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Deep Purple: O Rock vive e muito bem neste disco

Resenha - InFinite - Deep Purple

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Por Jeff Soares
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9

Sempre quando o Deep Purple anuncia que irá lançar um novo trabalho fico tomado de certa ansiedade, quando foi falado em ser o último fiquei apreensivo, afinal é a minha banda predileta, mas pensando bem essa hora irá chegar muito em breve. Deep Purple para mim é uma entidade absoluta do Rock e tudo que foi feito pela banda merece ser ouvido e digerido com respeito. O Purple não é qualquer coisa, merece um pouco mais desse respeito assim como Led Zeppelin e Black Sabbath o tem, a banda não se corresponde acentuadamente com a mídia e muitas vezes sofre as consequências disso, além disso, as viúvas de Blackmore ainda mantém sua postura saudosista. Mas a banda não parou no tempo e busca se reinventar a cada disco.

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Mas vamos ao que interessa, InFinite o novo álbum da banda nos traz elementos mais homogêneos, uma banda mais conectada e com composições mais voltadas ao tempo que a consagrou. Trata - se de um long play curto e que deixa um gosto de quero mais.

1 - Time For Bedlam

Foi o primeiro single do álbum e teve uma excelente aprovação do público. Com um clima obscuro, Gillan começa uma espécie de canto gregoriano praticamente falado até o momento em que o instrumental explode para tomar conta da faixa. Riffs e licks de guitarra são muito bem executados, além do solo intercalado entre o Hammond de Don Airey e a guita de Steve Morse. A cozinha está cada vez mais afinada, o baixo de Roger Glover e a bateria de Ian Paice (que ainda não se recuperou totalmente de um AVC sofrido ano passado) estão impecáveis. A guitarra de Morse tem lampejos de Blackmore, como eu disse, apenas lampejos, nada que descaracterize a linha de Steve. Destaque para o refrão, daqueles que ficam trabalhando na sua mente.

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2 - Hip Boots

Aquela pegada clássica do Deep Purple, riff bluseiro da melhor qualidade, um ótimo refrão que vai funcionar bem ao vivo.

3 - All I Got Is You

Segundo single de InFinite, uma canção orquestrada, romântica em alguns momentos. Com riffs bem elaborados, transmite muita emoção e um clima de despedida. Gillan se caracteriza por sua voz estar mais suavizada e por cantar o refrão apenas uma vez. Destaque para Don Airey com um solo aparentemente construído em um Moog como nos anos 70, dando um clima bem progressivo na canção. Um ótimo trabalho.

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4 - One Night In Vegas

Aqui a primeira surpresa, a faixa tem uma pegada que lembra muito a MKIII nas épocas de Stormbringer e MKIV de The Come Taste The Band, épocas que Gillan não se relaciona muito bem. One Night In Vegas tem uma linha cadenciada pelo groove soul do hammond e da bateria, o que lembra o som feito em Stormbringer (será que estou louco?), por vezes a guitarra soa como a guitarra de Tommy Bolin, como disse em relação a primeira faixa, lembra vagamente. Uma boa canção e que ao vivo deve tomar grandes proporções.

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5 - Get Me Outta Here

Mais um som com uma pegada bluseira, mas com riffs mais pesados, Gillan usa um falsete em um dos refrões, algo que não fazia a muito anos, ficou muito interessante e lembra as épocas áureas do grupo, mas usou uma vez só, podia ter explorado mais vezes na minha opinião. A voz de Gillan é uma grande controvérsia entre os fãs, mas para mim ele está sendo honesto em sua performance, não adianta forçar uma situação sabendo que não poderá cumprir. Mais uma excelente canção.

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6 - The Surprising

Sem sombra de dúvida a melhor faixa do álbum e realmente a grande surpresa. Começa com um clima obscuro e melancólico, quase aparentando ser uma balada, que de repente se transforma em uma música poderosa, com a bateria de Ian Paice fazendo um trabalho de excelência, uma canção épica pra ser mais exato. O destaque maior vai para o riff de hammond de Don Airey que na minha opinião deveria ser melhor utilizado na canção, ele é poderoso demais, me remete a coisas do oriente, da música egípcia, um grande momento do disco. Uma faixa progressiva da melhor qualidade e mostrando que a banda ainda tem muita criatividade. Confesso certa emoção com essa faixa.

7 - Johnny´s Band

Aquela faixa mais básica, riffs bem construídos, passagens melódicas bem feitas. Mas para mim uma faixa que remete a tantas outras da era Morse na banda. Pouco mais que mediana, no meu ponto de vista.

8 - On Top Of The World

Tem uma pegada mais divertida e mostra a banda muito bem azeitada, o que torna a faixa interessante, mas ela foi cortada em pleno solo de hammond, o que me deixou chateado. Queria ouvir mais dela, o resultado seria melhor.

9 - Birds Of Prey

Mais um som progressivo no disco, mas com um feeling muito bom, destaque para os fraseados e solo de Steve Morse que remetem às vezes ao som do YES e um vocal muito bem construído por Gillan.

10 - Roadhouse Blues

Cover de um clássico do The Doors. Feita por diversão, tem um fundamento vocal mais arrastado do que a canção original. Blues com direito a gaita tocada por Gillan e com a competência do instrumental. Não é primeira vez que alguns membros da banda gravariam The Doors, em outra ocasião Gillan já teria gravado Light My Fire e Steve Morse tocado em Touch Me em um álbum tributo a banda de Jim Morrison.

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11 - Paradise Bar

Faixa bônus que saiu no segundo EP do álbum. Ela soa como as canções de Now What?! e merece ser ouvida com cuidado. Uma boa canção, mas destoa realmente do que foi apresentado em InFinite.

Não sabemos se a banda irá realmente encerrar as atividades, mas o feedback do álbum é o melhor possível dadas as circunstâncias do momento. O Rock vive e muito bem neste disco e a banda soa excelente, talvez o que realmente impeça a banda de seguir mais adiante sejam as longas turnês e o desgaste físico. Quanto a criatividade o Purple tem e de sobra, InFinite é a prova disso, um disco bem mais pesado que Now What?! e muito melhor construído. Bob Ezrin é um produtor que mexeu nas estruturas da banda e creio que tem acertado, talvez se a banda tivesse cruzado o caminho dele mais cedo, teríamos resultados ainda maiores.

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Se tivesse que dar uma nota ao disco, daria nota 9.


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