Nightwish: A espera de longos quatro anos valeu a pena

Resenha - Imaginaerum - Nightwish

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Por Júlio André Gutheil
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Existem muitas coisas a serem ditas a respeito deste “Imaginaerum”, o sétimo álbum de inéditas de uma das maiores bandas finlandesas de todos os tempos, e um dos expoentes do que se convenciona chamar de metal sinfônico, o Nightwish. Bem, acho que a mais importante é: a espera de longos quatro anos sem material novo valeu a pena. E muito.

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A banda conseguiu se reeguer depois de um período muito difícil, cheio de dúvidas e incertezas, onde o futuro era sombrio e os descrentes uma verdadeira legião. O intenso trabalho de composição do incansável Tuomas Holopainen, assim como os esforços dos demais membros da banda, ao longo desses anos resultou em um trabalho soberbo, que concretiza e estabelece definitivamente o nascer de uma nova era para a banda.

"Imaginaerum" é um disco grandioso, impactante, repleto de vieses e facetas que se desdobram de forma espetacular, criando assim uma verdadeira obra de arte: rica, variada, pomposa e emocionante. Vai de baladas de veia pop até as bombásticas orquestrações de trilhas sonoras hollywoodianas, passando por uma profusão étnica, folk e de elementos dos mais diversos e imprevisíveis, criando assim um trabalho único e que transborda criatividade.

O disco já abre de uma forma bastante incomum. 'Taikatalvi' é uma intro em em finlandês cantada por Marco, que soa como uma canção de ninar, lúdica e com um quê mágico irresistivel. Um início de audição muito interessante, que cativa o ouvinte logo de cara.

Logo na sequência chega 'Storytime',o primeiro single do disco e a primeira que ouvimos, ainda lá em novembro do ano passado. Uma música fantástica, realmente impressionante e um single de muito respeito. Anette muito segura e confiante, solta e num tom agradável. E mesmo com tantos elogios, é preciso dizer: não é a melhor do disco!

A próxima tem uma clara influência de Van Halen da época dourada da banda americana. Durante o acampamento de verão da banda, onde muita coisa foi composta, foi comentado por eles que haveria uma música assim, mas acredito que nínguem suporia que fossem assim evidente. Esta 'Ghost River' tem bastante peso, teclados oitentistas, um coral de crianças sensacional e uma letra sombria. As interpretações de Marco e Anette são impecáveis, versáteis e teatrais. Destaque especial para a atuação de Emppu também.

'Slow Love Slow' é um perfeito jazz de cabaré, onde Anette canta de forma doce e suave, acompanhada por uma melodia de piano tocante e uma banda que parece encarnar o espírito de New Orleans. Uma fiaxa que denota o talento de Tuomas como compositor que não se prende aos próprios clichês

Do cabaré pulamos para uma animada festa folk com 'I Want My Tears Back', que logo de cara nos manda os mais típicos riffs do Nightwish, que logo incorpora acordeões e bagpipes criando um clima folclórico maravilhoso e empolgante. Uma das minhas favoritas!

'Scaretale' é um pesadelo. Um daqueles pesadelos que todo mundo já teve, de se ver em algum lugar meio sombrio e de repente se ver cercado de coisas assustadoras e não ter para onde correr. A música parece uma peça de teatro, ou um número circense, de elementos lúdicos que facilmente podem se tornar assustadores de uma hora para outra. As orquestrações são invcríveis, jogando o clima da canção nas alturas. Pequena obra-prima.

Unindo-se a esta última temos 'Arabesque', uma faixa instrumental de ritmos e batidas árabes aliadas a orquestra, numa profusão estonteantes de sons que se sobrepõem uns aos outros, construindo uma aura tão alta que é de ficar embasbacado.

Despedidas nem sempre precisam ser um adeus, mas quem sabe apenas um até logo. É mais ou menos essa a ideia por trás da lindíssima 'Turn Loose the Mermaids'. Tuomas contou que compôs após o seu avô ter falecido, quando viu sua avó se despedindo dele, oque o deixou profundamente mexido na época. Tem belas melodias de piano, uma leve mas marcante veia folk e uma certa influência de My Dying Bride. Quem sabe a mais bela canção do grupo.

A audição segue agora com 'Rest Calm'. Esta tem uma estrutura um pouco diferente do comum, pois seu refrão não explode nas alturas, de certa forma pegando o ouvinte desprevenido. Mas é uma grande canção, com muito feeling, onde mais uma vez Anette e Marco dão show. Faixa épica e grandiosa, mais um excepcional destaque!

'The Crow The Owl and The Dove' conta com a participação especial Troy Donockley (gaitista que já tocara com abanda no “Dark Passion Play”) nos vocais, fazendo um excelnete dueto com Anette. É uma canção de veia mais pop, mas nem por isso é ruim, muito pelo contrário, pois faz com que o disco não soe repetitivo e que abusa das mesmas fórmulas. Grande canção de uma letra é maravilhosa.

A próxima faixa é a que eu, pessoalmente, considero como a melhor disco: 'Last Ride of The Day'. Empolgante, grandiosa, com orquestrações e um refrãoqe são de tirar o fôlego. Anette se mostra mais a vontade do que nunca, dando o melhor de si, com versatilidade e emoção ao interpretar. Letra bastante positivista e inspiradora, trazendo de volta à tona a velha faceta mais iluminada do Nightwish.

O fim se aproxima e agora temos a longa 'Song of Myself'. Como nas demais canções, as orquestrações são o grande destaque, mostrando-se extremamente bem compostas e que levam o ouvinte para um passeio em uma montanha russa de sensações. Metade da canção uma espécie de poema, narrado por várias vozes bastante distintas. Uma forma inspiradora de encaminhar o grande final.

E a viagem chega ao fim com a faixa que dá título ao álbum. Um medley de todas as músicas, uma retrospectiva de todas as emoções que sentimos nessa insana jornada pelo mundo da imaginação e fantasia, do passado e do futuro, das alegrias e das tristezas. Um final digno para um disco que flerta com a perfeição.

"Imaginaerum" é um trabalho de afirmação. Simplesmente deixa o seu antecessor comendo poeira (e olha que eu acho ele um disco realmente bom). Na comparação com o último trabalho, eu sinto que este é mais coerente, mais firme, mais sólido. É tão longo quanto, porém os 75 minutos de audição passam voando, sem por um segundo se tornar cansativo ou muito massante. E ainda é preciso dizer que este é um álbum é mais alegre, mais luminoso, mais otimista, onde a escuridão aparece mas não é o grande destaque.

Anette é agora parte da banda, querendo os puristas ou não, está confiante e segura de si, dando seu melhor. Tuomas sabe compor para orquestra, diferentemente de outros artistas desse estilo que geralmente apenas jogam alguma orquestração qualquer em cima da música. Marco, Jukka e Emppu completam o time dando a liga que fez dessa banda o sucesso que ela é, tendo o lugar de destaque quemerecem sems erem ofuscados por Tuomas e Annete.

Não vou me atrever a afirmar categóricamente que este seja o melhor disco do Nightwish, pois cada um dos disco que eles já lançaram são únicos e especiais. Porém eu posso afirmar que ao lado de “Once” (2004), “Imaginaerum” ocupa o topo da discografia da banda, podendo assim estar na categoria de obra-prima.

Um trabalho riquíssimo, que alia a raíz folk européia com a grandiloquência orquestral e todo o carisma que esses finlandeses fizeram se tornar sua marca registrada ao longo dos anos. Parabéns Nightwish, e que continue nos presentenado com muitos e muitos discos tão incríveis quanto este ao longo dos anos!

O Nightwish é:

Anette Olzon – Vocais
Tuomas Holopainen – Teclado e piano
Jukka Nevalainen – Bateria e percussão
Marco Hietalla – Baixo e vocais
Emppu Vuorinen – Guitarra

Track List:

1. Taikatalvi (02:35)
2. Storytime (05:22)
3. Ghost River (05:28)
4. Slow, Love, Slow (05:50)
5. I Want My Tears Back (05:07)
6. Scaretale (07:32)
7. Arabesque (02:57)
8. Turn Loose the Mermaids (04:20)
9. Rest Calm (07:02)
10. The Crow, the Owl and the Dove (04:10)
11. Last Ride of the Day (04:32)
12. Song of Myself (13:37)
13. Imaginaerum (06:18)

Confira uma versão extendida desta resenha e muitas outras no link abaixo.

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Post de 31 de janeiro de 2012


Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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