Os mitos sobre Woodstock que todos repetem no automático até hoje, segundo Barcinski
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de dezembro de 2025
O festival de Woodstock costuma ser lembrado como um momento quase mítico da história da música, vendido por décadas como "três dias de paz e amor". Mas, em vídeo publicado em seu canal, o jornalista André Barcinski propõe um ajuste de foco: sem tentar "destruir" o evento, ele chama atenção para alguns pontos que foram romantizados ao longo do tempo e que não correspondem exatamente ao que aconteceu em 1969.

Um dos principais aspectos destacados por Barcinski é a ideia de que Woodstock teria sido um festival planejado para ser gratuito. Segundo ele, "não era um festival gratuito". A gratuidade aconteceu porque "foi tão mal organizado e tanta gente chegou lá que as pessoas simplesmente destruíram as cercas e invadiram o lugar". Ou seja, o ingresso deixou de ser cobrado por falta de controle, não por um gesto ideológico da contracultura.
Outro ponto recorrente na fala do jornalista é a noção de que tudo teria funcionado de forma harmoniosa graças ao espírito hippie. Barcinski relativiza essa leitura ao afirmar que o evento foi, na prática, "um pesadelo logístico". Ele lembra que houve "problemas de higiene", "falta de comida" e uma estrutura incapaz de lidar com a multidão que tomou conta da pequena cidade no estado de Nova York. "O lugar ficou absolutamente nojento", resume.
Barcinski também chama atenção para o fato de que Woodstock só não terminou em tragédia maior por circunstâncias fortuitas. Ao comparar com Altamont, festival realizado no mesmo ano, ele observa que, embora não tenha havido mortes em Woodstock, isso aconteceu "por pura sorte". Para ele, a diferença entre os dois eventos não está em uma organização exemplar, mas no desfecho.
Ao falar do documentário Woodstock, dirigido por Michael Wadleigh, Barcinski faz questão de separar o filme do evento em si. Ele define o longa como "sensacional" e "uma obra-prima do documentário musical", destacando cenas marcantes de artistas como Santana e Sly and the Family Stone. Ainda assim, ressalta que o filme privilegia a música e a experiência coletiva, deixando parte do caos em segundo plano.
Essa leitura mais crítica fica ainda mais clara quando o jornalista contrapõe o Woodstock de 1969 ao festival de Woodstock 1999. Para Barcinski, o evento dos anos 1960, apesar de todos os problemas, estava inserido em um contexto de maior engajamento político e social. Já o de 1999 representou "uma brutalidade escapista", marcada por violência, desorganização e colapso completo da proposta original.
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