Nightwish: Imaginaerum carece de músicas impactantes

Resenha - Imaginaerum - Nightwish

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Os fãs do NIGHTWISH certamente perceberam que a banda mudou o seu direcionamento musical a partir do álbum “Century Child” (2002). O grupo, que havia conquistado notoriedade com o seu gothic metal, passou a investir em um metal mais pesado e com características sinfônicas ainda mais evidentes. Com uma nova vocalista desde “Dark Passion Play” (2007), Tuomas Holopainen & Cia. mantiveram esse mesmo conceito sonoro complexo – em uma amplitude ainda maior – no recente “Imaginaerum”. No entanto, o disco carece de músicas impactantes.
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Para muitos (inclusive para mim), os finlandeses viveram o melhor momento de suas carreiras entre os discos “Century Child” (2002) e “Once” (2004). Embora tenham se distanciado do metal gótico de outrora, a sonoridade da banda se tornou mais encorpada com os riffs pesados adotados em conjunto com arranjos grandiosos de orquestra. As músicas, que ganharam um contorno mais comercial em diversos momentos, passaram a ser também mais vivas e impactantes. No entanto, o conceito musical proposto pela banda – que mistura trilha sonora de cinema com metal sinfônico verdadeiramente complexo – se tornou maior do que a própria música da banda executou em “Dark Passion Play” (2007). O resultado foi um disco razoável, muito mais por consequência do repertório do que pela performance da nova cantora da banda, a sueca Anette Olzon.

O que se encontra em “Imaginaerum” é exatamente o mesmo quadro de “Dark Passion Play” (2007). O principal compositor, o tecladista Tuomas Holopainen, criou novamente um imenso conceito em torno do álbum, que conta a história de um velho artista relembrando a sua vida em seu leito de morte. O disco traz novamente uma orquestra de apoio para o restante dos músicos: Emppu Vuorinen (guitarra), Marco Hietala (vocal/baixo) e Jukka Nevalainen (bateria). Entretanto, atrás de toda essa grandiosidade e riqueza sonora se escondem músicas pouco inspiradas e perdidas em meio a uma série de influências distintas. O NIGHTWISH – que havia encontrado uma fórmula aparentemente eficiente nos discos citados no parágrafo anterior – sinaliza em “Imaginaerum” a busca pelo novo, ainda pouco claro ou definido nesse novo repertório. Não há dúvidas de que músicas interessantes aparecem no decorrer de quase 1h20 de play. Porém, alguma coisa fica faltando para que o sétimo disco do grupo possa ser perfilado ao lado dos clássicos recentes e do excepcional “Wishmaster” (2000).

Com certas referências que lembram “Kuolema Tekee Taiteilijan”, a abertura de “Imaginaerum” é com a singela – porém belíssima – “Taikatalvi”. Em finlandês e cantado por Hietala, os dois minutos da faixa introdutória prepara o terreno para um dos melhores momentos do álbum. A música “Storytime” pode até ter um apelo mais comercial se comparada com o restante do repertório, mas é impressionante a potência dos seus arranjos e dos riffs agressivos de Emppu Vuorinen. O estilo de Anette Olzon em nada se parece com a voz de TARJA TURUNEN. Entretanto, a performance da “nova” vocalista está encaixada com maestria dentro da proposta da banda finlandesa. Na sequência, “Ghost River” lembra um pouco o ambiente sonoro que o grupo criou em “Wish I Had an Angel” e em “Bye Bye Beautiful”, só que sem o mesmo brilho. A verdade é que a música não é ruim, mas carece de melodias mais bem elaboradas por trás de todas as partes sinfônicas.

Não há dúvidas de que “Imaginaerum” é um disco complexo e feito para ser absorvido aos poucos. A faixa “Slow, Love, Slow” é que mais destoa da proposta principal do álbum. Com um clima tipicamente jazzístico, ela pouco contribui para que o novo material do NIGTHWISH possa ser apontado como um dos mais fortes e imponentes da carreira de Tuomas Holopainen & Cia, mesmo que muitos a consideram uma das faixas mais interessantes. Por outro lado, “I Want My Tears Back” não possui a mesma receptividade de músicas como “Planet Hell” e “Ever Dream”, mas aparece bem para o contexto da obra. A impressão que ficou é que quando os finlandeses deram ênfase à essência do metal sinfônico – sem abrir mão da melodia e do peso mesmo com toda a camada de arranjos clássicos – o resultado é mais eficiente. Em contrapartida, “Scaretale” evidencia o quanto o grupo se perde quando privilegia a complexidade sonora em detrimento da música no seu estado mais puro. A sexta faixa de “Imaginaerum” está distante de ser fraca ou até mesmo chata, mas pouco impressiona.

As referências das trilhas sonoras de Hollywood podem ser facilmente encontradas na instrumental “Arabesque”. Em meio a faixas de pouco brilho, como a cadenciada “Turn Loose the Mermaids” – que muito se parece com “Creek Mary's Blood” pela ausência de riffs e de peso – a música instrumental é que aparece entre os principais destaques da obra. De outro lado, “Rest Calm” também não pode ser mencionada como uma das mais geniais do disco, mas se sobressai pelo conjunto das vozes de Anette Olzon e Marco Hietala. Os grandiosos arranjos orquestrais ficam em segundo plano para privilegiar o aspecto mais cru e direto de todo o repertório. O resultado satisfatório – e bem acima da média – é a prova de que o NIGHTWISH poderá retomar no futuro o que construiu de melhor nos registros do seu passado recente.

A verdade é que “Imaginaerum” não consegue engrenar. A cadenciada “The Crow, The Owl and The Dove” é outra faixa que se sobressai no contexto da obra, sobretudo pela sua simplicidade e pelo seu refrão marcante. Por outro lado, os arranjos belíssimos de “Last Ride of the Day” se desconectam de uma das músicas mais pesadas do álbum, que infelizmente não soube aliar toda a sua agressividade com as melodias construídas para a voz de Anette Olzon e de Hitela durante o refrão. O que fica de “Last Ride of the Day” é a ideia de que a faixa foi composta na pressa e de que Tuomas Holopainen não soube desatar os nós que apareceram após incluir todos os arranjos de orquestra.

Do mesmo modo, a longa “Song of Myself” pouco consegue se impor, mesmo com os seus mais de treze minutos. Ela até que inicia bem pesada e com uma sonoridade marcante, mas fica muito aquém se comparada com as similares “Ghost Love Score” e “The Poet and the Pendulum”. As ideias de “Song of Myself” são ótimas e mesmo assim acabam murchando ao ultrapassar a marca dos sete minutos. Para encerrar, “Imaginaerum” é outra faixa instrumental – dessa vez conduzida apenas pela Orquestra Filarmônica de Londres – que retoma e intercala melodias das doze faixas do disco. Embora um pouco desnecessária para o contexto do material como um todo, a faixa resume de um modo interessante tudo o que foi criado em torno do álbum.

Os fãs do NIGHTWISH recordam com carinho “Wishmaster” (2000) e os discos anteriores, provavelmente irão torcer o nariz diante de “Imaginaerum”: a música da banda perdeu uma boa parte do seu poder nesse mais recente material. Por mais que esse não seja um disco inteiramente desprezível, o álbum possui faixas que não se encaixam n o nível de exigência e na expectativa criada em torno de qualquer novidade que leva o nome NIGHTWISH. Como dito no texto anteriormente, o conceito musical é o que parece ser o norte aqui. As músicas – que deveriam ser os principais itens de qualquer trabalho em estúdio – ficaram praticamente em segundo plano. O álbum não funcionou como uma obra única.

Track-list:

01. Taikatalvi
02. Storytime
03. Ghost River
04. Slow, Love, Slow
05. I Want My Tears Back
06. Scaretale
07. Arabesque
08. Turn Loose the Mermaids
09. Rest Calm
10. The Crow, The Owl and The Dove
11. Last Ride of the Day
12. Song of Myself
13. Imaginaerum

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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