O categórico argumento de Regis Tadeu para explicar por que Jimi Hendrix não é gênio
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de dezembro de 2025
Durante uma live recente no canal de Régis Tadeu (via Cortes Crimson), com as participações de Paulo Baron e Sérgio Martins, uma afirmação provocou reação imediata no público: para Régis, Jimi Hendrix não foi um gênio - e sim um artista genial. A distinção, segundo ele, é fundamental para entender sua visão sobre criatividade, originalidade e ruptura na música.
Régis fez questão de contextualizar o raciocínio. "Eu faço uma distinção muito clara entre gênio e genial", afirmou. Segundo ele, o artista genial é aquele que "pega uma série de elementos pré-existentes, reorganiza isso de uma maneira diferente e produz uma obra acima de qualquer suspeita". Ou seja, alguém que não cria do zero, mas molda referências de forma extremamente pessoal e devolve isso ao mundo com identidade própria.

Nesse sentido, Hendrix se encaixaria perfeitamente na categoria de genial. "Jimi Hendrix, na minha opinião, não foi um gênio, foi um cara genial", disse Régis, ressaltando que a afirmação não diminui a importância do guitarrista. Ele colocou o norte-americano no mesmo grupo de nomes como The Beatles e George Martin, que, para ele, também foram geniais - e não gênios.
Para Régis, o verdadeiro gênio vai além da reorganização de influências. "O gênio é aquele que não apenas reorganiza referências, mas transforma as próprias referências", explicou. "Ele muda o ponto de partida antes mesmo de fazer o amálgama final. É um passo além." É nessa diferença conceitual que Hendrix, apesar de revolucionário, ficaria um degrau abaixo.
O crítico citou outros guitarristas para reforçar o argumento. "Assim como o Hendrix, o Eddie Van Halen e o Allan Holdsworth criaram um 'antes e depois' na guitarra", afirmou. Segundo ele, esses músicos desenvolveram linguagens novas, inquestionáveis, ainda que não tenham surgido do nada. "Ninguém cria do zero. Todo mundo tem influência", completou.
Régis também ampliou a análise para outros instrumentos, citando Jaco Pastorius, que teria criado "uma nova linguagem para o contrabaixo", e Neil Peart, responsável por uma revolução semelhante na bateria. "Esses caras, na minha opinião, são geniais no que fizeram", reforçou.
Quando o debate avançou para a definição de gênio, Régis apontou um nome específico: Prince. Para ele, o artista ultrapassou a genialidade ao dominar todos os instrumentos, absorver a tradição da música negra e transformar isso em um repertório consistente. "Tem discos inteiros gravados só por ele", destacou. "Não tem uma música do Prince que eu ache ruim."
Por fim, Régis estendeu o conceito a Frank Zappa, a quem classificou como gênio por misturar música erudita, dodecafônica, jazz e rock de forma radical. "As pessoas não dimensionam o impacto do Zappa", disse. Ao separar genialidade de genialidade absoluta, Régis Tadeu deixou claro que sua fala sobre Jimi Hendrix não é desdém, mas uma tentativa de classificar, com rigor conceitual, diferentes formas de grandeza artística.
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