Rush: em seu porto seguro que é o Hard Rock
Resenha - Clockwork Angels - Rush
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 20 de setembro de 2012
Nota: 8 ![]()
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Clockwork Angels, décimo-nono trabalho de estúdio do Rush, foi gravado em Nashville e Toronto e tem produção da própria banda e de Nick Raskulinecz, o mesmo do disco anterior, "Snakes & Arrows" (2007). O álbum traz doze novas faixas para o amplo catálogo do grupo, sendo que as duas primeiras - "Caravan" e "BU2B" - já são conhecidas dos fãs por terem sido lançadas como single em 1 de junho de 2010 e executadas durante a última turnê dos caras, batizada como Time Machine e que passou pelo Brasil em outubro de 2010.
Acontece algo interessante com o Rush. Com 44 anos de carreira - a banda nasceu em 1968, mas só lançou o seu primeiro LP em 1974 -, Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart já experimentaram os mais variados caminhos sonoros. Do hard rock ao prog, passando pela new wave e por composições com excessos de teclados, a banda foi a extremos e acertou a mão na maioria das vezes. Hoje em dia, entretanto, o trio parece se contentar em manter o seu porto seguro dentro do universo do hard rock, explorando as infinitas possibilidades que o gênero permite. E a experiência de quem sempre ousou com flertes com outros estilos é aplicada de maneira cirúrgica em "Clockwork Angels", um trabalho com qualidades para se transformar em um dos discos preferidos dos fãs.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Bastante pesado, "Clockwork Angels" traz o Rush soando moderno e cheio de energia. As faixas são longas, porém jamais cansativas. As composições são intrincadas, mas sem trechos desnecessários e auto-indulgentes. Todos essas características demonstram a maturidade do trio, ainda mais levando-se em conta que a própria banda produziu o play, ao lado de Raskulinecz.
Há pouco de prog em "Clockwork Angels". Se você quer um termo para definir como o disco soa, poderia defini-lo como rock moderno, sem exageros e excessos. Tudo está no lugar e na quantidade certa.
Lee, Lifeson e Peart acertaram a mão violentamente. A faixa-título arrepia e é uma das melhores composições do Rush em décadas. "The Anarchist" tem um astral que remete aos tempos de "Fly By Night" (1975) e "2112" (1976) e uma trabalho sensacional de baixo e bateria - uma redundância em se tratanto de Rush, porém um elogio necessário. "Carnies" possui ecos de "The Spirit of Radio" em certas passagens - não sei se de forma intencional o não -, além de uma aula de Alex.
A inspiração é constante. O peso, onipresente. O feeling, inquestionável. As composições são fortes, donas de uma beleza que impressiona. Os flertes com o passado estão em todo o disco. A linda "The Wreckers" tem uma guitarra que remete à British Invasion e belas linha vocais de Lee e grandes melodias. "Headlong Flight" é, provavelmente, a melhor faixa de "Clockwork Angels", e cheira a futuro clássico. Cheia de dinâmicas distintas, mostra o que de melhor o Rush sempre soube fazer: rock pesado e complexo, mas sempre audível.
Todas as faixas exploram o mesmo tema - a jornada de um jovem por um mundo alternativo, em busca de seus sonhos. Neil Peart se inspirou na obra Candide, escrita por Voltaire no século XVIII. E a coisa irá além: o escritor de ficção científica Kevin J. Anderson (Duna, Arquivo X, Star Wars), amigo de longa data de Peart, está escrevendo um livro explorando de maneira mais profunda toda a trama criada pelo baterista para o trabalho.
É possível afirmar, sem medo de errar, que "Clockwork Angels" será figura certa nas listas de melhores de 2012. O álbum é coeso, forte, cativante, e mostra um Rush focado no presente e com os olhos no futuro, porém sem renegar, em nenhum instante, o seu glorioso passado.
Envelhecer fazendo música de qualidade é difícil. Envelhecer produzindo rock de qualidade, mais ainda. O Rush, com mais de quatro décadas de carreira, segue relevante e surpreendente, passando por cima e atropelando nomes muito mais novos e, teoricamente, com muito mais energia e apetite para mostrar o seu trabalho.
O ditado "aprenda com os mais velhos" poucas vezes soou tão verdadeiro como aqui.
Faixas:
Caravan
BU2B
Clockwork Angels
The Anarchist
Carnies
Halo Effect
Seven Cities of Gold
The Wreckers
Headlong Flight
BU2B2
Wish Them Well
The Garden
Outras resenhas de Clockwork Angels - Rush
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