O único instrumento que Gerson Conrad, do Secos & Molhados, era proibido de tocar
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de janeiro de 2026
Em entrevista ao canal Corredor 5, Gerson Conrad, ex-Secos & Molhados, relembrou passagens pouco conhecidas da sua infância e formação musical, incluindo uma curiosidade marcante: durante anos, ele era proibido de tocar piano dentro de casa.
Segundo Conrad, a música sempre esteve presente no ambiente familiar. "Eu nasci numa família onde a música era muito evidenciada", contou. Seu avô, Francisco Zácaro, era tenor e chegou a gravar discos na década de 1940, enquanto uma tia, pianista concertista, acompanhava os saraus realizados em casa. "Eu tenho memória de colo, de berço, ouvindo música de ópera", relembrou.
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Apesar dessa convivência intensa com a música, o piano da casa era um instrumento "proibido" para as crianças. "Tinha um piano que era proibido até os sete, oito anos de idade", explicou. O motivo era prático: "A gente não sabia tocar, ia lá dar martelada nas teclas e isso desafinava o instrumento. Afinador era caro naquela época". Mesmo assim, a curiosidade falava mais alto. "Desde os três, quatro anos eu tinha vontade de chegar perto do instrumento."
A liberação veio apenas aos sete anos, quando Gerson começou a estudar piano com a própria tia. Ele reconhece hoje a importância desse início, embora admita certo arrependimento. "Eu me arrependo um pouco de ter abandonado o estudo de piano. O piano te dá uma visão muito ampla da música, são muitas oitavas, um universo inteiro ali na tua frente."
O abandono do piano, no entanto, não significou o afastamento da música. Pelo contrário. Após um episódio marcante - quando quebrou o braço ao matar aula de piano para jogar futebol -, a mãe foi categórica. "Ela abriu todos os instrumentos de uma orquestra na minha frente e disse: 'Escolhe um que você se identifica, porque sem educação musical você não vai ficar'."
Foi nesse momento que Gerson Conrad escolheu o violão. "Eu escolhi o violão", contou. A partir daí, passou a estudar seriamente o instrumento, com formação baseada na escola espanhola, orientado por um professor que havia sido discípulo de Andrés Segovia. Esse caminho seria decisivo para sua identidade musical e, mais tarde, para o som singular que ajudaria a construir nos Secos & Molhados.
Confira a entrevista completa abaixo.
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