Para George Lynch, Dokken poderia ter sido tão grande quanto Mötley Crüe e Bon Jovi
Por João Renato Alves
Postado em 27 de novembro de 2025
Quem acompanha a trajetória do Dokken sabe que a banda nunca foi um mar de rosas, especialmente tendo em vista a convivência entre Don Dokken e George Lynch. Durante entrevista ao Talkin' Bout Rock, o guitarrista voltou a atacar o cantor, com quem tem feito aparições em shows recentes, apesar dos dissabores pessoais. Para o virtuoso, a banda poderia ter sido maior se não fosse a necessidade de controle do vocalista.
"A verdade é que Don queria controlar tudo e ficar com a maior parte do dinheiro. E foi basicamente isso que aconteceu. Já disse isso muitas vezes e não estou falando de forma depreciativa. Mas, no fundo, era isso que ele estava tentando conseguir e nos deixou saber. Contratou sua própria equipe de gerenciamento, fechou contrato com uma gravadora e tentou nos demitir, mas não consegui, pois todos nós éramos donos. Então, dissolveu a banda, começou seu próprio negócio e nos processou. Nós também o processamos e o resultado final foi nada. Cada um seguiu seu próprio caminho. Mas, na verdade, todos nós perdemos."

Para o instrumentista, o grupo fez todos os movimentos certos para "subir de divisão" na indústria. "Todos nós fizemos coisas maravilhosas desde então, muito satisfatórias e gratificantes musicalmente. Mas renunciamos àquilo pelo que havíamos trabalhado, que era a construção da nossa carreira. Tínhamos uma incrível equipe de gerenciamento, a Q Prime - Cliff Burnstein e Peter Mensch, que empresariavam o Queensryche, o Metallica e trabalharam até mesmo com os Rolling Stones e outras bandas enormes da época. Tínhamos o poder de toda aquela máquina nos guiando. Fizemos os discos certos, na hora certa. O timing foi perfeito. Em nível comercial, tudo estava preparado para que praticamente virássemos a página.
O que todo músico profissional do nosso nível quer é chegar ao ponto de ter poder de negociação com as gravadoras, promotores e outros, para ter influência e conseguir um bom contrato, daqueles que duram muitos e muitos anos. Aí você passa para outro nível - segurança financeira e segurança musical. Você tem um lar, está estabelecido e isso vai te sustentar pelo resto da vida. E era para isso que estávamos trabalhando, estávamos prestes a assinar o contrato com a Warner Brothers/Elektra."
Pressionado a elaborar sobre as brigas com Don, George explicou: "Durante toda a carreira da banda, enquanto estávamos juntos, eu insistia que fôssemos quatro por um, um por todos, divisão de tudo em quatro partes iguais, independentemente de quem compôs o quê, independentemente de qualquer coisa. Compus a maior parte das músicas e sofri mais por isso, se é que se pode chamar de sofrimento, mas eu cedi mais. E ainda acreditava nisso, porque achava que se obtinha os melhores resultados dessa forma, já que você deixa as pessoas se sentindo mais importantes e não as força a se sentirem compelidas a insistir só porque querem ganhar mais dinheiro. Dessa forma, você paga aos compositores mais fracos para ficarem em casa e eles recebem o mesmo que os outros. E eu achava que era uma boa ideia. Além disso, era justo. Estávamos todos na estrada há 10 anos, ralando muito.
Todos saímos do mesmo lugar. Tocamos juntos em garagens, festas com barril de cerveja e bailes, cumprimos nossa jornada. Então, só porque um de nós tem o sobrenome mais importante, tem mais talento, um estilo mais marcante ou algo assim, o outro não deveria sofrer por isso. Sentia-me muito confortável assim, mas o Don não. Eu não tinha nenhum problema com ele, além do fato de que ele não se sentia confortável com a nossa imparcialidade, com o cumprimento do plano e do acordo que tínhamos durante aqueles 10 anos. E aí, quando chegou a hora do pagamento final, pelo qual todos nós trabalhamos, ele queria levar tudo e praticamente nos descartar. E não é assim que pessoas boas agem. Entende o que eu quero dizer? Então, perdi muito do respeito que tinha e briguei com ele por causa disso. E aqui estamos nós hoje."
Lynch concluiu deixando claro que o talento dos envolvidos poderia ter levado a banda muito mais longe do que onde chegou. "O Dokken poderia ter sido muito maior - poderia ter chegado ao tamanho do Mötley Crüe ou do Bon Jovi, que é um nível completamente diferente. Todos nós estaríamos com a vida ganha. E isso nos foi roubado, porque Don resolveu arriscar tudo."
Tendo apenas Don da formação clássica, o Dokken segue em uma longa turnê de despedida. George aparece esporadicamente, levando o Lynch Mob como atração de abertura a tiracolo e participando do set principal nas músicas finais. O baixista Jeff Pilson toca no Foreigner, enquanto o baterista Mick Brown se aposentou anos atrás devido a problemas de saúde.
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