Rush: "Clockwork Angels" é sobretudo um álbum "rockeiro"
Resenha - Clockwork Angels - Rush
Por André Prado
Postado em 30 de junho de 2012
E a espera foi grande, depois de longos cinco anos desde o ótimo Snakes & Arrows, o Rush chega com "Clockwork Angels", o seu 20º álbum de estúdio mostrando que quanto mais velha a banda fica, ela tende a ficar melhor e melhor. É impressionante como uma banda que tem quase de 40 anos de carreira e tantos álbuns ótimos e diversos - sempre com uma característica única - na sua discografia, consegue nos entregar mais um excelente álbum; intenso e poderoso o suficiente para figurar na prateleira de grandes álbuns de sua carreira.
Como tradição do Rush, "Clockwork Angels" é um excelente álbum conceitual onde as músicas são inspiradas em definições steampunk de Júlio Verne e H.G. Wells (para quem não sabe, o termo "steampunk" é um sub-gênero da ficção científica onde trata-se de obras ambientadas no passado). "Clockwork Angels" conta a história de um jovem homem por um mundo dito "liberal e colorido" por cidades perdidas, piratas, anarquistas, um carnaval exótico e um observador que impõe precisão em cada aspecto da vida, representada pela capa do álbum repleta de simbolismo (interessante não?!). Capa aliás que nos mostra um relógio onde cada hora mostra um símbolo alquímico, e que está diretamente relacionado com as 12 canções. O relógio marca 21 horas e 12 minutos, uma alusão ao segundo álbum do grupo, 2112. Neil Peart assina todo esse material excelente, e para a nossa felicidade, que em breve virará um romance pelas mãos do escritor de ficção científica Kevin J. Anderson.
"Clockwork Angels" continua o caminho percorrido desde "Vapor Trails" de 2002, onde o Rush vem "experimentando" o lado mais rock n' roll da coisa. Naquele esquema puro de baixo, bateria e guitarra e aproveitando as possibilidades tecnológicas e de produção que não tínhamos a décadas atrás, o Rush consegue mais uma vez consegue soar moderno e pesado, mas nunca datado e comum aos ouvidos de quem escuta.
É sobretudo um álbum "rockeiro". Faixas como a direta "Caravan", a pesadíssima e de refrão grudento BU2B, e o single "Headlong Flight" dão esse tom de forma competente e contagiante. Mas o Rush não perde em nenhum momento suas viagens progressivas e nem sua pegada mais pop, faixas como a "Halo Effect", e a "The Garden" dão todo esse tom. Temos aqui inúmeras características únicas e marcantes que ao longo do tempo nos mostraram uma banda genial, seja pela guitarra cortante e cheia de riffs criativos de Alex Lifeson como na "Wish Them Well" e na soco na cara "Carnies", o baixo funkeado e a voz inconfundível do tiozinho estiloso Geddy Lee presentes fortemente na setentista "Seven Cities Of Gold", e a bateria precisa e intrincada do mestre Neil Peart como na "The Anarchist".
Por todas as suas 12 faixas "Clockwork Angels" se mantém vigoroso, e se torna um dos álbuns mais fortes a ser candidato ao top 5 do fim do mundo de 2012. Pra quem duvidava de uma banda de quase 40 anos estrada, está aí a prova de como não pode se duvidar. Quem curte um bom rock n' roll tem que ter essa obra na sua cabeceira!
Tracklist:
1. Caravan
2. BU2B
3. Clockwork Angels
4. The Anarchist
5. Carnies
6. Halo Effect
7. Seven Cities of Gold
8. The Wreckers
9. Headlong Flight
10. BU2B2
11. Wish Them Well
12. The Garden
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