A incrível canção do "Black Album" que James Hetfield tocou anos antes em São Paulo
Por Bruce William
Postado em 23 de outubro de 2022
Em uma interessante passagem do documentário "Woodstock - Mais que uma loja", que conta histórias da lendária loja paulistana, seu fundador e pioneiro no mercado de discos de vinil de rock e metal no Brasil, Walcir Chalas, relembra o episódio em que James Hetfield tentou conhecer a loja, que chamava a atenção por ter se tornado ponto de encontro dos headbangers.
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"Eu estava aqui na Woodstock num sábado, tocou o telefone, (atendi e alguém) falou: 'O James Hetfield está indo aí'. Falei 'Como?'. Era o pessoal da Rock Brigade que contou que James queria conhecer quem era aquele pessoal que havia vendido milhares de ingressos.
O Metallica estava no Brasil se apresentando pela turnê do "... And Justice For All" e a Woodstock Discos promoveu intensamente os dois shows realizados no Ginásio do Ibirapuera nos dias 6 e 7 de outubro de 1989.
Walcir e o pessoal da loja ficaram em estado de choque, mas pensaram ok, vamos lá. O que eles não contavam é que, de alguma forma completamente inesperada, milhares e milhares de headbangers foram pra loja pra esperar Hetfield. "Passou meia hora depois, ouvi um tumulto lá fora", prossegue Walcir. "Quando eu saí era o carro (um Fiat 147 de uma pessoa da Rock Brigade) com o James Hetfield já dando ré e a molecada querendo pegar, bater foto. Foi um negócio muito rápido a vinda dele. Da mesma forma que ele chegou, ele saiu rápido".
"Minutos depois quando ele já estava no hotel recebi um telefone do empresário que trouxe a banda, falou 'James Hetfield tá pedindo pra você levar aqueles lambe-lambe Comando Metal Apresenta pra ele à noite lá no Ibirapuera, que ele quer guardar de recordação. Então eu lembro que quando estava chegando lá no camarim, escutei e vi ele de costas fazendo um solo. Aquele solo ficou marcado na minha cabeça. Até aí tudo bem".
Walcir conta que entrou e pediu desculpas pelo que tinha acontecido na Woodstock, James, simpático e atencioso, disse que estava tudo bem, e que da próxima vez que a banda voltasse para São Paulo ele iria lá. "Mas a próxima vez foi (a turnê do) 'Black Album', sem chances", observa Walcir, contando que entregou um pôster para James e outro pro Lars Ulrich, que até hoje estão guardados com a banda e já apareceram em vídeos de ensaios.
Daí Walcir relembra o detalhe inesperado da situação: "Passou todo esse tempo e saiu o 'Black Album'. Quando eu ouvi 'The Unforgiven' eu lembrei que era o mesmo solo que o James Hetfield estava fazendo no Ibirapuera. Ou seja, 'The Unforgiven' nasceu no Ibirapuera, isto eu nunca esqueço", conta.
A história de "The Unforgiven", gravada pelo Metallica no "Black Album", de 1991
É bem verdade que embora Walcir tenha dito "solo" no depoimento, possivelmente ele esteja falando da base rítmica e talvez do vocal de Hetfield, já que o solo de "The Unforgiven" do "Black Album" aparentemente foi escrito por Kirk Hammett, e ele contou em mais de uma ocasião que ele foi muito pressionado pelo produtor Bob Rock. "Eu lembro de aparecer no estúdio naquela manhã já tendo na cabeça o que ia tocar, mas aí Bob veio e me disse 'Isto é uma merda completa'. Então pela primeira de muitas vezes eu retruquei 'Apenas aperte a porra do botão', e o solo veio de forma natural. Eu prefiro gravar assim pois gosto da coisa espontânea, e foi assim que este belo solo foi criado", disse Kirk durante conversa com a Kerrang!, onde ele confessa que esse é um de seus solos preferidos. E no documentário "A Year and a Half in the Life of Metallica", que mostra o processo de gravação do álbum, há uma cena que mostra os bastidores da criação do solo, confirmando o que foi descrito acima.
A música conta também com um "instrumento de sopro desconhecido", uma trompa francesa, conforme relatou a banda em matéria para a Guitar World, que é usada na introdução. Inclusive, no "Classic Albums: Metallica - The Black Album", James Hetfield conta que a introdução foi extraída da trilha sonora de um filme de faroeste e tocada ao contrário para que não fosse identificada. Embora não tenha revelado qual é o filme, talvez por questões legais, sabe-se que James está falando de "For A Few Dollars More" ("Por Uns Dólares A Mais" no Brasil), filme de Sergio Leone lançado em 1965 e estrelado por Clint Eastwood.
Conforme relata o Songfacts, o vocal de James Hetfield nesta música foi inspirado em "Wicked Game" de Chris Isaak. O produtor Bob Rock explicou em uma entrevista de 2011 ao Musicradar.com como nesta música ele mudou a forma que James costumava gravar os vocais: "James queria cantar. Ele vinha fazendo muito vocal gritado, mas ali queria tentar algo diferente. Antes ele sempre dobrava os vocais (na gravação). Ele não cantava as bases harmônicas, ele simplesmente cantava novamente a música em outra faixa (e depois as duas eram mixadas juntas). Mas esse processo de duplicação não traz personalidade, na verdade, muitas vezes até tira um pouco dela, pois você espera que o segundo vocal lhe traga a profundidade que seu primeiro vocal deveria ter. Eu disse a James que deveríamos gravar seu vocal, mas em vez de ouvir a si mesmo em fones de ouvido, eu queria que ele ouvisse nos alto-falantes. A diferença foi incrível. Ele cantou a música e por ter se ouvido de forma diferente, imprimiu uma dimensão totalmente nova em sua voz".
"The Unforgiven" ganharia posteriormente duas "sequências": "The Unforgiven II" no "Reload" (1997) e "The Unforgiven III" no "Death Magnetic" (2008).
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