfis. Segundo o jornalista, esse grupo é formado sobretudo por influenciadores que receberam cortesias.

"Não sei se vocês sabem, existe hoje indústrias de elogio e de ataques na internet. Existem hoje empresas, fazendas ou escritórios para elogiar ou destruir pessoas, causas e empresas, atendimentos, serviços, tudo. E aí eu comecei a achar estranho, porque eu comecei a seguir todas as pessoas que estão indo ao Rock in Rio, e a quantidade de queixas e reclamações esse ano é um negócio assombroso", disse. Ele afirmou que os perfis entusiasmados representam entre 5% e 10% do que circulou.
A suspeita de automação apareceu logo depois. Feltrim relatou que, ao abrir vídeos com críticas ao festival, encontrava respostas em defesa do evento poucos segundos após a publicação, quase sempre vindas de contas fechadas e com pouquíssimas postagens. "Há indícios, não estou falando que há, mas há sérios indícios, que tem robôs, os famosos chatbots, entrando em críticas do Rock in Rio", declarou. As queixas que ele exibiu tratavam de lama, filas para banheiro e alimentação, ausência de capa de chuva e preço do ingresso - uma delas partiu de uma espectadora que classificou a infraestrutura como insalubre.
Entre os casos mostrados, um morador da Barra Olímpica relatou o bloqueio de vias a partir das 14 horas nos dias de festival, com cadastro prévio obrigatório de veículos e restrição para receber visitas de carro em casa. Feltrim tratou o ponto como um conflito entre um evento de iniciativa privada e o direito de ir e vir. Outro vídeo comentava a fila de público acima de 60 anos no dia de Elton John, ponto que o jornalista relativizou por causa da meia-entrada.
O contraste com a área VIP ocupou boa parte do vídeo. Feltrim reproduziu a descrição de uma influenciadora sobre os mais de 4.500 m² de varandas em níveis diferentes, as cerca de 70 toneladas de alimentos servidas ao longo do festival e o acesso vendido por R$ 3.300 a integrantes do Rock in Rio Club. Para ele, o problema não é falar do camarote, e sim não informar se o ingresso foi comprado ou ganho. "Claro, você está num lugar coberto que aguenta chuva, banheiro, champanhe, e está falando que é maravilhoso o evento, mas é só o seu umbigo que está maravilhoso", afirmou.
O jornalista também deu espaço a uma leitura financeira do festival, feita por outra usuária e endossada por ele: a maior parte do dinheiro movimentado não passaria pela bilheteria, e sim por maquininhas e Pix dentro do evento, em cerveja, hambúrguer, camiseta e estacionamento. Feltrim mencionou relatos de instabilidade no Pix durante o festival e levantou a hipótese de disputa por comissionamento entre bandeiras de cartão. Ele lembrou ainda que Roberto Medina construiu o modelo em 1985 ao vender juventude, e não música, às marcas - hoje, mais de 100 ativações espalhadas pela Cidade do Rock.
Apesar da crítica, Feltrim reconheceu o peso histórico da família Medina, que segundo ele dividiu o rock brasileiro em antes e depois, num país que só tinha visto grandes nomes de forma esparsa nos anos 70. A comparação com o Festival de Águas Claras, em Iacanga, que ele frequentou em 1981, serviu para marcar a diferença de valores cobrados. "Você pagou para ter uma experiência, você não gostou da experiência e, se você reclamar, vem gente te atacar ou te criticar, ou morrendo de inveja porque você está lá e não gostou. Eu acho que ir num lugar desse e não poder reclamar é a mesma coisa que pagar 50 pau no ingresso de cinema e ficar um idiota do seu lado checando o WhatsApp da família. Eu reclamo mesmo", disse.
Confira o vídeo completo abaixo.
Rock In Rio 2026
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