Nightwish: Sentem nos seus lugares e peguem a pipoca

Resenha - Imaginaerum - Nightwish

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Por Felipe Hänsell
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Nota: 10


Depois de alguns anos o Nightwish lança, sem dúvida alguma, o melhor álbum da carreira. A genialidade do tecladista Tuomas Holopainen nunca falou tão alto. Depois de muitas pessoas criticarem (injustamente) o álbum anterior "Dark Passion Play" que apresentou uma das melhores músicas da banda "The Poet and the Pendulum", Tuomas não perdeu a pose e trouxe desta vez, mais que um álbum; Uma viagem audiovisual cheia de viradas cinematográficas chamada "Imaginaerum".

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A primeira faixa Taikatalvi é um prólogo dentro de uma caixinha de música na voz de Marco Hietala em finlandês. Existe alguém que não gosta do Marco? Não conheço por enquanto. É impressionante o que sua entrada no Nightwish proporcionou de criatividade quanto a novos elementos sonoros à banda. Sentem nos seus lugares e peguem a pipoca, Imaginaerum acaba de começar.

A segunda faixa já conhecida pelo público, é a Storytime. Se você conhece os trabalhos anteriores da banda perceberá que Tuomas traz referências e elementos de álbuns anteriores. As partes instrumentais durante o álbum apresentam em vários momentos características do Wishmaster, Century Child, Once e até mesmo do próprio Dark Passion Play. Com um refrão bem gostoso de se ouvir, Storytime foi muito bem utilizada como single e representa muito bem o álbum.

A terceira faixa "Ghost River" é uma das faixas mais originais não só do Nightwish, mas dentro desse gênero músical. Com um riff de guitarra de muito bom gosto, passagens quebradas, orquestra impecável, a voz da Anete doce e dissonante ao mesmo tempo e o Marco com uma voz mais grave que de costume dão uma cara muito diferente para a banda. São poucas as bandas que conseguiriam compor uma música dessas. Não bastasse isso o Tuomas ainda traz um coral de crianças que faz um envolvente dueto com Marco no refrão. Uma faixa surpreendente.

"Slow Love Slow" apresenta-se como quarta faixa e aproveito seu título para alertar: Vá devagar. Após a surpreendente "Ghost River", Tuomas apresenta um jazz com direito a um solo de guitarra super clean e metais (refiro-me aos intrumentos). Uma super balada.

A quinta faixa, "I want my tears Back" apresenta os vocais de Marco e Anete em um estilo de composição que vem dando certo desde "Dead to the world - Century Child"; A novidade são as gaitas de fole e as palmas no meio da música. Uma música bastante divertida e muito animada, algo muito novo no Nightwish que costuma sempre trazer elementos melancólicos.

A sexta faixa é a "Scaretale" que traz o sinistro coral de crianças mais uma vez. É como se fosse a introdução de um filme da Disney. Anete interpreta uma voz irônica e infantil durante boa parte da música e na metade há uma reviravolta circense com Marco apresentando um espetáculo. Realmente parece um filme. Uma faixa extremamente ousada por parte da banda. Interessante lembrar que todos os instrumentos e vozes são muito bem explorados neste álbum.

Em sétimo lugar temos a instrumental "Arabesque", que apresenta um bom conjunto de percussões e uma pegada de trilha sonora que faz te sentir no meio da selva, muito gostosa de se ouvir.

Logo depois em oitavo lugar, "Turn loose the Mermaids" fez-me lembrar de algumas baladinhas do "Blackmore's Night". A música feita para a voz da Anete cai docemente aos ouvidos e o envolve rapidamente em seus breves 4 minutos. Para os que gostaram de "The Islander" e "The Last of the wilds" do álbum anterior, gostarão dessa com certeza.

Na faixa número nove, "Rest Calm", Anete mostra mais uma vez que Tuomas não estava errado quando chamou-a para cantar no Nightwish. Mais uma música de estrutura diferenciada, 7 minutos de algumas viradas, hora pesadas, hora melódicas, hora bem leves e limpas. Um bom solo de guitarra (aliás, Emppu apareceu muito bem no CD). O coral de crianças aparece ao final cantando o refrão com Anete e Marco. Uma faixa de muito bom gosto, sem exageros e relativamente grande.

Faixa número 10, "The Crow, the Owl and The Dove". Tuomas mostra que seu leque de baladas é infindável. Mais uma balada muito bem acertada. Os vocais de Marco e Anete são muito bem utilizados mais uma vez. Aliás um ponto muito forte desse álbum: Tuomas optou por ser mais simples em vários momentos e aproveitou muito bem cada elemento da banda e fazendo praticamente 80 minutos passarem como se não fossem muita coisa.

Na faixa 11, "Last Ride of the Day" temos o peso de volta. A dramaticidade na voz da Anete, o refrão, os corais, o solo de guitarra do Emppu que finalmente apareceu sem timidez. O refrão a la Rhapsody of Fire, vai dar muito certo ao vivo e propor momentos bastante marcantes em um album que que será muito difícil ser apresentado na íntegra. Há mais arranjos neste álbum do que em todos os outros. É de fato uma viagem cinematográfica e isso vai dar um trabalho e tanto ao vivo.

Na faixa 12, "Song of Myself" Tuomas repete a estrutura de álbuns anteriores e deixa uma grande música (quase 14 min) para o Grand Finale. Uma coisa para se dizer sobre o álbum: Você não encontrará faixas pesadas como "Master Passion Greed", "Slaying the Dreamer", "Planet Hell", entre outras. O álbum, por ser uma trilha sonora de fato, apresenta muito mais passagens atmosféricas e cheias de sentimetos muitas vezes hiper carregados e tensos, mas sobretudo mágicos. "Song of Myself" traz a voz de Anete pela última vez no álbum com Marco nos backing vocals e um coral muito marcante com pegadas orquestrais bastante ritmicas e foi tão bem produzida que não parece pesada mesmo com a estupidez e força de Jukka e Emppu entre os 4 e 6 min da música. (importante lembrar também que Jukka esteve impecável na percussão). Ao final da música há um diálogo e várias passagens atmosféricas bem delicadas e inspiradoras e assim a música segue como se caminhasse para a sansão, conclusão de uma história.

Última faixa: Imaginaerum. Uma faixa instrumental que poderia ser a primeira ou a última do álbum. Com orquestra do começo ao fim, a faixa traz trechos do album inteiro em uma única música e ao lado de Storytime é a faixa que apresenta o álbum.

Muitas bandas trabalham com esse estilo de música, mas Tuomas além de um ótimo músico, é um incrível storyteller que sabe contar algo original que provoque uma reflexão e não seja clichê como outras bandas que insistem no estilo de maneira superficial. Não há mais comparações, o Nightwish de hoje corre por fora.

Tarja? Quem é Tarja?
Nota 10 para o álbum!
Que venha o filme!


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