O baixista que foi mais influente para Flea do que Jaco Pastorius ou qualquer outro
Por Bruce William
Postado em 31 de dezembro de 2025
Flea já citou muita gente quando o assunto é baixo, e a lista costuma misturar nomes óbvios, influências de formação e descobertas mais recentes. Por isso chama atenção quando ele próprio diz que a maior referência dele não foi Jaco Pastorius (que ele admira há anos), nem um "santo" do instrumento que todo mundo espera ouvir numa resposta dessas.
Segundo Flea, o nome que mais pesou foi o do padrasto, Walter Urban Jr. Ele contou ao Rick Beato que só foi entender isso de verdade bem tarde, enquanto escrevia o livro de memórias "Acid for the Children". "Eu nunca tinha percebido isso até recentemente. Eu percebi quando escrevi minhas memórias... eu estava escrevendo sobre o meu padrasto... e eu não tinha percebido até estar escrevendo sobre... ver ele tocando baixo, que ele é a maior influência sobre mim. Eu nem sabia disso."
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Aqui entra o detalhe que resolve a sua dúvida: na própria fala, transcrita pela Ultimate Guitar Flea diz que via o padrasto tocar baixo e ainda especifica o tipo de instrumento. "Mesmo que ele estivesse tocando baixo acústico", ele explicou, "aquilo era exatamente a minha abordagem de tocar baixo." Ou seja: para Flea, Walter Urban Jr não é apenas "um jazzista" no sentido genérico: ele aparece como alguém que tocava upright bass, e isso vem da lembrança direta dele assistindo.
Ele também não romantiza a ligação. "Nossa relação era tensa", disse, e a influência não aparece como "educação musical bonitinha", mas como linguagem física: "a fisicalidade e o jeito como ele abordava" o instrumento. Flea descreve a própria pegada com uma imagem agressiva, de tocar como se fosse "destruir" o baixo, jogando para fora raiva, frustração e a sensação de ser incompreendido, um estado emocional que ele associa diretamente a como tocava quando era jovem.
Esse lado mais pesado da história bate com o que Flea já contou em outras entrevistas sobre a casa em que cresceu: ele descreveu o padrasto como um músico de jazz problemático, com episódios de violência quando bebia, chegando ao ponto de "às vezes uma arma aparecer". Não é um pano de fundo "didático"; é um ambiente que ele próprio retrata como instável, e isso ajuda a entender por que a lembrança musical vem colada em tensão corporal, não em "aulas".
Na mesma entrevista com Beato, Flea ainda mencionou outras referências que admira - de James Jamerson e Bootsy Collins a Geezer Butler e John Entwistle - além de nomes atuais como Anna Butterss e Meshell Ndegeocello. Mas o ponto que ele quis destacar foi outro: por mais que a lista de influências seja longa, a peça que ele diz ter subestimado por décadas era aquela cena doméstica, ele garoto, vendo o padrasto tocar.
E é isso que torna a história forte: não é uma disputa de "quem é melhor" nem um ranking de técnica. É uma constatação tardia do próprio Flea sobre de onde veio o impulso mais básico da forma como ele toca - antes de qualquer ídolo, antes de qualquer lista, antes de qualquer aura em torno do instrumento.
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