Cinco bandas que, sem querer, deram origem a subgêneros do rock e do metal
Por Bruce William
Postado em 29 de dezembro de 2025
A Loudwire publicou uma lista com cinco bandas que teriam ajudado a abrir caminho para subgêneros inteiros sem, necessariamente, planejar isso - mais por decisão prática, instinto e gosto do que por manifesto estético. A ideia do texto é simples: certas escolhas parecem "normais" no momento, mas viram referência quando outros músicos começam a copiar, exagerar e transformar aquilo em fórmula.
No recorte da Loudwire, o ponto de partida passa por onde quase sempre passa: o Black Sabbath. A leitura é que, no fim dos anos 1960 e começo dos 70, eles pegam blues e hard rock (coisa comum na Inglaterra daquele período), mas empurram o som para uma zona mais lenta, pesada e sombria, com riffs que soavam estranhos para a época. Aí entram ingredientes que viraram "cartilha" do metal: afinação mais baixa, timbre mais grosso, temas mais escuros, baixo acompanhando a guitarra bem colado - e uma estética que, depois, virou idioma para uma geração inteira.
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A lista também aponta o Venom como outro caso em que a intenção parecia mais "provocação e caos" do que fundação de escola. Em vez de polir, eles foram para o lado oposto: produção áspera, guitarra distorcida, vocal agressivo e uma iconografia de choque que, gostando ou não, serviu de atalho para bandas ainda mais extremas. Na narrativa da Loudwire, o efeito dominó é claro: a forma de tocar, o som sujo e a atitude ajudaram a montar o kit básico que seria reutilizado (e radicalizado) por vários subgêneros do metal extremo.

A virada do texto é que a lista não fica só no metal. Ela coloca o My Bloody Valentine como um marco de outra lógica: em vez de "riff + refrão", a guitarra vira massa sonora, volume e textura - com alavanca, camadas e afinações pouco ortodoxas criando um som em que as notas parecem derreter umas nas outras. Na prática, isso vira um modelo para o shoegaze: menos performance "na cara", mais ambiente, mais clima, mais parede de som.
No mesmo espírito de "quebrar regras sem pedir licença", a Loudwire inclui o Velvet Underground como peça-chave para o que depois seria entendido como art rock: letras sobre vida real e desconfortos cotidianos, minimalismo, repetição, ruído e uma postura que não parecia preocupada em agradar rádio. A banda não saiu dizendo "vamos inventar um gênero", mas ofereceu um jeito de fazer rock com menos maquiagem - e isso virou permissão para muita gente montar banda, simplificar e falar de assuntos que antes não cabiam na vitrine pop.

E tem Iggy Pop com os Stooges como a versão mais física e crua dessa história: canções diretas, estrutura solta, pouca firula e uma energia que parecia desafiar o "bom comportamento" do rock de palco. A Loudwire trata isso como um embrião do punk: não por estética calculada, mas por prioridade - intensidade, fricção e atitude acima de acabamento. Quando o punk virou nome, cena e uniforme, muita coisa já estava ali, só esperando alguém colar a etiqueta.

No conjunto, a lista funciona quase como um lembrete: subgênero raramente nasce com ata e carimbo. Às vezes nasce de uma afinação mais baixa aqui, uma produção mais suja ali, uma guitarra que vira textura, uma letra que fala do que "não era pra falar", um show em que a energia vale mais do que a técnica - e, quando você vê, já tem gente chamando isso de "movimento".
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