Bon Jovi: Novo disco não coroa 30 anos de carreira
Resenha - What About Now - Bon Jovi
Por Daniel da Costa Junior
Fonte: PipocaTV
Postado em 21 de março de 2013
Nota: 5 ![]()
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Bon Jovi: a banda que completa 30 anos em 2013 resolveu presentear os fãs como uma espécie de The Best da sua carreira; What About Now parece uma coletânea do "jeito bon jovi de fazer música".
Faz um tempo que o Bon Jovi deixou de se preocupar em ser uma banda de hard rock com aquela pegada americana que somente os estadunidenses sabem fazer. A opção de Jon Bon Jovi e trupe tem muita relação com o fato de conseguirem uma legião mundial de fãs e terem sedimentado o caminho entre o hard e o pop rock.
Com 30 anos de carreira não liga para críticas, vendas de discos ou contratos milionários com gravadoras. Os hits estão nos primeiros anos de carreira "e quem quiser que mate saudades comprando os cds ou indo aos shows". Mais ou menos assim. Por isso "What About Now" (2013) é aquilo que a banda sempre fez: melodias boas e refrões pegajosos. O maior dos clichês para quem escreve sobre música.
Um outro pecado de WAN é a semelhança entre as faixas. Irei comentar as faixas que mais se distanciam do formato escolhido pela banda para formar o repertório do seu novo disco. Das doze faixas, seis ou sete tem DNAs muito próximos. Uma decepção. A gente sempre espera mais, mesmo sabendo que não virá nada muito diferente.
A faixa que abre o disco é descaradamente composta para ser hino nas turnês. "Because We Can" (faixa 1) tem unicamente o objetivo de manter a banda com o rótulo de ‘artista de arena’ que leva multidões a cantarem suas canções, acenderem seus isqueiros (ops, agora são apenas os celulares) e ficarem bonito nas gravações ao vivo. Aliás, a banda sempre faz um ótimo trabalho ao vivo, sempre soando mais pesada.
Fora isso esqueça solos gigantescos de guitarra, músicas cantadas por Richie Sambora, grandes sustos criativos. A banda achou este caminho e depois de três décadas parece não querer se desviar dele. Jogo ganho, porque mudar agora? Uma vez ou outra dá sinais de criatividade renovada como em "Amen" (faixa 5), quase uma faixa gospel para os padrões da banda de New Jersey, com arranjos de cordas simples e casados com a voz do vocalista.
O grande paradoxo de falar de um lançamento do Bon Jovi é que você não pode classificar as músicas como canções ruins – caso de "Army of One" (faixa 8) – porém a previsibilidade de cada "esticada" de Jon sempre deixa quem está escutando com o pé atrás. Especialmente porque podemos presumir que parece que existe pouca personalidade dos outros integrantes no disco. Tá mais para Jon Bon Jovi e banda. Enfim…
Porém uma coisa eles não se esquecem: fazer grandes baladas. Talvez a maior especialidade do Bon Jovi. A tríade de "Thick as Thieves" (faixa 9) é uma belíssima faixa e traz mais uma vez ótimos arranjos de cordas e bons vocais nos estribilhos.
"Beautiful World" (faixa 10) deixa a gente com a seguinte impressão: será que uma banda como o Bon Jovi com músicos reconhecidamente competentes só é capaz de escrever canções consonantes e não sair NENHUMA vez das opções fáceis das convenções harmônicas de música em tom maior? Será que a gente nunca ouvirá uma mudança de modo, uma alteração de andamento, uma música à capela, um samba do criolo doido?
Ao que tudo indica – eu mesmo respondo – não. Apenas ouviremos o que Jon Bon Jovi deseja compor com a autoridade de ser reconhecido mundialmente mas o débito de não sair de dentro da casinha do conforto.
1 – Because We Can
2 – I’m With You
3 – What About Now
4 – Pictures of You
5 – Amen
6 – Thats What The Water Made Me
7 – What’s Left of Me
8 – Army of One
9 – Thick as Thieves
10 – Beautiful World
11 – Room At The End of The World
12 – The Fighter
twitter: @pipoca_tv
twitter: @dcostajunior
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